Mostrando postagens com marcador Baú do Aboiador. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Baú do Aboiador. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O BAÚ DO ABOIADOR

RUA PADRE ROCHA


Quem te vê assim, ó ruazinha
Deitada sobre uma onça adormecida
Subitamente, fica embriagado com êxtase
E imbuído por uma paixão vadia
 
Ó ruazinha que sofre de escoliose
 
Ainda amo-te assim mesmo, ó rua tortinha
Não tão torta como se diz
Mas assim como um pedaço de linha
Que se enrolou num novelo infeliz.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um dedo de prosa dentro da poesia


ODE DECANTADA À MIRELLA

A saudade é lâmina deveras afiada
Que me rasga as entranhas por dentro
Um sentir que lateja bem no centro
Desta minha alma tão fragilizada
E como dizer o que sinto a ti?
Se o meu sentir é incomunicável
É uma sensação quase imensurável
Que rompe a barreira do discenir
Por isso te enamoro na ausência
Beijo-te no vazio, afago a memória
Lembrar de ti é a minha única glória
É quando garimpo minha consciência.

Mirella, meus olhos são sentinelas
Que te guardam dos perigos ocultos
Meus braços são âncoras robustas
Que te guardam das garras dos obtusos.

Não temas a minha insanidade poética
Meu jeito exótico e bucólico de ser
Meus reles discursos de subverter
Que entoo e grito de forma profética
O amor oculta-se em faces diferentes
Desprezando o previsível e a retidão
O amor é uma flor no jardim das mentes
Que exala o perfume do poema e da emoção
Poderia mostrar-te mil formas de amar
E te ofertar uma galáxias de soneto
Mas como o amor não é branco e preto
Deixo-te livre para poder o pintar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

BAÚ DO ABOIADOR

Eu sou um grão desta terra açoitada
Sem água, sem rio, sem nada
Aonde os confins se abraçam
Num baile da fome e da desgraça
E eu quem sou em meio esta farra?
Um sertanejo vestido de sol e poeira
Ou um repentista de alma arranhada
Entoando poesias rasgadas na feira
Sou cada torrão desta terra queimada
Aonde Deus e o Diabo dançam capoeira
Ambos juntos aos negros da senzala
Pulam e dançam no terreiro de Pai Pereira
Sou a voz chorosa de uma beata donzela
A ladainha entoando como prece
Sou, antes de tudo, cabra da peste
Que não se vende e nem se entrega
Sou o Nordeste na sua forma mais tosca
Estou no rosto da lavadeira moça
Enamorando o rio de um forma louca.
Não sou mais que um homem sertanejo
Assim mesmo feio e cheio de desejo
De vê minha terra sempre verde
E não mais sofrer com a sede.

sábado, 19 de junho de 2010

O BAÚ DO ABOIADOR

Escrito em 01.10.1997

Melina, você não tem melanina
Tua pele tão clara me ilumina
Nirvana da paixão
Melina, teu olho é ametista
Uma pedra bela e divina
Lapidada no coração.

Quero mergulhar no azul do teu Pacífico
Quero reviver do final até o início
A bonança do amor; amor bandido

Quero decantar-me no teu calor
Quero versejar com destemor
O poema mais bonito

Melina, você não tem melanina
Tua pele tão clara me ilumina
Nirvana da paixão
Melina, teu olho é ametista
Uma pedra bela e divina
Lapidada no coração.