sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

UM ABOIO

OLHA O ARRASTÃO!

Um perigo iminente! Pessoas correndo, crianças chorando e outros morrendo... Um caos que surgiu de repente e se espalhou pelo centro da cidade como uma epidemia virótica. O caos tinha nome, os jornais vociferam em letras garrafais: arrastão. Mito ou verdade, creio eu, que o caos não questiona a essência do fato; ele acontece como aconteceu na Praça José de Alencar e desenrolou-se até a praça do Ferreira. Se for um mito o estopim do arrastão, ele por si só tornou-se verdade pelas proporções desastrosas nas quais ocorreram e se for verdade era bem melhor fosse um mito, que a nossa insegurança não chegou a um estado tão caótico. As autoridades incompetentes têm trabalhado para revitalização do centro, esquecendo-se da insegurança que é um tão elementar nesse país fuleiragem, mas a burrice tem dominado os Paços Municipal e Estadual. Estamos sendo governado por dois quadrúpedes, cada um na sua esfera mergulhados num mar de incompetência!

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Moacir:
Vem pra cima vagabundo
Eu quero ver como é que é
Vou lhe dar um cangapé
E dois chutes no seu fundo
Tu pra mim tá moribundo
E já não vale um tostão
Vá plantar o seu feijão
Nas covas do seu roçado
Isso é que mourão voltado
Isso é que é voltar mourão.

UM ABOIO

Felicitações de Ano Novo de profissionais

Psicólogo: Nesse novo ano que seu Eros sejam tão imenso que suprima o seu Thanatos.

Matemático: Um novo ano com felicidades multiplicadas, conhecimentos somados e despesas subtraídas.

Empresário: Que esse ano seja tão lucrativo e até maior quanto do ano que passou.

Advogado: Desejo-lhe nesse “tenro espaço de tempo, cuja terra gasta uma translação completa em volta do sol” (vulgarmente conhecido por ano) infinitos votos de regozijo. Que nesse novo espaço de 12 meses, Vossa Senhoria possa ponderar sobre as incorreções pretéritas que estão embalsamadas em vosso sarcófago mnemônico (vulgarmente conhecido por memória).

Médico: Que esse novo ano seu quadro clínico permaneça estável.

Contador: Nesse ano novo que os ativos cresçam, bem como o seu poder de liquidez, e que o seu passivo diminua, tendo uma maior exigibilidade. No ano vindouro o seu patrimônio líquido tenha maximizações reais, possibilitando um crescimento estável que assegure a continuidade dos negócios.

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Feliz ano novo de um Cantador:

Mais um ano que se acaba
Como palha em fogaréu
Mas um outro já desponta
No rosto do nosso céu
E que gente toda unida
Comemore essa partida
Com muito amor e escarcéu.

Um dedo de prosa dentro da poesia

Ah! Desabe sobre mim a insanidade poética
A ilógica apaixonante do que não se conhece
Algo dentro quer regurgitar a hipocrisia cientifica
Os hábitos dos salões e comensais.

Ah! Desabe sobre mim a embriaguez translúcida
Ao invés dessa lucidez regrada pela mentira televisiva
Quero um mundo antiquado sem o apelo pós-moderno
Sem a letargia veloz dos sistemas de (des)informação
Sem o alucinógeno nocivo das coisas ditas naturais.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

Os ventos uivam na cumeeira da casa
Parecem falar confidências à noite
E nós envolvidos nos lençóis felpudos
Confabulamos com os espíritos
O prazer que dar uma noite de frio

A chuva colidindo no telhado
Reforça a trilha sonora
E nos faz relaxar na penumbra.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

O cheiro de fezes está em minhas flores
Há açúcar nas minhas palavras de dores
Meu poema é uma grande janela aberta
Com erros nos versos faço a poesia certa

A imensidão poética é a minha solidão deserta
E o improviso entranhado na mente me flerta
Arrancando-me as feridas e todos rancores
Fazendo beber na vida de todos os licores

Ah! É isso sou um alcoólatra das palavras!
Um mendigo do verso malfeito, mas comestível
Um incrédulo que respeita e louva o Santo Deus

Que conhece o povo de Israel e os filisteus
Amante do desafino, da coisa que desentoa
Do poema moleque e de uma prosa boa.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Diabo -
Lasca o pau nesse repente
Joga lenha na fogueira
Você tá com caganeira
Só de me ver na sua frente
Vou bater com meu tridente
Vou lhe dar um empurrão
Lhe jogar em um caixão
Pra depois ser enterrado
Isso é que mourão voltado
Isso é que é voltar mourão.

Letras que podem ser musicadas!

TUDO QUE É BOM É PRA DURAR

Quero te amar em Laos
Ao som de Manu Chao
Quero ser teu bem e mal
Na tua ressaca, ser uma sorrisal

Meu amor é verbo irregular
É despacho num alguidar
Meu amor é Mianmá
Me amar tem que ser com amor
Porque tudo que é bom é pra durar.

Que dure o temporário
Que dure o que é volátil
Que dure o que é fugaz
Que dure o momento que for preciso
Pra não se esquecer jamais.

Na minha boca quero a louca
Loucura de que vem do olhar
Quero as flores de Bagdá
O cheio de pólvora
Que flutua no ar

Meu amor é freudiano
É suave e draconiano
Meu amor é suburbano
Abano do meu calor
Por que tudo que é bom é pra durar

Que dure o temporário
Que dure o que é volátil
Que dure o que é fugaz
Que dure o momento que for preciso
Pra não se esquecer jamais.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

UM ABOIO

Aquele punhal frio podou-me as asas áureas das alucinações que me fertilizava os sonhos. Um anjo negro, extremamente feio, magro, torto e etílico com nome e sobrenome de pobre. Sou feliz, e esse é o único motivo que fez sobrevoar por sobre lugares e em todos eles conhecer a maravilha desse mundo. Fortaleço-me com as energias das pessoas com seus trejeitos, suas conversas e seus atos simples, se o mundo prestasse mais atenção para essas coisas talvez à vida seria um pouco mais confortante. Mesmo cortando minhas asas, não deixo de voar. O ato de voar vai muito além do bater de asas, é verdadeiramente entregar-se ao ar, desse ponto podemos ver que se entregarmos a vida ao bem e ao ar poderemos ver o verdadeiro contorno do mundo; um mundo sem a maquiagem hipócrita dos humanos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Diabo –
Nesse estilo, sou monarca
E ninguém me tira trono
Hoje vou tirar o sono
Desse cantador sem marca
Eu vou roubá-lo até a abarca
Não vai sobrar um tostão
Quero ver esse ladrão
No desafio derrotado
Isso é que mourão voltado
Isso é que é voltar mourão.

Moacir –
Vou jogá-lo na coivara
Com resto da sua família
Queimarei toda a mobília
Vou mandá-lo pro Saara
Pendurado numa vara
Feito um grande camarão
Hei de ouvir o seu perdão
Na minha frente, ajoelhado
Isso é que mourão voltado
Isso é que é voltar mourão.

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Diabo –
Não me ponha nesse mico
Vou mudar a direção
Pulando para outro estilo
Conhecido por mourão
É o tal do mourão voltado
Quero ver sua precisão.

Moacir –
Eu vou e volto na poesia
Seja qual for o seu estilo
E na canção eu não vacilo
Não corro da cantoria
Tô pra ver na freguesia
Quem me segue na canção
Eu sou igual ao um furacão
Devastando um povoado
Isso é que mourão voltado
Isso é que é voltar mourão.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Moacir –
No calor desse repente
Eu já tô cuspindo brasa
O cantador que não agüenta
Recomendo: vá pra casa!
Apronto o lombo meu amigo
Por que a minha pisa é rasa.

Diabo –
A minha poesia extravasa
E dá um giro no planeta
Mas a sua lira é capenga
O seu verso é tão zambeta
Você parece um gambá
Um caboré de chupeta.

Moacir –
Senta o pau! Ó seu capeta
Porco sujo, Ferrabrás
Capiroto, Barzabu
Pé-de-cabra, Satanás
Mequetrefe, não-sei-que-diga
Bicho-preto e bebe-gás.

Diabo –
Vá com calma meu rapaz
Não precisa avacalhar
É que o povo do Nordeste
Gosto muito de mangar
Já me deram tanto nome
Que não sei nem mais contar.

Moacir –
Tinhoso pra começar
Capa verde e Futrico
Gato-preto, Arrenegado
Fedegoso e Maçarico
Canheta, Tição, Tisnado
Feiticeiro e Zé Penico.

Letras que podem ser musicadas!

XOTE DO E-MAIL PERDIDO

Procurei aquele e-mail
Que você me enviou
Ah! Que desespero!
Procurei aquele e-mail
Mas ele não chegou.

A minha caixa de entrada
Está vazia
Assim como está
O meu coração
Desde que você
Me abandonou
Quando caiu a conexão.
Eu já não agüento
Tanta solidão
Por isso eu vou ficar on-line
Procurando o seu coração.

Procurei aquele e-mail
Que você me enviou
Ah! Que desespero!
Procurei aquele e-mail
Mas ele não chegou.

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Diabo –
Quem é filho de mucama
Nunca vai ser majestade
Eu conheço sua raiz
E sei da sua orfandade
Fico triste e cabisbaixo
Com tanta mediocridade.

Moacir –
Aprendeu pela metade
O que se ensina na escola
Eu vou quebrar a sua cara
E triturar a sua viola
Depois desse desafio
Você vai pedir esmola.

Diabo –
Vou lhe pôr na caçarola
Quando azeite tiver quente
Hei de ver você fritando
E eu cantando alegremente
Ensinando pra esse povo
Como matar-se um demente.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Moacir –
Vou falar do seu reverso
Na cadência do improviso
Vou dizer os apelidos
O tamanho do seu siso
A sua vida e o seu trabalho
Vou falar o que é preciso.

Diabo –
Mas não é por falta de aviso
Que a derrota lhe cai bem
No jogo de improvisar
Sou veloz que nem o trem
E cantador da sua raça
Eu peneiro com xerém.

Moacir –
Não vale nem um vintém
O seu talento e sua fama
O peso da sua poesia
Não mede nenhuma grama
O seu nome tá perdido
E sua honra tá na lama.

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Diabo –
Pois agüente o meu torpedo
Entranhado em cada verso
Se acalme no tamborete
E procure o seu universo
Vou lhe dar a dimensão
De como é que sou perverso.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Moacir –
No desafio, sou temido
E na viola ponho medo
E você tenha cuidado
Se tropeçar num lajedo
Pois se você cair de bunda
Eu, sem pena, passo o dedo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

DIVINA COMÉDIA URBANA

Ó Ninfeta de cimento e concreto
Quero furtar-lhe um beijo
Tocar-lhe os seios
Sentir sua vulva

Ó Ninfeta de cimento e concreto
Leva-me por caminhos incertos
Mesmo estando certo aonde vai chegar

Quero tuas luzes, cada esquina e avenida
Bebidas, cigarros, putas e travestis.

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Diabo –
Eu não sou de esmorecer
Com menino desnutrido
Vou lhe dar uma rasteira
Duas tapas no pé do ouvido
Lhe ensinar a dar respeito
A quem sempre é merecido.

sábado, 1 de dezembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Diabo –
Te conheço cão cotó
Perna fina de alicate
Volte logo para escola
Vê se aprende ser um vate
Aprendendo a respeitar
Cantador do meu quilate.

Moacir –
Eu não fujo do combate
Gosto mesmo é de bater
Mula cega como tu
Vou botando pra fuder
E co’a minha palmatória
Quero ver você aprender.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Moacir –
Na cantoria sou monarca
Das mulheres sou xodó
Cantador como você
É chamado de bocó
Que só sabe budejar
Cantando uma nota só.

Letras que podem ser musicadas!

É NO BOB’S

Eu tomo milk-shake
Eu como sanduíche
Qual é o melhor canto
Pra matar seu apetite?

É no Bob’s

No Bob’s eu sou feliz
Eu como e digo bis

É no Bob’s

Eu como batatinha
Eu como sobremesa
O Bob’s é gostoso
É gostoso com certeza.

É no Bob’s

No Bob’s eu sou feliz
Eu como e digo bis

É no Bob’s

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Moacir –
Sai pra lá catimbozeiro
Vê se busca o seu mister
No meu prato ninguém põe
Nem o garfo e nem colher
Eu nunca apanhei de homem
Muito menos de mulher.

Diabo –
Hoje eu faço o que quiser
Com caboclo da sua marca
Acabando com sua fama
Dentro e fora da comarca
E na data da sua morte
Eu vou pagar uma fuzarca

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Diabo –
Vou deixa-lhe na salmoura
Tirá-lo da minha pista
Quero vê você chorar
Me pedindo que desista
E só assim você vai ver
Qual o valor de um artista.

Moacir –
Vamos lá seu vigarista
Vê se mostra o seu valor
Já derrubei muito poeta
Sou famoso e vencedor
Quero vê você tremendo
Procurando um cagador.

Diabo –
Tenho fama de doutor
Ninguém faz o meu roteiro
E nas disputas de viola
Não me tiram do primeiro
Hoje vou dar uma surra
Nesse nêgo maconheiro!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Diabo –
Que conversa mais sacana
Que história mentirosa
Banana não faz meu tipo
Há outra fruta saborosa
Que nasceu na sua mulher
E ela me dar toda prosa.

Moacir –
Minha mulher é gostosa
É bem feita e toda loura
Você já ficou com ela
E quase teve um piloura
Pois ela enfiou no seu rabo
Todo o cabo da vassoura.

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Moacir –
Tenha calma, sarará!
Bicho da cara de pote
O seu canto é parecido
Com o canto do capote
E hoje eu corto o seu chifre
Só na base do serrote.

Diabo –
Quero ver o seu pinote
Quero ver o seu rebolado
Eu já conheço a sua fama
E rebusquei o seu passado
Pelo dia quer ser machão
E noitinha, afeminado.

Moacir –
Esse homem do meu lado
Tem coragem espartana
Briga até com São Miguel
Mas quando tá na choupana
Fica pedindo pra mim:
“Eu tô quero a tua banana!”

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

PELEJA DE MOACIR COM O DIABO


Diabo –
O meu cantar é estrondoso
Virulento e letal
Vou pra frente, vou pra trás
No mundo não tem igual
Eu sou homem aclamado
Sou um cantador magistral.

Moacir –
Também tenho cabedal
Pra compor e pra cantar
Faço versos de improviso
Bem à moda popular
Não há ninguém no planeta
Que possa me acompanhar.

Diabo –
Não souberam procurar
Esqueceram do meu nome
Sou melhor de todo mundo
Sou cantador de renome
E você não canta nada
Você sabe passar fome.

Moacir –
Você não tem sobrenome
Só sabe falar besteira
Mas isso é tão natural
Para um filho de rameira
Que na vida tem tentando
Tampar o sol co’a peneira.

Diabo –
Vou curar a sua cegueira
Com o meu pau de jucá
Vou carimbar teu espinhaço
Seu besouro mangangá
Quero ver você quebrado
Cabeça de carcará.

Letras que podem ser musicadas!

Encontrei Joca Silva na praça José de Alencar, ele é a própria expressão do andarilho. Um ser transitivo que não se encontrar lugar nenhum do mundo e está por toda parte do planeta. Eu digo que os olhos dele contam a sua própria história. Sábado dia 25 de novembro, entre goles de cerveja quente... Ele olhou-me nos olhos e disse: “vamos fazer uma música?” Naquela hora a cerveja que descia redondo, desceu quadrado. Quis esquivar-me, mas no final escrevi uma letra e ele musicou de supetão. Pena mesmo é que ele hoje já está com o pé na estrada, buscando como ele mesmo diz: beber um pouco de cada lugar. Ele queria ter conhecido minha namorada, mas como não conheceu me obrigou a escrever a letra pra ela. No final do processo criativo saiu essa música (bem ao estilo Joca um bregueiro de carteira):

SE NÃO FOR PRA SER CONTIGO
(CANÇÃO PARA MIRELLA)
LETRA: MOACIR MORRAN
MÚSICA: JOCA SILVA(*)

Teus olhos me seqüestraram
No meio da multidão
O teu amor é um brilho raro
Para minha escuridão
Já não quero mais ninguém
Já não quero mais sonhar
Se não for pra ser contigo
Não quero mais amar.

Se não for pra ser contigo
Não quero mais amar.

Êh, Mirella
Me guia com teu olhar
Me vira a cabeça
Me faz refém do amar.

Sou um pobre apaixonado
Cantador reles e cigano
Mas você é majestade
Do meu paço soberano
Já não quero mais cantar
Já não quero a poesia
Se não for pra ser contigo
Eu digo adeus à alegria.

Se não for pra ser contigo
Eu digo adeus à alegria.

Êh, Mirella
Me guia com teu olhar
Me vira a cabeça
Me faz refém do amar.

Receba minha canção
Como prova de amor
Um presente tão simplório
De um pobre cantador
Já não quero mais sorrir
Já não quero mais chorar
Se não for pra ser contigo
Nunca mais hei de casar

Se não for pra ser contigo
Nunca mais hei de casar

Êh, Mirella
Me guia com teu olhar
Me vira a cabeça
Me faz refém do amar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Letras que podem ser musicadas!

PEQUENA CIRANDA

Não fique triste
Venha para roda
Venha sorrir, venha animar
Venha dançar ciranda
Fazer da dança
O nosso cantar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

UM ABOIO

Será a queda do Império ou só um tombo?


Recentemente, o mundo financeiro sobre um baque deveras denso. A crise hipotecária no setor imobiliário dos EUA colocou todo planeta de alerta, o risco de inadimplência tem aumentado nesse setor vertiginosamente, causando entre os investidores uma desconfiança nas ações dessas empresas imobiliárias. Por conseguinte, a queda dos preços das ações e o extremo risco iminente nesse negócio provocaram um frisson nas transações financeiras. As bolsas de valores têm andando por sobre ovos e tratado do assunto com extrema cautela. E como se não bastasse à subida estronda do barril de petróleo ao patamar de 100 dólares e o enfraquecimento da moeda americana no câmbio mundial propiciaram uma insegurança global. Ressuscitando até o fantasma de uma quebradeira mundial nos moldes do ano de 1929. Esses sinais ligados diretamente a fatores econômicos não se restringem ao âmbito macro e microeconômico, trazem também na sua essência a fragilidade de um império em todos os seus contextos. A dominação hegemônica de um país passa a ser algo extremamente perigoso numa economia globalizada, a concentração de riqueza enfraquece a sustentabilidade econômica do mundo e põem todos os paises sob a mira de risco catastrófico e colossal. A cada dia a centralização de poder tem se mostrado deveras nocivo ao mundo. A recessão americana infelizmente pode ferir a todos, respingando por sobre paises que estão conseguindo se desenvolver.
Tudo isso pode ser até um tombo do Império, contudo se continuarmos nadando nesse mar de incertezas, o tombo pode virar queda e da queda a morte!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

UM ABOIO

OSSOS DO OFÍCIO

Eu trabalho na área de contabilidade e uma das minhas funções é estar assessorando os clientes e alertando-os para a situação contábil de seus negócios. Certa vez, eu liguei para um cliente – um grande empresário do ramo de água mineral – e fui dar-lhe a notícia que os seus ativos estavam com uma boa liquidez. O cliente disparou a seguinte coisa: “Eu não quero saber da qualidade de minha água e sim como andam os meus negócios”.

Letras que podem ser musicadas!




Só há uma coisa que me faz sair de casa é um ovomaltine gelado no Bob’s e como tudo que é bom, sempre peço o maior. “O néctar dos bem-aventurados” nesse domingo, dia 18 de Novembro, quando saboreava aquela delícia tive um estalo de inspiração e compus uma música simplória, homenageando o melhor “milkshake” do mundo:

A VIDA COM SABOR DE OVOMALTINE

Tudo que é bom
Tem sabor de chocolate
É gelado
É cremoso
Cabe num copo
E é gostoso

Não fique assim
Com a vida sem sabor
Não desista
Não desanime
Beba a sua vida
Com sabor de ovomaltine

Refrão:
Eu quero na vida
Algo que me turbine
Eu quero a vida
Com sabor de ovomaltine.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Co’o Renan ou sem Renan
O Brasil tem que avançar

É preciso uma faxina
No congresso nacional
Acaba co’o vendaval
Que tanto nos azucrina
Retirar essa cortina
Que só faz nos ofuscar
É preciso denunciar
Esse bando de tantã
Co’o Renan ou sem Renan
O Brasil tem que avançar

Bota todos na cadeia
Com sopapo e cacetada
Todos de boca calada
Sem o café, almoço e ceia
E todo dia mete a peia
Pro caboclo se alembrar
Que se um dia ele roubar
Grande vai ser o seu afã
Co’o Renan ou sem Renan
O Brasil tem que avançar

UM ABOIO

CONFISSÕES DE UM PEREGRINO ABOIADOR


Minha peregrinação é lânguida, mas tão saborosa quanto uma coca-cola gelada. As pegadas que marquei nesse chão parcimonioso contam por si só minha história. Os olhos negros guiam-me misteriosamente por caminhos que parecem claros, mas a sua claridade ofusca a verdadeira clareza que há. Por diversas vezes degustei desse solo: piçarra, argila e areia, em cada canto há um gosto novo de terra. Traguei os venenos e os antídotos misturando o jeito agridoce de viver. E foi isso, eu vivi. Entreguei-me ao imprevisto que previsivelmente será tecido pelas mãos de Deus, peguei carona, dormi no chão, comi de tudo e muitas vezes nada comi. Só assim percebi a pequinês de um mundo gigantesco e como eu um grão de areia errante, carregado pelo vento da audácia, tinha conhecido a parte mais minúscula do micro-planeta Terra. As alpercatas que cobriam meus pés da nudez morriam pelo caminho como se a sua única de viver fosse andar até soltar as tiras e desgastasse com o tempo.
Minha peregrinação é lânguida, mas tão prazerosa quanto uma ejaculação. E essa sensação é que fazer ter a certeza que eu nasci para caminhar sobre a face desse planeta.

Um dedo de prosa dentro da poesia

ACAMPANDO NA ESSÊNCIA DE TREMEMBÉ

Quero ser devorado pela brisa de Tremembé
Debulhar toda minha fé nas ondas desse mar
Jangada, balsa, canoa, proa, convéns e escaler
Agasalhar-me na areia-mulher, buscando pensar


Um novo jeito de festejar a vida como ela é
Ou como ela está, quero ser a maré desse mar
Do mar que se debruça fêmea em Tremembé
Um Tremembé que pinta o quadro do meu olhar

Fazendo-me sonhar com imaginável
Fazendo-me cantar sem melodia
Trocar a noite pelo dia

Escrever o que é ainda indescritível
Contentar-me mesmo na agonia
E percebe o que ainda é invisível.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

UM ABOIO

Tudo ali se resumia a um corpo estendido por sobre uma “cama-box”, um corte profundo na altura da jugular que ainda minava sangue. O braço direito ligeiramente curvado cuja mão segurava um pedaço do espelho e outro braço esticado com a mão aberta. Ventre para cima, olhos abertos, boca fechada e a cabeça totalmente inclinada para o lado da janela, como se desejasse enamorar os arranha-céus. Sobre o criado-mudo meio copo de uísque importado, várias pontas de cigarro no cinzeiro, várias fotos da cidade e uma carta de despedida que se resumia a seguinte frase: “entregar-se ao suicídio é estar disposto a lembrança ou ao esquecimento”.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

Um oceano de magma banha-me a alma
Dissipa-me toda a couraça incorpórea da falsa cristandade
Posso ver minhas asas de cetim, já não mais o casulo
Bebo todos os absintos, provo de todos os céus
Encaro todos os infernos e nem todos eles são quentes

Sem essa falsa cristandade chego a Cristo sem burocracia
Formalismo, protocolo, floreado ficam para os incapacitados
Para os que não são dotados de poderes divinos
E buscam contentar-se com a burrice cientifica que têm.

Um dedo de prosa dentro da poesia

O meu reflexo numa água de cisterna
A minha vida trafegando no sertão
Tudo perfeito e compondo a paisagem
Foi Deus quem pintou essa imagem
Na tela móvel do meu pobre coração

Mandacarus vigiando o mormaço
E o sol a cintilar nas minhas pupilas
Meus pés a Portinari deixam risco
Na face seca de um chão arrisco
Que me banha com a sua argila.

Minha terra é tão psicodélica
Distorce o real como cera de vela
A estiagem é pintada a dedo
Sem lápis, tinta, pincel e segredo
E os olhos do meu povo são as telas.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Letras que podem ser musicadas!

SEU ZABUMBA DE AMOR.


Ó meu amor, eu tou ficando louco
E é tão grande sufoco
Se eu não te vejo
Fico assim, tão maluco, adoentado
Sou um pobre apaixonado
Que tá doido pra te ver (bis)


Não faz assim, comigo não
Não me maltrata
Como um zabumba num baião

Ó meu amor, eu quero tua mão
Te levar pro meu sertão
Esse o meu desejo
Quero também te fazer muito feliz
Isso é o que sempre quis
Ser todinho pra você (bis)

Não faz assim, comigo não
Não me maltrata
Como um zabumba num baião

Ó meu amor, vem pro meus braços
Que eu já bem cabisbaixo
Sem o teu o amor
E vou morrer se não tiver teu beijo
Esse o meu desejo
Que eu quero com você (bis)


Não faz assim, comigo não
Não me maltrata
Como um zabumba num baião.

UM ABOIO TRISTE

Amigo de Bairro; Amigo de Sangue. Meu Adeus ao Marcelo!

Um retrato mnemônico ainda preserva as cores e esconde-se por entre o emaranhando de neurônios do meu cérebro, no intuito de manter-se vivo e não ser devorado pelo monstro do esquecimento. Na minha tão paupérrima infância, ele estava ali... nunca fomos amigos tão chegado. Mas éramos do mesmo bairro e de certa forma compartilhávamos a mesma miséria. Eu era da Rua 2 que era primeira via do conjunto habitacional e ele era da Rua 1 a segunda, um paradoxo assim como tudo que é bom e poético. Tivemos uma educação diferente. Eu me restringi aos livros e loucuras indescritíveis aqui e ele batalhou e cresceu na vida como um brasileiro que nasce sem muitas perspectivas, mas com uma monumental vontade de viver. Seguimos caminhos adversos, porém análogos em um sentido; a honestidade e a decência, sobretudo ele. Eu ainda posso tropeçar pelo caminho, ele já não corre esse risco.
Marcelo é mais para se tornar um número (as pessoas depois que morrem viram números estatísticos) nos índices que entopem nossas cabeças. Para mim, era uma pessoa íntegra, um jovem que galgava seu caminho com retidão e respeito. Com o consentimento da mãe, os seus órgãos foram doados para amenizar a fila de espera pelo transplante de muitas pessoas. E até na morte Marcelo dá uma lição de vida para todos nós.

Um dedo de prosa dentro da poesia

Mais um fragmento de minha infância
Desprende-se do mosaico do meu ser
É mais uma pessoa que encerra seu ciclo
Deixando-me a contemplar os mistérios da morte.

Os meninos da minha rua estão morrendo
E eu também desfaleço ao lado de cada um deles
Qual será minha hora ou hora de mais um amigo?
Meu sertão é um cemitério de lembranças embalsamadas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

UM ABOIO

MEU SALVE AOS PERSONAGENS DA COMÉDIA URBANA
Até para um pseudo-urbano como eu, às vezes morar na cidade grande têm seus momentos lúdicos e de completo relaxamento. Surgem diante de nossas retinas, personagens da comédia urbana que nos arranca o seu sorriso, mesmo quando ele está retido pelo stress de um fim de expediente. São figuras que sofrem do mesmo mal urbano e por vezes mais degradante, mas que num surto de ousadia distorcem o marasmo citadino, expressando uma felicidade escondida dentro da alma como um antídoto para não esmorecer diante de tantas adversidades. Eles não são poucos e estão espalhados por todos os lados. Eu, como um pescador de personagens, divirto-me com esses fulanos, fazendo os seus espetáculos por toda parte, gratuitamente. A cidade é um inferno de asfalto e concreto vestida de monóxido de carbono que ao som de seus ruídos inconvenientes, devagarzinho devora a sanidade de qualquer pessoa que se entrega ao seu ritmo e tempo. Essas figuras que se atrevem a burlar o stress e negar uma posição de marasmo são focos de resistência; verdadeiros revolucionários, cuja causa é contagia o maior números de pessoas com atrevimento de ser alegre. Num mundo completamente sem graça, sério, engravatado e cínico. A alegria passa a ser um artigo de luxo, com a vantagem de ser distribuído de graça tanto no varejo quanto no atacado, mesmo quando os sem-graça torcem seus narizes diante do comportamento desses personagens da comédia urbana, por incrível que pareça a alegria não se desfaz e nem diminui. Ai! da cidade grande que não tiver seus persongens, as suas figuras emblemáticas que entorpem as ruas com seu riso desdentado e lindo, certamente, estará fadada a um suicídio em massa.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Letras que podem ser musicadas!

Aratu, caranguejo, siri
Siri, caranguejo, Aratu

Aratu, caranguejo, siri
Siri, caranguejo, goiamum

Nação Caranguejo, é ô
Nação Aratu, camará

Nação Caranguejo, é ô
Nação Goiamum, camará

Eu vou pro mangue e não volto nunca mais
Beber água e tomar lama, no fundo dos manguezais

Eu vou pro manguetown
Eu vou caçar urubu
Eu vou pro manguetown
Eu vou caçar urubu.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

Mais um trago de haxixe
E a fumaça preenche a minha história

Mais uma dose de absinto
E me sinto flutuar na memória

Mais um prato de ódio
E me encaro mais humano

Mais uma injeção de nicotina
E algo descortina aqui por dentro

Mais um soco de poesia
E eu renego todas as drogas
E louvo uma vida alternativa.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

UM ABOIO

QUERO A CULTURA DE PAZ!

No mínimo sorumbático. Ultimamente, as pessoas andam buscando a cultura da barbárie, sobretudo os citadinos que moram nos grandes centros urbanos e capitais, e entre os jovens essa procura é ainda maior. Os grandes centros urbanos, como Fortaleza, dispõem facilmente de lojas que propagam vergonhosamente essa cultura, contribuindo diretamente com os altos índices de violência na juventude e conseqüentemente no meio social. Os punhais, soqueiras ou manoplas, insígnias sinistras que por si só transmitem a violência e filmes de duelos de vale-tudo são mercadorias ao alcance de qualquer um. Particularmente, eu vejo tudo isso com bastante desconfiança e creio que o governo e as autoridades com força de política deviam desinibir tal comércio. Andei freqüentando espaços desse tipo e fiquei estupefato em perceber a diversidade do horror, uma visita inocente e você sai daquele antro um verdadeiro matador. Além disso, pude ver uma geração toda fascinada com aqueles produtos quase numa sensação de êxtase. Hoje ser bárbaro é estar na moda, é seguir a tendência de um mundo estúpido e irracional. Sinto-me quadrado; um estranho no ninho. Nunca aprendi a brigar, evito por medo entrar em confrontos violentos. Não nego, cultivo o medo, sou fraco e um degradado dentro de uma sociedade belicosa.

Ao perceber essa tendência incontrolável pela cultura de barbárie, lembro-me da filosófica nietzschiana que já tratava desse assunto com maturidade. Hoje todas as vertentes sociais falam de violência com maestria, metem o bedelho nesse assunto, despejando suas criticas e seu inconformismo. Contudo, muitas dessas vozes são pais que até estimulam essa cultura de barbárie que iguala o negro pobre da favela com o branco da classe alta, independente de suas condições sociais. Ataca o problema da violência que está ligada umbilicalmente à insegurança não se dar apenas através de transformações sociais profundas como educação, saúde, distribuição de renda e/ou trabalho. Se fosse uma questão social, não haveria meninos de classe média e alta propagando a violência. As transformações não devem ficar simplesmente no campo sociológico, temos que transpor! Transformar o campo cultural e psicológico. Encarar a violência de frente, mergulhando fundo nas relações sociais dentro e fora das famílias, decepar a cultura de violência e enaltecendo uma cultura de paz. Creio que se começarmos por esse caminho, dessa forma, poderemos realmente principiar uma mudança constante e definitiva na erradicação da violência, promovendo a paz na sua mais bela expressão.

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Eu risco meu traço por dentro do vento
Nas dunas, falésias do meu Aracati
Que tem cheiro e gosto do bom murici
Que aduba com rimas o meu pensamento
Escrevo meus versos a todo o momento
Não tem tempo ruim para se versejar
Meu canto estridente é raiz milenar
De um povo que é feito de toda mistura
Que faz sua história com arte e cultura
Cantando galope na beira do mar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

Soneto aos Políticos



O lábaro sórdido da hipocrisia está hasteado nos teus olhos
Quem tateou tua forma, dando-te uma vida dentro das sombras?
Quantas mentiras e embustes adornam tuas frases no púlpito?
Que elementos sombrios compõem o teu corpo e tua mente?

Ah é este ser tão delinqüente que tem foro privilegiado
Um pseudopaladino que labuta em causa própria
Arauto da promiscuidade política e da corrupção
Quantas vidas hão de ser ceifadas para te enriquecer?

Minha vontade é praticar um homicídio qualificado
Fragmentar cada centímetro do teu corpo sadio
Beber teu sangue podre num cálice sagrada e brilhante

Enterrar-te numa imensidão de fezes e carniça
Decepar-te lentamente com toda a crueldade
Saciando assim a vingança da minha nação.

Um dedo de prosa dentro da poesia

Como um Édipo desvairado
Queria perfurar meus olhos
E entregar-me ao acaso, como um beatnik

Queria um trago de haxixe
Peidar na boca pros que são chiques

Como um Nero ensandecido
Queria incendiar todo um país
Enquanto toco minha harpa desafinada

Ah que vontade de vagar por aí
Com um desejo de fazer nada

Como um Zumbi de Palmares
Recriar meu próprio gueto
E sonhar com meu país: o meu país

Ensaiando os primeiros brilhos
Brilhos de um povo feliz.

sábado, 3 de novembro de 2007

UM ABOIO

Dicas de Auto-ajuda:

Se você quiser chegar ao sucesso, primeiro busque-o. Não perca tempo lendo livros sobre como chegar ao sucesso, certamente através deles você não chegará!

Se você busca livros de auto-ajuda então, antes de tudo, auto se ajude!

Quer dinheiro fácil e sucesso rápido, escreva um livro de auto-ajuda. Diga cinco ou seis frases óbvias e subjetivas, três ou quatro ações impossíveis e no resto livro faça o tradicional “encher lingüiça”.

Dialógos Cordelescos

Eu tenho nas mãos uma nave de chumbo
Que corre veloz igualmente a nambu
O seu combustível é mel de chuchu
Que vem misturado com grãos de mofumbo
O corpo da nave parece co’um bumbo
A Nasa tá louca querendo comprar
Mas eu não sou besta, só quero alugar
Co’a grana que ganho coloco no banco
Só vou sossegar com Tio Sam de tamanco
Dançando na pista pro povo mangar.

Letras que podem ser musicadas

ANDARILHO

Quantas pedras há no caminho para se esquivar?
Quantas sandálias são precisas para caminhar?
Não quero saber do fim
Há outras estradas em mim
Que eu preciso atravessar

Cada artéria é uma estrada
Que me leva ao coração
Minha vida é uma mistura
Do real sem sal e sal com ilusão
Do real sem sal e sal com ilusão.

Quantas mãos são necessárias para ajudar?
Quantas bocas eu preciso para escutar?
Não quero seguir sozinho
Quero ser o próprio caminho
Sem um ponto para chegar

Cada membro é uma seta
Que aponta para uma direção
Minha sombra de andarilho
Que só vivem em transformação
Que só vivem em transformação.

UM ABOIO

A boca ressequida roga-lhe no silêncio do quarto um cálice de cicuta, talvez para saciar uma sede da alma. Já não lhe importa as coisas imagéticas ao seu redor, não se conformava com seus contornos citadinos e a cruz de axiomas que caleja seus ombros. Ansiava a cicuta numa cerimônia inaudita, cujos olhos encharcados comandem o ato. Queria o amargor da cicuta por sobre a língua e obedientemente descendo pelo esôfago para destruir cada célula que compõe o “eu”. Seu “eu” pronome pessoal paradoxalmente impessoal, covarde, facínora e que se ocultara nas diversas máscaras que mundo lhe vendeu, havia se cansado das “verdades” e sonhava saborear as “mentiras”. Uma vida entregue ao vácuo, mesmo rodeado por um turbilhão de coisas. Seu “eu”, a vida inteira, prefiro drogar-se com a inépcia cientifica dos abutres catedráticos. Entre o antídoto da razão e a cicuta da poesia... A razão seduziu-lhe com um discurso bem polido, usando-se de axiomas, cujos seus alicerces eram tão inseguros quanto os castelos de areia na beira do mar expostos a maré alta. Renegou os anseios da alma pelo simples fato de haver paradoxos com a razão. Quantas vezes a cicuta esteve ali e ele a renegou obedecendo a uma ordem vigente, que a desordenava como ser humano. No decorrer da vida fora agraciado com os títulos, comendas e diplomas que lhe empanturram o ego e lhe amofinou o espírito. Hoje enjaulado num paletó opaco e asfixiado por uma gravata de seda, deseja vomitar o antídoto e provar por um instante a cicuta, sentir o amargo numa vida deveras doce. Divorciar-se da “verdade” e fornicar com a “mentira”, mergulhar no pecado como um porco que se lambuza numa poça de lama. Esquivar-se do sucesso e beijar na boca do fracasso, sem medo de encará-lo.
A sua boca sabia que beber um cálice de cicuta era algo fatalmente nova, a sua vida seria extirpada em minutos e sua alma iria transcender com espasmos mais intensos do que o prazer de uma trepada.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Dialógos Cordelescos

Cabeça de prego, nariz de martelo
Esmola pro são, trabalho pro cego
Se eu falo que “sim”, na verdade lhe nego
Perdendo o cabaço me torno donzelo
Na casa de taipa refaço um castelo
Devoro o dragão que se fez pro jantar
Jantando a comida que fiz pra almoçar
Almoço que é feito pro início do dia
Quem quer tomar banho que traga bacia
No lago barrento que corre pro mar.

Eu vejo no fundo dum lago barrento
Um peixe pitando o cigarro da vida
E o mundo pagão disputando corrida
Na linha tão curta do meu pensamento
Se vejo um humano, prefiro o jumento
Escrevo no chão com tintura solar
Com pó das estrelas que se pode achar
No ventre ferido do solo de Plutão
Que fica vizinho aos confins do sertão
Bem perto da casa naquele lugar.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

...

No mar de Canoa, minha balsa de verso
Navega sozinho no brilho da lua
Na rima vestida da mão seminua
Que toca e dedilha, tecendo o universo
Na viola brejeira não fico disperso
Eu canto e replico no meu improvisar
Não há nesse mundo que saiba cantar
Que siga meu siso em qualquer desafio
No verso e na rima sou porca no cio
Cantando galope na beira do mar.

Um dedo de prosa dentro da poesia

A MAGIA DA MÚSICA

Não importa a nota
Não importa a música
Não ligo para acústica
O que importa é a força
A energia e a forma
O jeito que ela te toca
Transforma
Em vibrações melódicas!

Um dedo de prosa dentro da poesia

Espatifaram meu cálice
Beberam meu vinho
Rasgaram o meu linho
Não querem meu ápice
Ninguém derruba meu vôo
Ninguém induz o meu choro
Ninguém estraga meu riso
Coragem é o meu apelido
Vontade é a minha maconha
Já não me visto de vergonha
A vergonha eu jogo no lixo
Sou eu que faço meu estilo
Sou eu que canto o meu canto
Às vezes profano e santo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

Há algo de novo nos olhos do velho
Há algo de velho nos olhos do novo
Há uma força recôndita no corpo do povo
No corpo do povo há um imenso país
Um país que sonha e estrangula a sua raiz
Há na raiz um outro país
Negro
Mulato
Ibérico
Indígena
E um pedaço de cada quinhão do nosso planeta
Rico
E esquecidos
Pelos os que fazem um outro país
Que deverás desconheço
Desse Brasil, não sou brasileiro!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

Na linha hirta da sobrevivência
Eu vou cantando o samba
Da Divina Providência

Deus é quem sabe, só Ele vai saber
O que no meu presente, passado e futuro
Tudo que pode acontecer

Tenho as armas de São Jorge!
As bençãos de Iemanjá!
Minha guia é Nanã
E a proteção de todo orixá!

Na linha trêmula da sobrevivência
Equilibro-me com o apoio da vida
E os aplausos da minha paciência

Cada luta que é vencida
Fortaleço a minha consciência
De que um dia eu hei de ser feliz
Nem que tenha que cantar bis.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

UM ABOIO

Jaguaruana - meu apelo

Meus olhos vêem além do que se pode observar, não me entorpeço com alucinações imagéticas que abstraio de símbolos manipulados. Ponho o ouvido no tórax da minha cidade e ausculto uma respiração debilitada e os estalos de ossos frágeis. Jaguaruana esmorece no colo do atraso, suas forças esvaem-se quão a acetona ao léu. Ninguém ouve as queixas de uma cidade adoecida a beira da morte. Os filhos dessa cidade seguem como gados num matadouro, conformados e inseguros com o que há no fim do corredor. Busco ver e ouvir os filhos que vão mudar seus percursos e negar essa condição deprimente. Resgatar a minha cidade dessa situação, dando-a ares novos e não este que anda poluído com a promiscuidade política.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

VOMITANDO ZÉ LIMEIRA...


Andando descalço, eu percorro ligeiro
Nepal, Argentina, Brasil, Istambul
Navego num trem que descamba no sul
Eu desço em Icó, meu reduto estrangeiro
Eu fico na frente, mas sou o derradeiro
Eu sou dos confins do torrão Mianmar
Não sei pra que lado que fica o lugar
Só sei que não sei, mas eu hei de aprender
O que não se escreve e nem dá para ler
Na escola da vida que eu pude estudar

Capítulo de Novela

Parte 1 - "O encontro"
Quinze minutos haviam se passado e nem sinal. “Não acredito que ele esqueceu” disse em pensamento ao olhar o relógio na parede. Primeiro de Agosto de dois mil e sete, depois de um certo tempo conversando formalmente no ponto de ônibus, que sempre se encontravam no começo do dia, surgiu ali uma coisa nova em dois seres que nem se conheciam. No começo olhares ingênuos colidiam-se naturalmente, pouco a pouco se tornavam constantes e menos ingênuos. Vieram depois interjeições formais: um oi e um olá, sem perder a intensidade dos olhares. Após isso foi um pulo para uma conversa, que todos os dias aconteciam e encerrava-se nos fins de semana, começando de novo só na segunda. Até que veio o convite: “aparece lá em casa, domingo tem futebol na tevê”, “Não sei, geralmente não saio aos domingos, gosto de relaxar”, “Tudo bem, desculpe-me a ousadia, a gente nem tem essa intimidade toda”, “Não se preocupe, eu até gostei da idéia, só assim eu diversifico meu domingo”, “Então, você vai?”, “Claro, a gente comprar umas cervejas e fazer uns tira-gostos, o que acha?”, “Eu sei fazer uns torresmos que são muito bons”, “Combinado, então”, “Combinado, lá vem meu ônibus, tchau!”, “Tchau”.

UM ABOIO

As minhas lágrimas são afluentes de um rio chamado: Saudade. Quais os contornos desse sentimento que nutro no coração? Que vontade incorpórea é essa de derramar meus desejos sobre um corpo. Um cigarro aceso, um cinzeiro, um cálice seco e a sede nos olhos. A bebida da saudade é o beijo e a bebida do beijo é a saliva. Sinto-me como Plutão distante, recolhido na frieza do silêncio, equilibrando-se a beira do abismo do esquecimento. Eu aceito o desprezo, mas nunca o esquecimento! Tenho calafrios só de pensar que um certo alguém me apagou de sua vida. É desastroso! O esquecimento é anulação da existência. E se esse alguém é quem amo, é como se eu fosse sepultado em vida.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

UM ABOIO PATRIÓTICO

PASSANDO O CÚ NA BANDEIRA! PASSANDO A BANDEIRA NO CÚ!


Prefiro limpar a bunda suja na bandeira do Brasil, alguns biltres pseudopatrícios irão acusar-me de crime de lesa-pátria. Mas o que é uma nódoa de merda na bandeira diante da grande roubalheira que se vive dia-a-dia nos confins de Brasília? Quer dizer que as autoridades públicas que juram diante de uma nação honrá-la em qualquer circunstância, defender a pátria e a bandeira (o salve lindo pendão da esperança) não estariam incorrendo no mesmo ato. Aliás, com um agravante, a nódoa qualquer sabão simplório elimina com uma lavagem... e a corrupção, quem consegue eliminá-la? Hoje em dia há uma inversão de jurisprudências (a inteligência jurídica no Brasil é um pouco tendenciosa) um ladrão de galinha tem um processo unilateral e sumário, enquanto que o magnata tem um processo moroso e cheio de detalhes supérfluos. Ao ver esses facínoras beijando a bandeira, seria bem melhor que ela tivesse suja de fezes... as fezes de nossa indignação!

Limpar o cú sobre a “ordem e progresso”, tornar-se-ia aquele slogan mais bem visto e condizente com um Brasil, cuja história foi fabricada para encobrir a enorme escatologia – patrocinada pelas elites - que sempre alicerçou todos momentos desse país. A merda é nosso maior patrimônio, às vezes por bem ou por mal.
Com tudo isso, deu-me uma vontade de ir ao banheiro e acho vou passar a minha bandeira no rabo. Fecha aspas e ponto final.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

AS VERDADES SIMBÓLICAS DO MUNDO


Cansei dos signos límpidos,
Arredondados, simétricos

Cansei dos signos divinos
Diabolicamente inventados
Para suavizar a estupidez
De quem não gosta
Da verdade

A verdade é feia, desdentada
Tem halitose e é trôpega

A verdade é como cachaça
Que queima a garganta
De quem a tomar num gole

Cansei da verdade almofadinha
De paletó, gravata e calça de linho

Cansei da verdade destilada
Pronta para não ferir e nem matar

Essas verdades simbólicas
Não passam de alegorias diáfanas
Num carnaval sanguinolento
Da prepotência e da vaidade.

Um dedo de prosa dentro da poesia

ARACATI (UM CURTO RELATO)


Aracati é o reduto das minhas fragilidades
É o lugar em que queimo todas as vaidades
No brilho ardente de um bagulho proibido
Aracati expressão dolorosa da minha libido
Aonde ejaculo o esperma da minha arte
Aracati baluarte da história, da minha história
Que escrevi, li e esqueci a minha parte.

UM ABOIO

MONOLOGO AO MEU CORAÇÃO
Ah! Esse pedaço de carne que bombeia meu sangue pelo corpo. Quem te vi, quem te vê! Se antes era vagabundo, imprudente e despudorado, hoje em dia vive trôpego pelos cantos, embriagado por sentimentos ocultos e paradoxais. O que será que aconteceu, hein coração? Torna-se um covarde e em um ato de traição declarada renega as vontades do resto do corpo? Ah! Coração rebelde que jogar sobre mim todos os males do mundo. Sinto-me como um estrupício, o mais baixo ser de toda a face da terra. Meu coração já não me aceita e para me castigar joga sobre mim o remorso, a consciência pesada e todo qualquer sentimento que me deixa minúsculo, tão minúsculo quanto o átomo. Se não foste tão importante, podia ter certeza que o jogaria fora, incinerando-o na primeira fornalha que avistasse. Mas está atrelado a minha vida e sem ti, eu não existo! Meu Deus, o que fazer?
Como ouvir um coração que não consigo decodificar sua linguagem latejante? Encontro-me surdo e ligeiramente cego. Escoro-me em falsas verdades e doces hipocrisias... busco fugir das minhas responsabilidade nos braços cálidos da estupidez, mas sempre bato o rosto contra o muro e choro as futilidades que eu mesmo criei. Ó coração despótico como antes era fácil ser homem, vivia a flutuar numa liberdade lúbrica sobre um céu que pensei desenhar com as minhas próprias mãos. Tudo era um embuste, passei parte da minha vida fugindo do inevitável, gastando meu tempo com as verdadeiras drogas mundanas. Não estou arrependido, isso não! Apenas busquei meus desejos em aventuras vazias e sórdidas. Meu coração hoje calejado de tudo isso, implora uma decantação... é preciso reconstruir minha essência humana e tratar de por em prática a missão para qual vim ao mundo. Mesmo não sabendo ao certo que missão é essa. Melhor ainda, quando não sabemos a missão fica melhor a vida, assim não temos a noção que nossa missão chega ao fim. Podendo criar novas e mais novas missões. Diante de tudo isso, busco discernimento para compreender esse pedaço de carne que pulsa aqui dentro e que tantas vezes esqueci que tinha um.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

Ao Grande Paulo Autran



Há naquele proscênio uma tristeza
Avivada pelas luzes da ribalta
Já não vejo o olhar da alteza
Só percebo ali a sua alma peralta

A energia de sua arte e seu talento
Embriagar-me com uma saudade retida
Busco devorar aquele momento
E apagar de mim aquela partida

Ó Paulo, não se vá sem minha reverência
Não me deixe sem um “até a vista!”
Sei que o homem morre, mas não o artista!

Então viva, viva na minha consciência
Amparado pela grande luminescência
De sua capacidade deverás pluralista.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

Teu escarro me excita
Adoro aquela excreção amarela
Que sai de tua boca
Tenho vontade de beijá-la
E sugar tudo aquilo de uma vez
Ó néctar que chamam catarro
Ah como eu me amarro
Na tua composição
E da forma em que é expelido
Eu fico assim... estremecido
Quase tísico de paixão!

EXTRA! EXTRA!

Recebo com muito entusiasmo a informação que foi publicado no dia 06.10.2007, no Jornal O Povo precisamente no suplemento "Jornal do leitor" o soneto em homenagem a Eduardo Campos. Sinto de alma lavada por render essa justa homenagem. Quem quiser averiguar a informação pode clicar no link a seguir: http://www.opovo.com.br/opovo/jornaldoleitor/733923.html


Salve, salve Eduardo!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

VOMITANDO ZÉ LIMEIRA


Sou lasca de pau que foi feito de argila
Pandeiro de couro que toca uma valsa
Princesa Isabel que requebra na salsa
Menina bonita que vira gorila
Sujeito sozinho pegando uma fila
A fome tirana que faz engordar
É tanto o mormaço que vou congelar
Eu hei de fazer minha cama no mundo
Sonhando acordado num sono profundo
Tocando forró lá na beira do mar.

Um dedo de prosa dentro da poesia

SONETO DA VERDADEIRA FACE!


Chegarei montado sobre correntes de ar
Depois daquela tempestade de verão
Hei de vir vestido de paletó açafrão
Tão radiante quanto o sol a iluminar

Degustarei seu segredo e sua tentação
No prato imagético que não sei precisar
Serei o seu palco de arte e de ilusão
Um inteiro pela metade para completar

Sou pusilânime num corpo puro
Meus beijos são doses de cicuta
Não passo de um filho da puta

Cretino, cafajeste, um sem futuro
Que da mentira se desfruta
Perpetuando o seu lado imaturo.

domingo, 7 de outubro de 2007

UM ABOIO

Eu comi Kerouac


Eu nasci emergido em um líquido amniótico do movimento beat, apesar de não ser tão velho assim. Quem nunca teve vontade de se desvencilhar do seu meio social, entregando-se ao doce sabor do imprevisto. Talvez algumas pessoas vão dizer que não, porém sei que muito já pensaram nisso pelo menos na juventude. Quero dizer de antemão que nunca li nenhum dos autores beatniks, não tive o prazer de decifrar sua literatura tão primordial para o “boom” na cultura mundial. Mesmo sem essa noção segura do movimento, eu sentia no meu sangue o estilo beat e aquela vontade de não me ater a uma vida fechada e nocivamente calma. A estrada chamava-me quase em tom hipnótico. Não confundam! Esse sentimento não era unicamente sair pelo mundo a pé com as centenas de “sem-rumos” que transitam por aí. Eu queria mais, queria conhecer a Rota 66 que havia dentro de mim e que por preguiça urbana eu a havia esquecido. Posso afirmar também que não busco me inserir nesse movimento, mas que havia dentro de mim esse movimento isso eu tinha certeza!
Os itinerários que já fiz na vida, não se comparar com os dos escritores do movimento, mas tive sensações análogas. O sabor exótico de pôr literalmente o “Pé na estrada” não era simplesmente com intuito de aventura, era busca do conhecimento que era banida das escolas e universidades. Além disso, as cidades haviam abnegado-as, empurrando-nos para uma condição conformista da realidade. Uma tentativa de se encontrar! Todos nós temos um pouco de beat dentro da alma, a vontade subverter o padrão e de expressar a essência de nosso ser. E essa sensação para mim é afrodisíaca, um tesão incontrolável de enrabar Kerouac e seus companheiros, abstraindo todas as suas energia literais.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

UM ABOIO

O GRANDE TRUNFO DO ESTADO: A HIPOCRISIA ESTATAL



A carga tributária nacional abocanha aproximadamente 37% do PIB, configurando-se no maior fado que os brasileiros têm que carregar durante toda a sua vida. Uma reforma tributária em que se contemple a redução de impostos é algo tão distante quanto uma política isonômica de distribuição de renda no país. O maior entrave dessa conquista chama-se governo. O aparelho estatal brasileiro é como um viciado em droga que não tem força de vontade para largar o vício, as equipes econômicas (as verdadeiras autoridades que mandam no país) não conseguem amenizar os tributos por causa de um governo que gasta acima de seu limite orçamentário. A situação é caótica, cortar impostos é cortar regalias e qual governo está disposto a isso? Nenhum. A reforma poderá até vim, mas assim como o da Previdência vai apenas fazer um remendo no enorme abismo que está aí. Não haverá um governo que corte na própria carne em benefício dos seus cidadãos? Nenhum. Mas sabe porquê? Os nossos governos durante a sua cronologia histórica só foram bons em uma coisa: na hipocrisia! Todos defendiam a reduções de impostos, mas nenhum se expôs ao flagelo. A hipocrisia estatal é a única repartição pública que trabalha a todo vapor, seguindo corretamente o seu regimento interno e externo em contraposição dos demais setores dos governos. Isso possibilitou um desfiladeiro entre o discurso e a prática, o fazer e o está feito, a cobrança de impostos e a sua aplicação no meio social; e é nesse último caso quero me aprofundar mais um pouco no texto.
O Estado como a instituição maior de um país, busca regular e melhorar o meio social de seu povo. Os impostos, tributos, contribuições e taxas – cada qual com sua essência tributária regulamentada por lei, inclusive sua aplicação – são os elementos vitais para a infra-estrutura e o pleno exercício do governo para cumprimentos de suas obrigações constitucionais. A educação, a saúde, a segurança, trabalho, seguridade social e etc são deveres do Estado, financiados pelas arrecadações fiscais. Usando-se da lógica podemos presumir que os percentuais de nossos tributos são suficientes para arcar com as contas públicas, possibilitando ao governo cumprir seu papel na esfera social. Não havendo espaço para deformidades, negligências e ausência desses deveres, uma vez que os impostos são arrecadados para esses fins. Contudo, a hipocrisia estatal através de uma série de leis capciosas deturpa a governabilidade, prejudicando diretamente o povo. Cada vez mais o governo otimiza as formas de arrecadação e diminui os focos de sonegação, através até da Polícia Federal que já desarticulou uma centena de esquemas pelo território nacional, o crescimento das cifras devoradas pelo fisco atingem percentuais nunca antes estimados. Se isso seguisse uma linha de raciocínio, os serviços sociais deveriam está melhores e ampliados, mas a verdade é que a hipocrisia estatal não falha nas suas ações e esse excedente considerável desce pelo ralo da corrupção, da incompetência e, sobretudo, da desvinculação de seu papel no meio social. O governo deixou de ser um poder público para ser o “salva-vidas” do setor privado, concedendo privilégios aos poderosos e magnatas internacionais.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

No mar azulado, surgiu Caravela
Singrando veloz, ancorou nessa América
E trouxe pra gente a herança ibérica
Do bardo cigano de vida singela
Cantando nas vilas, cantiga tão bela
Com versos perfeitos se punha inventar
Trazendo notícias de todo lugar
Pro povo tão pobre daquele reinado
Assim foi descrito do tempo passado
Cantando galope na beira do mar.

Porém há quem diga que há outra origem
Quem vem dos costumes do clã mulçumano
Não sei se é verdade ou terrível engano
A origem é incerta, há muita “fuligem”
Deixando de lado, a verdade e a vertigem
Eu vou de mansinho no meu versejar
Trotando na linha do que é popular
Eu falo duma arte tão pura e bacana
Que é linda, robusta, viril, soberana
Cantando galope na beira do mar.

Palavra cosida no verso repente
Faz rima correta na estrofe divina
Pintando a poesia de raiz nordestina
Jorrado da boca no tempo presente
Na vida terrestre não tem quem invente
Cultura tão linda, um valor singular
Se a gente soubesse que é bom preservar
O canto berrante de dois cantadores
Que cantam a vida com todas as cores
Cantando galope na beira do mar.

DIÁLOGOS CORDELESCOS

A lira cabocla suspensa na corda
A viola moleca e o cantor repentista
O coco de roda, o ganzá e o coquista
Cultura fecunda que é posta na borda
Que sofre o desprezo de tão grande horda
Que vive em Brasília somente a roubar
É tanto ladrão que faz pena contar
Fazendo a cultura tornar-se pequena
Na base da força tirada de cena
Cantando galope na beira do mar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

UM ABOIO

Dei-me um barril de pólvora e hei de explodir toda essa falta de bom senso que se ver desfilar nos bastidores de Brasília. Terrorista, eu? Seria mais cabível me chamar de Salvador da Pátria (Ultrajada! Salve-a!). Posso até está excedendo nas palavras, mas quem nunca pensou em dinamitar Brasília e acabar com esse câncer político? Hoje em dia a crise de representação política sofre de um enfraquecimento hediondo, estamos chegando a ponto de que os anseios populares são alardes que os representantes políticos fingem não ouvir. A palavra democracia toda hora é invocada para limpar ou tentar legitimar a pocilga parlamentar e governamental, e nesse ponto a crise de representação cresce ainda mais. Ultimamente, sinto-me sozinho, o Estado tem tomado corpo próprio; vontade própria. Minha opinião passou a ser coisa supérflua na estruturação ou melhoria da máquina. A verdadeira governabilidade do povo desceu pelo cano de descarga e ainda somos obrigados a pagar as orgias dos políticos. Sinto-me exaurido, meus direitos são postergados, meus deveres são cumprido ao quadrado e ainda tenho ter paciência: Por que o Brasil, está mudando ou vai mudar; política é assim; tem corrupção, mas melhorou muito. Ahhhh! Vão tomar no cu! Eu quero um país livre e não posso ficar esperando o bonde passar!

DIÁLOGOS CORDELESCOS

O rio do tempo é quem move a história
E o gesto humano é quem molda o momento
Usando o poder que tem seu pensamento
O homem transforma qualquer trajetória
Escreve co’as mãos no livro-memória
O rastro de vida que lhe é singular
Costume, cultura e o que for salutar
Compondo uma forma bem mais soberana
Sem arte não há nem a raça humana
Cantando galope na beira do mar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

Galopando na Cultura


O nosso Brasil sem o rumo e a visão
Perdeu na história o que há de valor
E deu sua riqueza na mão do opressor
Jogando no lixo o saber da nação
Negando o seu jeito e o que há nesse chão
Herança e cultura de cunho popular
Os muitos valores do nosso lugar
São bases robustas de nossa memória
O berço humano de toda história
Cantando galope na beira do mar.

Quem segue o que digo na lira cantante
Vai ver a verdade no verso e na rima
Eu canto em tom baixo co’a voz lá pra cima
Pra ouvir o meu som quem tiver bem distante
No verso, eu descrevo o que for importante
Debato o problema, me ponho a pensar
Aponto o que é errado, tentando ajeitar
Assim vou seguindo na linha da lira
Meu canto na noite de prata delira
Cantando galope na beira do mar.

Letras que podem ser musicadas!

UM POP DEMOCRÁTICO PARA MIANMÁ

Se Mianmá é bom
Se Mianmá é bom
Melhor ainda seria
Melhor ainda seria
Se lá houvesse a democracia

Eu não sou monge
E nem sou de lá
Mas quero nesse instante
Que libertem Mianmá!
Eu não sou daqui
Vivo em qualquer lugar
Os militares hão de cair
Nas terras tão belas de Mianmá!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

GALOPANDO NA CULTURA

Cultura da terra na mão dessa gente
Herança bendita que forma o Brasil
Que tira do povo seu estado servil
Pra dar liberdade no tempo presente
Que cuida da terra e que planta a semente
Da força sensata do que é popular
E no seu universo, eu hei de habitar
Na dança, no verso, na reza e no canto
Ascendo uma vela pra tudo que é santo
Cantando galope na beira do mar.

Meu nome é Brasil do sertão nordestino
Sou rastro ancestral que nasceu no sertão
A lenda indelével do boi barbatão
Mateus, Catirina, Cancão, Severino
Sou velho, sou moço, sou homem, menino
Que quer aprender e também ensinar
Virando um brincante que adora brincar
O frevo, ciranda, quadrilha e xaxado
Juntar numa roda o profano e o sagrado
Cantando galope na beira do mar.

O povo e a cultura dançando na praça
No rádio, na banca, na escola e na tela
No campo, cidade, edifício e favela
Folclore a granel, sendo dado de graça
E quando nossa arte tirar a mordaça
O povo vai ver o Brasil começar
Um novo país que veremos brilhar
No rosto sofrido de um povo feliz
Que ver a miséria, torcendo o nariz
Cantando galope na beira do mar.

Eu quero partir nosso pão de cultura
Co’o povo faminto de todo rincão
Eu quero a cumbuca de lira e feijão
O doce sabor de uma boa rapadura
Cozer a panela que faz a mistura
Da raça, da fé, do sabor e pensar
De tudo que leva uma gente a formar
Perfil singular que não há nesse mundo
O povo daqui certamente é fecundo
Cantando galope na beira do mar.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

SONETOS ERÓTICOS

CANTO QUARTO


Embriagados pela obsessão carnal
De devorarmos um ao outro na cama
Queria eu derrame-lhe meu prazer seminal
Diminuir ainda que pouco aquela chama

Ascendendo depois uma “marijuana”
Debruçando-me em um novo prazer
Aquela vontade lúbrica e insana
Na minha genitália fez-me reviver

Havia uma força imperceptível
Uma sede insaciável de amar
De permanecer ali indivisível

Um só corpo conjugando o delirar
Descrevendo com sons o indescritível
Que nem eu e nem ela sabem precisar.

Um dedo de prosa dentro da poesia

SONETOS ERÓTICOS


CANTO TERCEIRO


Reaparecia-me essa lembrança libidinosa
Sem que me revelasse àquela fisionomia
Perguntava-me: Quem era a Dama misteriosa?
Que juntos reinventávamos o termo orgia

O orgasmo vinha daquela nossa sinergia
Da vontade sudorípara e perigosa
Dos gritos “safado, puta e gostosa”
Do sorriso, do choro, do júbilo e da agonia

No chão, na cama, na rede, no mato
Não há espaço geográfico para o sexo
O desejo carnal não tem nexo

Não lhe cabe um controle exato
E cada um de nós é o reflexo
Do que fazemos naquele ato.

Um dedo de prosa dentro da poesia

SONETOS ERÓTICOS

CANTO SEGUNDO


Nossos gametas convergiam-se num ritual
Regrado a vinho, palavrões e carícias
Na cadência melódica e genital
Gozávamos todas as nossas impudicícias

A cada espasmo e ejaculação
Tecíamos no tempo presente
Uma teia complexa e latente
Que alguns batizam: paixão!

Sentia sua mão na minha genitália
Minha língua regava-lhe o mamilo
Sem pudor, sem noção e sem represália

Nossas loucuras eram abafadas pelo sigilo
Ocultávamos a nossa sofreguidão animália
Da prenoção exagerada de um povo-crocodilo.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

SONETOS ERÓTICOS


CANTO PRIMEIRO


Há uma fragrância intrínseca no ar
Adornando o ambiente com o passado
Há uma lembrança minha a ruminar
Cada fração de segundo contado

Não me vem nenhum semblante
Nem um retalho mnemônico
Que pinte na minha tela pensante
As feições daquele rosto canônico

Lembro-me somente do seu cheiro
Dos incandescentes lábios vermelhos
A refletir nos meus olhos; dois espelhos

Estávamos debruçados num braseiro
Colidindo os corpos e os pentelhos
Umedecidos pela água do chuveiro.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

UM ABOIO

O MEU GRITO DE ALERTA
O mundo é uma redoma invisível, onde estamos enjaulados e atrelados ao chão pelo campo gravitacional. Somos pássaros inócuos em uma gaiola com proporções planetárias, mesmo assim o mundo parece pequeno; parece nos espremer entre quatro paredes... Há uma sensação de claustrofobia ao mesmo tempo em que não conseguimos dominar e entender todas as arestas do globo. Diante de nossas retinas, tudo aparece agigantado. O mundo é um grande colosso completamente desconhecido, recôndito no que a gente mais ignora. Esse paradoxo dimensional do mundo deixa-nos confuso quanto as nossas limitações. Quando se tem uma visão atrofiada do mundo, nossas ações são miúdas por mais que haja uma intenção maior. O planeta Terra não se reduz ao quintal de minha casa ou a cerca elétrica do meu condomínio. As viseiras ilusórias devem ser extirpadas dos olhos de todos, já não há razão para acharmos que as coisas que acontecem no outro lado mundo não nos influenciam. Abracemos a teoria do caos, o efeito borboleta de um jeito benéfico, trazendo para si uma indagação: qual a minha responsabilidade nisso tudo? Não há fragmentação de atos a serem praticados, não se trata de fazer a sua parte, mas de fazer mais que o necessário! Se for necessário plantar mil árvores que se faça, porém não tenha a falsa impressão da sua parte foi feita. A nossa missão é perpétua, não existe a noção de dever cumprida, exceto com a morte.
Pensar um mundo pequeno acaba por provocar dentro da opinião pública a idéia de que se eu cuidar da minha casa, eu estarei fazendo a minha parte e poderei dormir sem remorso. As coisas não são tão fáceis assim, essa lógica terá que ser revista... Se o mundo é nosso, nada mais justo que todos nós o assumamos como de nossa responsabilidade. Mesmo que venhamos a dividir responsabilidades, cada um dos bilhões de ser humanos existentes responde solidariamente por tudo. A extinção ronda-nos como um fantasma a cada dia mais nítido, a vida está por um fio... e nesse momento não há culpados, mas sim responsáveis. Os recursos naturais estão ainda mais escassos, comprometendo assim a continuação de nossa espécie e de todas as demais. A convivência com sustentabilidade é a única forma de se barrar uma mortificação em massa, novas formas de reestruturar nossas áreas verdes, o replantio de espécies nativas concatenadas diretamente com seus respectivos ecossistemas, a redução drástica da emissão de poluentes e a desaceleração das indústrias poluidoras são alguns dos pontos que temos obrigação de implantar. Contribuindo assim com um mundo maior e menor ao mesmo tempo, desde que em ambos os mundos o ser humano possa viver dignamente

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

MORENA DO CURTUME

Quando a morena aparece
O sertão fica feliz
Cai a chuva naquele triz
A terra seca agradece
E eu fico pedindo em prece
A minha pobre santinha
Essa moça vai ser minha
Eu sonho com esse dia
Quero aquela companhia
Morando na minha casinha.

E quem vê seu rebolado
Que não é nada displicente
Que derruba a fé dum crente
Faz correr um aleijado
Um cego fica curado
Fica bem que passa mal
Um doido volta ao normal
Um magrinho cria sustança
Quando avista a sua poupança
Dançando no festival.

A morena é como o cão
Não deixa ninguém tranqüilo
Ela carrega um estilo
Com sabor de perdição
Ela como um cacimbão
Que não dar pra ver o fim
Ah se ela olhasse pra mim
Dando um pouco de atenção.

Não tem nego que resista
A morena do “Curtume”
O cheiro do seu perfume
Já me faz perder a vista
Fico perdido na pista
Como um rei que perde o trono
Feito um cachorro sem dono
Que vive de casa em casa
A borboleta sem asa
O solitário colono.

DIVINA COMÉDIA URBANA

INSÔNIA

As luzes dos postes são pirilampos que não piscam
Os ruídos dos carros, os gritos humanos e
o barulho dos sons mecânicos
completam uma sinfonia ensurdecedora
Que não deixa a cidade dormir

domingo, 23 de setembro de 2007

NOTA DE ESCLARECIMENTO

CPMF: UM ASSALTO A NAÇÃO!





A CPMF tem uma origem sombria como tudo que acontece nesse país. O seu preâmbulo partiu da criação do IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentações Financeiras) sob o amparo da Emenda Constitucional n.º 3, de 17 de março de 1993 e pela Lei Complementar n.º 77/1993, com uma alíquota de 0,25%, que acabou sendo derrubada pelo STF por ferir o Princípio da Anterioridade ( que diz que impostos não podem ser instituídos e cobrados no mesmo ano) e até hoje há uma batalha judicial para que o Governo faça uma ressarcimento aos contribuintes, deu o ponta-pé num tributo que até hoje tira a paciência de qualquer. Essa atitude arbitrária do governo foi tão facínora quanto o confisco das poupanças na Era Collor. Depois de toda essa turbulência, eis que surge a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras) na Emenda Constitucional n.º 12, de 16 de agosto de 1996 e pela Lei n.º 9.311/1996, com uma alíquota de 0,20%, com prazo determinado de 2 anos para o seu término e seu repasse seria exclusivamente para o setor da saúde. Lembro-me do Ministro da Saúde Abid Jatene quando propôs a CPMF e seu caráter provisório com o escopo apenas de contribuir temporariamente com saúde pública, sanando distorções e oxigenando um setor asfixiado pela inoperância governamental. O que a gente não sabia e nem, talvez, ilustríssimo Abid Jatene é que fomos vítimas de um estelionato. No dia 22 de janeiro de 1999, a CPMF deveria ter sido extinta como previa a Emenda Constitucional e pela Lei que tratava do assunto. Contudo, tanto FHC e Lula optaram por preservar essa contribuição e com um agravante. Ambos utilizaram-se de um mecanismo na administração pública conhecido como DRU (Desvinculação das Receitas da União), aplicando-o na CPMF. A DRU possibilitou ao governo usa o dinheiro da CPMF em outras áreas do governo como Previdência Social, Fundo de Combate à Pobreza e até nos cálculos de superávit primário, a meu ver aqui está o erro dos dois governos e que impossibilita a extinção da CPMF, correndo o risco de se tornar permanente! Essa burrada sem precedente, tornou a CPMF tanto importante como qualquer tributo que existe hoje.
Quando o incapacitado Presidente da República disse que nenhum governo pode sobreviver sem a CPMF, a culpa é somente do governo que não formulou mecanismos para acabar a dependência financeira dessa contribuição nas contas públicas. Porque nós devemos pagar a conta pela burrice e a negligência de nossos governantes? Isso não justo! E outra coisa quando o Presidente faz uma declaração estúpida dessa, ele está sinalizando com a imortalização dessa cobrança, haja vista que a CPMF tornou-se o band-aid para fechar as Contas Públicas. A Contribuição “Provisória” sobre Movimentações Financeiras é uma imposição covarde, pois seu foco de arrecadação é o contribuinte de baixa renda e o microempresário por causa do seu efeito cascata, ou melhor, efeito “Foz de Iguaçu”. E não achem que estou exagerando, pelo contrário, é até um eufemismo chamar de “Foz de Iguaçu” o efeito cascata dessa contribuição. A cobrança da CPMF está vinculada sobre impostos, taxas, contribuições, tributos, incidindo também na industrialização até o consumidor final. O brasileiro paga muito caro! Segundo estudos do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) se houver a prorrogação da CPMF só arrecadação per capita, ou seja, o valor que cada um brasileiro pagará será cerca de R$ 187,95 e por família será cerca de R$ 626,41. Trocando em miúdos, um assalto! Uma apunhalada covarde em nossa nação. Dias atrás, outra vez, o Presidente falou mais impropério ao afirmar que o sujeito que tivesse o mínimo de juízo saberia da importância da prorrogação da CPMF. Eu particularmente acho incrível como tem pessoas, como Presidente, que acha que vivemos numa ditadura, aonde tudo que o governo manda fazer tem que ser aceito. Saiba desinformado Presidente, eu não aceito a CPMF e tenho juízo... Infelizmente eu não posso dizer o mesmo do Senhor que deveria dar um exemplo e começar a estudar, para pelo menos entender de finanças públicas e perceber a merda que está fazendo! Mas tudo bem se o Senhor quiser continuar assim, afinal de contas o problema é teu e o azar é nosso!

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Letras que podem ser musicadas!

BALADA DO AMOR INCOMUM



Se eu te encontrar, menina
Eu te pego com paixão
Irei te esquartejar
Arrancar teus olhos
Sangrar a tua jugular
Hei de mostrar um amor
Tão forte quanto a dor

Uma verdade
Que nenhuma divindade
Ousou pregar!
Irei escapelar
Toda tua epiderme
Artéria por artéria
Irei romper com carinho
Quebrar do osso grande
Ao ossinho
O teu sangue será o meu vinho!

O teu crânio, eu irei espatifar
Quero espalhar teu miolo
Pelos cantos do meu quarto
E dizer sem embaraço:
Que eu sempre te amei!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Um dedo de prosa dentro da poesia

SONETO FÚNEBRE A EDUARDO CAMPOS



Seus escritos são símbolos indeléveis
Impressos nas páginas invisíveis da memória
A sua voz exortava palavras balsâmicas
Incrustadas de uma sabedoria milenar

Todos os rastros tipografados em vida
Tornar-se-ão um relicário de inspiração
Para estirpes e estirpes que hão de vir
Embalados pelo seu entusiasmo singular

Na verdade, o “Manuelito” não morre
Quem morre somos nós a cada segundo
Na ausência do mestre tão estimado

Ficamos como defuntos rastejantes
Uma parte de nós será hoje enterrada
No ataúde esplendido de Eduardo!

UM ABOIO TRISTE

MINHAS ÚLTIMAS LOAS AO GRANDE EDUARDO CAMPOS


A televisão, o rádio, a literatura e o teatro pedem uma pausa e vão ao velório do grande multimídia Eduardo Campos, ou melhor, Manuel Eduardo Pinheiro Campos (85) morreu nessa quarta-feira (19) vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Hospital Monte Klinikun, onde está internado a 15 dias. “Manuelito” simplesmente Eduardo Campos jornalista, radialista, escritor, teatrólogo e um arauto da cultura cearense – agora com sua partida repentina e dolorosa – deixou-nos na orfandade. Particularmente, eu o tinha como um tutor, uma referência ímpar de cultura. Anos atrás, tive a ousadia de lhe escrever uma carta – aconselhado por um amigo seu o Professor Nonato residente em Jaguaruana (Ceará) – na ocasião mandei alguns poemas meus e lhe perguntei sobre a possibilidade de uma publicação própria. Confesso que não acreditei muito que o grande Eduardo Campos respondesse minha humilde carta, contudo para minha surpresa o carteiro um belo dia entrega-me uma correspondência manuscrita pelo próprio. Não havia palavras para descrever a emoção que sentir naquele momento, era algo espetacular... Um homem da magnitude de “Manuelito” teve a humildade que lhe era peculiar de responder a um poeta de centésima categoria do interior do Ceará. Até hoje nunca esqueci aquele fato, o qual me fez tornar fã dessa colossal figura cearense. Queria acompanhar esses últimos momentos de Eduardo, mas minha condição de pobre não me deixa... Mas quero aqui externar minha admiração ao honorável Eduardo Campos, o paladino da cultura e da história cearense.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Letras que podem ser musicadas!

BALADA DO AMOR COMUM


Meu amor,
O nosso amor está no ar
Em ondas eletromagnéticas
Dentro e fora da dialética
Que só a gente sabe mensurar

Meu amor,
Nosso amor é um axioma
É o olhar de um escultor
A beleza de uma flor
Despejando o seu aroma

Não há nada que me impeça
De viver essa paixão
Com você não tenho pressa
Eu espero a decisão
Meu caminho está traçado
Na palma de sua mão
Eu sou o seu criado
Cansado da solidão.

DEPUTADOS QUE RESPONDERAM O MEU E-MAIL SOBRE CPMF

O deputado Gervásio Silva, mandou-me um ofício sobre o assunto, o qual reproduzo na íntegra:


Ofício circular n.º 166/2007.

Brasília, 18 de setembro de 2007.

Prezado Senhor (a)

Diante da crescente polêmica em torno da votação da CPMF no Congresso Nacional, venho por meio deste responder aos e-mails e ofícios que tenho recebido, assim como divulgar informações que julgo importantes para a transparência da discussão desse assunto.
No site abaixo, podemos encontrar um painel muito bem montado, fruto de um trabalho sério, do Fórum do Empreendedor e do Sescon – SP – Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis com o apoio de muitas outras entidades que lutam pelo respeito à moral, à ética e à democracia.

http://www.forumdoempreendedor.org.br/template.php?pagina=pesquisa_pol_cpmf/resultado

O painel demonstra de forma muito objetiva, QUAIS PARLAMENTARES SÃO:

A) CONTRA A PRORROGAÇÃO DA CPMF ( os dispostos a respeitar a vontade da esmagadora maioria do povo brasileiro).

B) A FAVOR DA PRORROGAÇÃO DA CPMF (os que votarão p/ satisfazer o governo e não o povo que os elegeu).

C) OS INDECISOS ( os que precisam se decidir, pois foram eleitos para decidirem e não para ficarem indecisos).

O painel possui filtros que permite-nos visualizar as intenções de votos dos parlamentares de várias maneiras, por exemplo: só os que votarão contra a prorrogação, só os que votaram a favor, só os de um determinado partido, contra ou a favor, qual a posição de um determinado parlamentar, Senador ou Deputado, qual a posição do seu partido etc., basta preencher o "campo" = filtro desejado e clicar em pesquisar.

A votação da proposta que prorroga a CPMF está em processo de negociação entre os líderes partidários, os quais ainda não chegaram a nenhum consenso entre si.
Cordialmente,

GERVÁSIO SILVA
Deputado Federal

"Quero aqui externar minha gratidão ao nobre deputado que atenciosamente me respondeu o e-mail, com esse ato Gervásio Silva demonstra comungar com os ideais democráticos e legitimos."

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

UM ABOIO

MONOLÓGO DO LEVIATÃ (OU DO MEU EU)
Dentro de minhas entranhas há um enorme leviatã. Não passo de um mero casulo dessa monstruosidade intrínseca a minha alma. Esse meu lado recôndito é a essência verdadeira do meu “eu”... Tudo mais são gestos que falseiam a personalidade, guardada dentro desse corpo esguio. Deságua em mim toda hipocrisia, a mentira e má-educação e eu me deleito de tudo isso como um alucinógeno... Um ser repugnante que deveria ser execrado do meio social de qualquer ser humano. Como espécies humanas descartáveis que suas morte em nada fariam falta a qualquer um.

Há um leviatã que vejo refletido no meu espelho; meu “eu” demoníaco, assassino e vampiresco. Cuja maldade é o único ar que ele respira, sua razão indispensável para a vida. Sou o sementeiro da ilusão doentia e espalho a peçonha dos sentimentos não sentidos. Não mereço o amor, compaixão e nem a mais minúscula atenção de qualquer ser. O isolamento e o desprezo declarado devem desabar sobre mim como um fado de 10 mil toneladas, esmagando-se cada osso, cada víscera e cada órgão. Não há fim mais desejado e adequado do que todas as dores perpétuas do mundo cravejadas no peito desse leviatã que escreveu esse mísero texto.

domingo, 16 de setembro de 2007

NOTA DE ESCLARECIMENTO




Excelentíssimo Representante do Povo


Por intermédio dessa missiva e na qualidade de brasileiro, quite com minhas obrigações eleitorais, militares e tributárias venho mui respeitosamente pedir-lhe um minúsculo favor. Nada de espetaculoso! Nada que sobrepuje o nível da racionalidade e que ferira os princípios constitucionais. Conheço as atribuições legais do Congresso Nacional, sei de sua importância na manutenção e no fluxo da democracia num Estado de direito. Os legisladores detêm em suas mãos os anseios de uma nação, haja vista que os mesmos representam diretamente o povo, tornando-os assim o segmento mais democrata entre todas as correntes políticas do país. Lembro-me bem da criação da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) sob égida da lei nº 9.311 de 24 de outubro de 1996 com o intuito (deverás salutar) de subsidiar a área da saúde, precisamente, o Fundo Nacional de Saúde. Com o passar do tempo o seu foco de subsídio fora ampliado cobrindo diversas áreas do governo, inclusive a Previdência Social. A CPMF passou a ser, com o perdão da palavra, o tapa-buraco do governo nas finanças públicas, sendo usada até nos cálculos de superávit primário. Enquanto que o seu principal objetivo o financiamento da saúde, passou a ser algo terciário. Em meu Estado, por exemplo, estamos na iminência de um greve de médicos por causa da defasagem da tabela de preços do SUS, falta material médico e clínico, a oferta de exames essenciais como simples exame de sangue já não há. O maior hospital do Estado já não suporta a grande demanda que a cada cresce em progressão geométrica. Por causa disso, eu tenho uma impressão de que a CPMF não vem sendo usada ou o seu gasto é mal gerenciado. Eu trabalho na área fiscal e acompanho de perto a arrecadação de tributos pela Receita Federal do Brasil e vejo que é proporcionalmente inverso ao repasse em obras social. Infelizmente, o Estado não vem cumprindo o seu papel corretamente. Há um sangradouro e é preciso estancá-lo!

Eu não tenho condições para obter um plano de saúde, infelizmente sou assalariado. Tenho uma conta-corrente, conta-poupança e capitalização, já perdi a conta de quanto contribui em CPMF. Só sei que sempre que precisei de atendimento na rede pública de saúde, nunca tive. Sempre paguei por fora uma consulta, um exame e um tratamento. Agradeço demais a Deus por até hoje por me proteger de uma enfermidade crônica e letal, porque sei que vou morrer a míngua por mais que tenha contribuido significamente com o saúde de meu país. Hoje eu vou desprovido de rancor – por mais que eu tenha motivos para alimentar esse sentimento – pedir-lhe que vote contra a prorrogação da CPMF e por uma razão simples: se antes dessa contribuição a nossa saúde era uma calamidade e hoje continua a mesma coisa se não for pior, qual o motivo de continuarmos pagando algo que se tornou supérfluo para nós milhões de brasileiros? Cobrir roubos nas dívidas, atender as expectativas do superávit primários e estruturação da Previdência Social não podem ser levados em consideração, pelo fato da CPMF não ter nascido inicialmente para esse fim. Esse remanejamento é um ato temerário na administração pública, fruto da incompetência administrativa, haja vista que a CPMF por ser um tributo temporário não poderia ser remanejado para âmbito tão complexos.

Sei que esse e-mail nunca será lido por nenhum parlamentar, nem do meu Estado, não obterei resposta alguma e isso me fere o coração. Porém, uma coisa eu sei... eu vou poder encostar minha cabeça no travesseiro com certeza que fiz minha parte, participei do espaço democrático que me é dado... vou poder olhar olho-no-olho de cada um e dizer: eu tentei!
QUEM ESTIVER INTERESSADO EM ASSINAR O ABAIXO-ASSINADO CONTRA PRORROGAÇÃO DA CPMF. VÁ AO LINK: http://www.contraacpmf.com.br/cpmf.asp

UM ABOIO

Vomitando José Simão



Rasga-lata! Rasga lata(*)! Calango Janjão avexado! Secretário Escrachador da República!

Nova propagada: um senador custa R$ 50.000,00 – todo o senado federal no dia da votação secreta R$ 3.750.000,00 – resultado da votação não tem preço! Para todas as coisas dentro do governo federal existe o cartão corporativo! Rárárá

E o show de pancadaria no Senado... Adorei! Pela primeira vez, deputados e senadores realmente suaram a camisa! Rárárá

O Amnésico Lula está em mais uma viagem presidencial! Qual foi a última vez mesmo que ele visitou o Brasil? Rárárá

Mais uma do Presidente (não é o conhaque) que o congresso usou os mecanismos possíveis na votação do senador Renã Cangalheiros... Só falta saber se ele falou isso bêbado ou sombrio. Rapadura é doce, mas é dura... Então segura a minha, segura!

Pega na minha e balança! Quem não canta, entra na dança... eu vou pegar o beco, capar o gato, dá o pé na carreira.

(*) rasga-lata nome vulgar de uma espécie de bombinhas de São João tipicamente usadas no Nordeste.

UM ABOIO

HONESTIDADE: ARTIGO PERDIDO!?


Qual a verdadeira essência do termo honestidade? A honestidade tem uma semântica complexa, haja vista que filosoficamente é algo rodeado por uma complexidade ainda hoje estudada. Porém não é inalcançável. É um sentimento interno que deve ser externado sem publicidade e praticado sem a certeza de alguma recompensa. A honestidade assim como amor tem caráter espontâneo e é exercida pelas reações mais puras de nossa alma. Não há uma receita de bolo, uma manual de instrução e/ou um regimento... Apesar de que podemos ensiná-la e praticá-la sem seguir um padrão pré-estabelecido. Ser honesto não é precisamente está em consonância com lei, mesmo respeitando-a. Para a honestidade não existe o pequeno ato ou grande ato de ser honesto, todas as suas ações tem o mesmo grau de importância! Do troco a mais que fora recebido a roubo de 1 bilhão, ambos são execráveis. É preciso dizer isso para relembrar uma velha propagada, veiculada nos meios de comunicação, em que suas chamadas alertavam o povo para dar o “bom exemplo”, por incrível que pareça nas imagens só apareciam atos pequenos praticado no cotidiano, em nenhum momento passava um burocrata desviando milhões, como se os pequenos atos fossem os culpados de nossa corrupção a nível nacional. Passando – nas entrelinhas da campanha – que o culpado de tudo é o povo. Na realidade isso é uma verdade atrofiada! Sei que os pequenos atos contribuem para os maiores, mas atrelar os pequenos atos como a mola-mestra da corrupção é o mesmo que dizer que o “peido” é o grande culpado pelo aquecimento global. Não tem cabimento!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

NOTÍCIAS (IM) POPULARES

Governo de Estado e União garantem recursos para conclusão das obras do Metrofor

Fonte: www.ceara.gov.br


Um aboio: Agora vai... vai encher os bolsos ainda mais de um bando de malandros!

O Caso Renan

Charge do chargista do Jornal O Povo Clayton. Link: http://www.opovo.com.br/opovo/charge/728726.html


Renan Calheiros creditou sua vergonhosa absolvição a democracia (mas como?). Se entendermos a democracia como governo do povo, aonde foi que esse resultado refletiu a vontade popular? Será que o povo está em consonância com senado? Essas perguntas já têm uma resposta conhecida e percebe-se aí que essa tal “democracia” regurgitada a esmo pelos os agentes públicos não passa de um embuste. Uma alegoria estúpida para encobrir o corporativo político e a cumplicidade. Recentes pesquisas mostram que a maioria dos legisladores responde a processos judiciais que – por culpa da “porra” do foro privilegiado e da imunidade – tramitam no Supremo (e letárgico!) Tribunal Federal. Trocando em miúdos, tem mais gente encrencada com a justiça no Congresso Nacional do que muitos presídios espalhados pelo país. Nossos impostos, taxas e contribuições alimentam verdadeiras quadrilhas dentro de Brasília, composta de todas facções e tendências ideológicas.

Quando Renan diz que foi a força imagética da democracia, ele apenas está dando um novo nome para o que chamam de “manutenção da governabilidade”. O PT buscando o favorecimento em dezenas de votações no Senado decidiu compactuar com o PMDB... Eu vou além, o PT fez isso também porque é de sua natureza o famoso “jeitinho brasileiro”. Nessa história não há santos! E essas palavras por incrível que pareça não são minhas! É de um outro senador que certa vez na Plenária acabou por auto se acusar. Inácio Arruda (PC do B-Ceará) afirmou: “Que ali (no senado) não havia santos”. Mas claro que isso só se passar óleo de peroba! E depois dizem que eu sou extremista! :D

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

UM ABOIO

CONSIDERAÇÕES DO ABOIADOR DE VERSO SOBRE A SITUAÇÃO DE NOSSO PAÍS

Posso não ter a capacidade intelectual e jurídica de um magistrado. É bem verdade que nem possuo um diploma de ensino superior. Igualo-me a milhares de brasileiros, com pouca educação, uma visão vaga das leis e noções de justiça, mas nem por isso a gente não consegue enxerga a impunidade nesse país; uma moléstia endêmica que nos apavora todos os dias. Não é uma impunidade cega que privilegia a todos, mas sim uma impunidade com olhos de águia que acoberta uma quadrilha sórdida instalada no poder. Seja qual for, a do Estado democrático de direitos ou do Estado paralelo, esse último alimenta o primeiro e o primeiro alimenta esse último. Estamos sitiados por ladrões de todo os lados que usurpam os direitos, as liberdades e, sobretudo, a riqueza. O Brasil hoje é um país potencialmente pobre por causa da incompetência e a roubalheira de nossos agentes públicos.

Talvez, alguns leitores possam achar que estou magoado com absolvição do Renan Calheiros e as pessoas execráveis que votaram a seu favor. A minha mágoa é antiga e esse episódio é apenas mais uma depositada em meu peito, como uma adaga que me perfura o tórax. Fico receoso com que vem acontecendo nos últimos anos, as autoridades públicas têm simplesmente cagado por sobre a ética e limpado a bunda com as páginas da Constituição. Não há no Brasil, uma instituição completamente idônea e o pior os facínoras são uma maioria em todas as estâncias do Estado. A grande dificuldade que se encontra hoje é achar uma pessoa honesta e decente dentro de uma repartição pública que ocupe altos cargos, tendo poder de decisão e polícia. A honestidade é uma palavra morta e sepultada pela justiça brasileira!

Hão de pensar que essas palavras são de um homem rendido, um pessimista convicto que não acredita na mudança e até numa palavra que o Presidente Lula quis até assassinar: a esperança. Na verdade, não. Felizmente corre dentro de mim a poesia, não me furto de sonhar, não me entrego aos carrascos esquerdistas e direitistas. Acredito no Brasil! Mas o que eu não posso perder é a minha indignação e a minha ousadia. Enquanto eu puder aboiar no cenário invisível do cyber espaço, a minha vontade de protestar será como o oceano que nunca chega ao fim

Letras que podem ser musicadas!

É sujeira no Senado
É sujeira no congresso
Eu já atordoado
De vê tanto retrocesso(bis)

É bandido engravatado
É ladrão de paletó
Lalau, velhaco e coió
Em Brasília tá lotado
Senador e deputado
Servidor e presidente
Não se tira um decente
No governo do Brasil
Uma quadrilha imbecil
Tão sacana e delinqüente.

É sujeira no Senado
É sujeira no congresso
Eu já atordoado
De vê tanto retrocesso(bis)

É o Renan na presidência
É o Sarney de general
É o Collor no comensal
É a justiça com dormência
O povo sem paciência
Pagando toda essa conta
Até quando essa afronta
Ainda vai continuar
E de tanto eu maquinar
A cabeça já tá tonta.

É sujeira no Senado
É sujeira no congresso
Eu já atordoado
De vê tanto retrocesso(bis)

Eu só vejo a impunidade
Dentro e fora da justiça
Que liberta uma mundiça
Em nome da imunidade
Mas quer sabe uma verdade
Que se fingem esquecer
É que vale mais o “ter”
Do que o crime cometido
Nossa lei não é pro bandido
Que se aloja no Poder.

É sujeira no Senado
É sujeira no congresso
Eu já atordoado
De vê tanto retrocesso(bis)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

UM ABOIO

As palavras desatam-se da boca e levitam nos ares. As palavras camuflam-se em símbolos gráficos e aglomeram-se em vernáculos, transcritos nos papéis, muros e qualquer uma superfície que pode ser escrita. As palavras foram o verdadeiro divisor de águas para a raça humana, no âmbito de uma comunicação ampla e perfeita. Já não se pode postergar essa herança de nosso convívio social e nem reduzir sua grandeza no fluxo de comunicação. Com advento da Internet, as palavras ressurgiram como uma fênix que eclode das próprias cinzas. Até pouco tempo éramos devorados por uma linguagem verbal, as palavras resumiam-se a sons meramente vagos e simplórios que advinham dos programas televisivos. Minha geração não sentia as palavras em toda a sua plenitude e nem agregada aos recursos lingüísticos que temos, não havia acesso a livros, jornais e inúmeras fontes de consultas disponíveis na oceânica rede de computadores. Sei há distorções, verdadeiros homicídios a lingüística, mas convenhamos que o mundo hoje democratizou ainda mais a informação e nos proporcionou uma réstia de luz, através da palavra, para escaparmos da extinção.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

DATA ESPECIAL

DIA 11 DE SETEMBRO É O ANIVERSÁRIO DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DA MINHA CIDADE, CUJO NOME É JAGUARUANA(CEARÁ). DIANTE DISSO, ESCREVI ESSAS ESTROFES DE IMPORVISO PARA PRESTIGIAR ESSA CIDADE QUE AMO TANTO:

Pode apagar a velinha
Ó minha Jaguaruana
Nessa data soberana
Vou cantar-te uma modinha
Um poema para a Rainha
Do Vale Jaguaribano
Versos simples dum cigano
De um lirista que é teu filho
Que se alimenta do brilho
Desse lugar provinciano.

E grande é a felicidade
Que carrego aqui no meu peito
E conservo com respeito
O meu amor a essa cidade
Com toda sinceridade
Eu solfejo essa canção
Com as cordas do violão
Faço rima e faço verso
Não há lugar no universo
Melhor do que o meu rincão.

No mundo não há lugar
Um canto que seja igual
Roma, Paris e Nepal
Saara, Egito e Dakar
Madri, Hanói e Gibraltar
Chaval, Crato, Camocim
E nem Quixeramobim
Não tem nem comparação
Salve, salve o meu rincão
Que vive dentro de mim.

UM ABOIO

Há exatamente sete anos atrás, no dia 11 de setembro de 2001, integrantes do grupo árabe al-Qaeda realizaram o maior atentado a uma nação. O ataque as Torres Gêmeas no Estados Unidos sacramentou-se como um novo marco bélico desse século. “O império contra o terror” parecia configurar-se numa terceira guerra mundial, mas com tempo esse conflito tornou-se uma pseuda Jihad (guerra santa), que escondia na sua verdadeira essência propósitos inescrupulosos. Atualmente a dominação americana sobre o mundo oriente é uma questão de honra, apesar de tudo isso já ter se defasado, sobretudo entre os americanos. A guerra no Iraque até hoje é uma ópera de sangue que sobrepujou os direitos humanos e pôs a ONU numa situação vexatória, causando uma desconfiança global sobre a sua eficiência e importância. Agruras à parte, o dia 11 de setembro é para os americanos principalmente um momento singular de reflexão e de lembrar que o mundo não se resume aos seus umbigos.