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domingo, 25 de setembro de 2011

Letras que podem ser musicadas

SAUDADE JAGUARUANENSE
Quando eu saí dali, não levei meu coração
O pobre ficou ali no jardim do meu torrão
Deitando numa tijubana, esperando meu amor
Meu amor é Jaguaruana que lá na estrada ficou (bis)

Hoje é grande a saudade
Mas um dia eu vou matar
Vou buscar felicidade
Vou voltar pro meu lugar
Terra de gente bonita
De Emília e de Sant’Ana
Do bendito Padre Rocha
Que saudade tão tirana.

Já devoro a poeira neste carro tão veloz
O poema sem papel se agarra numa voz
No cordel da minha mente, o verso se torna dor
Minha dor é Jaguaruana que lá na estrada ficou (bis)

Hoje é grande a saudade
Mas um dia eu vou matar
Vou buscar felicidade
Vou voltar pro meu lugar
Terra de gente bonita
De Emília e de Sant’Ana
Do bendito Padre Rocha
Que saudade tão tirana.

domingo, 4 de setembro de 2011

UM ABOIO


INTROSPECÇÃO CITADINA



Jaguaruana, meu berço fulgurante, nos dias que se aproximam de seu aniversário, fiquei imbuído por uma introspecção. Bem da verdade não seria um mergulho em mim, mas é como se eu me colocasse no lugar da cidade e esboçasse uma introspecção citadina. E como em toda avaliação, ainda esta seja um tanto esdrúxula, surge inúmeras indagações que por incrível que pareça continuam sem respostas, apesar de nossa história tão longeva. Estamos à véspera de uma nova eleição municipal e esta introspecção citadina é importante ser feita por todos os cidadãos jaguaruanenses. Alguns talvez vão dizer que seja cedo fazer qualquer avaliação eleitoral, ainda mais se não há a formação de um quadro político definitiva para o embate. A estes eu digo que a introspecção não está preocupada em nomear pessoas ou denominá-las como mocinhos ou vilões, é algo mais pessoal, ou melhor, mais cidade, se assim posso me expressar. Seria o conflito do “eu”, como se este “eu” – reitero – fosse Jaguaruana.

Cada munícipe deve montar mnemonicamente o seu retrato de cidade. Isso que descrevo aqui pode parecer algo onírico, idéias alicerçadas em bases incorpóreas, cuja sustentação dilui-se ao menor confronto com a realidade. Engana-se o leitor que entender por este prisma. Quando uso a palavra introspecção, apesar do viés psicológico, a sua aplicação tem um efeito direto na esfera realística de nosso cotidiano. Particularmente, tenho pensado demasiadamente em fomentar um grupo de discussão política (sob a luz da ciência política) e de formular um documento de intenções que poderia ser assinado e registrado em cartório por todos os candidatos ao Paço Municipal, também sei que não disponho desse tempo. Por isso no momento queria sugestionar aos amigos, colegas e todos os jaguaruanenses essa introspecção tecida no silêncio de cada íntimo.

Agora de nada vai adiantar essa introspecção citadina, se a mesma adormecer na omissão que reproduzimos no dia-a-dia. Ela deve demonstrada nas ações políticas que cabem ao cidadão, na formação da opinião pública local e, sobretudo, nas plataformas políticas dos possíveis candidatos. Nesse dias festivos de aplausos e alegria, não vai custar nada a qualquer cidadão tentar – cada um do seu modo – personificar “Jaguaruana” dentro de si.

sábado, 3 de setembro de 2011


GRACIOSA ORQUÍDEA DO VALE (JAGUARUANA)
 
Ó Terra que se adorna de histórias
Alimentando-se de sua força varonil
Cada ser humano desta terra
É uma estrela a brilhar pelo Brasil.
 
Graciosa orquídea deste Vale
Que se banha no velho Jaguaribe
A sua história é cercada de coragem
Ao vencer o inimigo e a diatribe
Tendo por escopo a liberdade
Voando por sobre adversidade
Semelhante a briosa abibe.

Ó Terra que se adorna de histórias
Alimentando-se de sua força varonil
Cada ser humano desta terra
É uma estrela a brilhar pelo Brasil.

Graciosa orquídea deste Vale
Sua riqueza transborda no olhar
Nas carnaúbas sublimes e frondosas
Que se ver espalhadas por todo lugar
Na sua cultura robusta e marcante
De uma gente guerreira e atuante
Que constrói sua poesia no tear.

Ó Terra que se adorna de histórias
Alimentando-se de sua força varonil
Cada ser humano desta terra
É uma estrela a brilhar pelo Brasil.

Graciosa orquídea deste Vale
Devagar vai fazendo o seu porvir
Hasteando a bandeira da labuta
Conjugado com o verbo progredir
Sem esquecer as glórias do passado
Cada filho deste torrão amado
Que não conhece a palavra desistir.

Ó Terra que se adorna de histórias
Alimentando-se de sua força varonil
Cada ser humano desta terra
É uma estrela a brilhar pelo Brasil.

sábado, 27 de agosto de 2011

DIÁLOGOS CORDELESCOS


TROVAS SERTANEJAS

Fui criado com feijão
Carne velha, ovo, alfenim
E assistindo o Casimiro
Do brincante Garranchim.

Eu já fui um espadachim
Minha espada era de talo
Da saudosa carnaúba
Que também fazia cavalo.

Nesta rede que me embalo
Num balanço bem bacana
Uma rede tão gostosa
É lá de Jaguaruana.

Neste povo reina a gana
Que exercita a sua fé
Na missa da Serra Dantas
Que vai do topo ao sopé. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O BAÚ DO ABOIADOR

RUA PADRE ROCHA


Quem te vê assim, ó ruazinha
Deitada sobre uma onça adormecida
Subitamente, fica embriagado com êxtase
E imbuído por uma paixão vadia
 
Ó ruazinha que sofre de escoliose
 
Ainda amo-te assim mesmo, ó rua tortinha
Não tão torta como se diz
Mas assim como um pedaço de linha
Que se enrolou num novelo infeliz.

terça-feira, 26 de julho de 2011

DIÁLOGOS CORDELESCOS

NOSSA SENHORA SANTANA DE JAGUARUANA



Nossa Santa querida eu vou louvar
Nesse dia festivo com amor
Dedilhando um poema de lavor
Na cadência da lira popular
O martelo de verso vai troar
Sobre o prego da minha inspiração
Ressoando o penhor da gratidão
Que se tem por Santana, avó querida
Protegei os teus devotos nessa lida
Derramando esplendor e salvação.

Protegei meu torrão com mui carinho
Protegei nossa rede e o tecelão
Protegei a carnaúba e o ribeirão
Protegei a caatinga e o passarinho
E protegei este bardo miudinho
Que tem cor encorpada do café
Salve avó de Jesus de Nazaré!
Padroeira da Terra de Ivonete (*)
Cuja sua grandeza se reflete
Neste povo que se orna com a fé.

________________________________
(*) Ivonete Maia, jornalista.

sábado, 2 de julho de 2011

UM ABOIO


A nossa história não me deixa mentir, a cidade que hoje ostenta toda essa força produtiva e incontestável, lá atrás precisou de um componente que andava esquecido de nosso meio: a união! Quando ainda éramos Caatinga do Góis, os nossos antepassados lutaram contra patacuda comarca de Aracati que na época era um importantíssimo centro econômico da província do Ceará, pela o status de distrito de paz; era o primeiro passo para nossa emancipação. A comarca de Aracati resistiu o que pode, inclusive deu o título de distrito de paz ao Giqui com intuito de rachar e extirpar a luta. Contudo, a união deu-nos o que era merecido, Caatinga do Góis viria a se tornar distrito de paz, derrotando as vontades despóticas de Aracati. Após essa vitória gloriosa, a palavra união passou a dormir em nossas redes, passear pela Rua da Matriz e Comércio e vislumbrar ao longe a imponência da Serra D’Antas. Éramos tão íntimos da palavra união que a primeira entidade associativa que lutou pela emancipação apropriou-se do nome “União”. O objetivo era tornar-se vila (titulo da época imperial que equivaleria ao título de cidade), não foi fácil, outra vez Aracati entrou no caminho e nessa hora a união de nosso povo derrubou o gigante. Éramos vila legalmente em 1865 e nessa época já estávamos tão íntimos da palavra união que todo o povo decidiu o nome daquela vila, seria: Vila de União. O romance com a união ia se criando outros triunfos como, por exemplo, a abolição dos escravos antes do estado e do Brasil. Até que um dia, alguns conterrâneos contaminados pelo poder decidiram escorraçar a palavra união de nossa cidade, trocando-a pelo jogo politiqueiro.

Aquela Vila de União dividiu-se em dois partidos que se digladiavam pelo trono do paço municipal. Os velhos tempos de unidos já fazia parte apenas das conversas saudosas dos antigos moradores. Íamos ficando tão afastado da palavra união, que o seu nome já não figurava o nome de nossa cidade. Viramos Jaguaruana e esquecemos-nos de chamar a união para ver o novo nome. Sem a união, o atraso apoderou-se das nossas casas e aqui instalou seus tentáculos. A política bipolarizada contribuía ainda mais para que o atraso fosse se tornando uma amásia.
Não nego que sinto falta da união, ainda que nunca tenha alcançado sua estadia na minha cidade. E sei que é ela que vai nos salvar!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

UM ABOIO

A INTERIORIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E O DESAFIO DE SE IMPLANTAR A UFERSA NA CIDADE DE JAGUARUANA


Moacir Morran



Recentemente, na história educacional do Brasil as instituições de ensino superior se concentravam nos grandes centros urbanos, sendo a sua maioria esmagadora concentrada nas capitais. Uma espécie de êxodo educacional era uma prática comum, se o estudante quisesse transpor o incipiente ensino médio teria que sair do interior para um grande centro urbano e mais se desejasse obter um título de engenheiro, por exemplo, ele teria que voar ainda mais longe até as capitais. As universidades federais eram ainda mais concentradas, se comparadas com as estaduais. Essa má distribuição educacional (mil vezes pior que a má distribuição de renda) gerava o pior dos males econômico: uma população ativa desqualificada. Por causa disso hoje quando vivemos o que os economistas chamam de pleno emprego o país está à beira de um apagão de mão-de-obra, ou seja, a concentração educacional contribuiu para o atrofiamento do número de pessoas qualificadas no mercado de trabalho, que hoje superaquecido não consegue empregados. Na Era Lula procedeu-se o aumento de Universidades e Institutos Federais, sobretudo pelo interior do Brasil; uma atitude deverás correta. Ainda que se tenham muito a avançar, contudo a interiorização da educação superior iniciada recentemente é um sinal benéfico de que estamos no caminho certo.

A Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA) é uma das soluções para se minimizar a má distribuição educacional no país, sobretudo em uma área tão injustiçada pelos parcos recursos do governo. Até hoje a tal iniciativa se restringia apenas ao Estado vizinho do Rio Grande do Norte, nos últimos dias surgiu à ótima notícia de sua expansão além das fronteiras potiguares. O Ceará, enfim, ganhará um Campus Avançado da UFERSA. A única cidade que desde o início do processo se prontificou a receber a UFERSA foi Jaguaruana, no Baixo Jaguaribe Estado do Ceará, inclusive sendo também a única a realizar uma audiência pública sobre o fato. E Jaguaruana a merece por diversos motivos, contudo há um que é primordial: não há uma universidade pública federal na região que compreende a cidade, cujos locais circunvizinhos são: Russas, Palhano, Itaiçaba, Fortim, Icapuí e Aracati. Um contingente citadino que até hoje está fora da política de inclusão educacional superior, amargando um êxodo de talentos que necessitam sair de seus recintos para se qualificar nos grandes centros urbanos.

Algumas vozes hão de rosnar que Jaguaruana é uma cidade pequena que lhe falta o glamour dos grandes centros urbanos e/ou cidades-pólo. E é aí que se sobrepõe o melhor dos motivos para que seja lá a implantação da UFERSA, como podemos pensar na inclusão educacional superior nos pequenos rincões, se não forem colocadas Universidades lá? O Semi-árido brasileiro é composto de inúmeras cidades pequenas e será que elas não merecem dispor de uma entidade de educação superior? O governo federal tem afirmado que elas têm direito sim através da UFERSA e seus diversos Campi espalhados no Rio Grande Norte, por exemplo.

O povo de Jaguaruana está eufórico com a possível vinda da UFERSA, a juventude tem se mostrado esperançosa. Os meios de comunicação local demonstram o seu pode de mobilização ao vincular anúncio de incentivo a UFERSA. Há mobilizações na internet, através das redes sociais, blog e e-mail. Os políticos tem se comprometido também com a luta. Nunca tinha visto na minha vida uma cidade inteira tão unida por um ideal e só por isso tenho certeza: A UFERSA será implantada na cidade de Jaguaruana.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

UM ABOIO

Jaguaruana, 25 de junho de 2011

 Ofício nº 01/2011


Venho por meio deste instrumento com intuito de prover alguns esclarecimentos a Vossa Excelência que poderão ser de grande utilidade na escolha da cidade para a implantação da Universidade Federal Rural do Semi-árido – UFERSA. Vale salientar que não tenho intenção de mudar posicionamento e/ou escolha, mas sim municiá-lo com subsídios para que possamos fazer a escolha adequada. Através da imprensa cearense soube que a implantação da UFERSA está entre duas cidades: Jaguaruana e Morada Nova. Bem, como não poderia ser diferente, sou favor da implantação da Universidade na cidade de Jaguaruana. Ainda que eu seja suspeito, pelos meus vínculos a cidade, contudo acredito que meus argumentos são cabíveis e pertinentes. Ei-los:

·         Primeiro: a proximidade de Jaguaruana com o Rio Grande Norte possibilitará uma intercâmbio cientifico, educacional e cultural com a UFERSA de Mossoró;



·         Segundo: nossa vocação para agronegócio, sobretudo, a fruticultura. Somos um grande exportador para os mercados da Europa, América do Norte e países da Ásia. Além da fruticultura, a produção de arroz e outras culturas agrícolas demonstram o potencial do município para o desenvolvimento de pesquisas e experimentos para geração de alimentos;



·         Terceiro: Jaguaruana tem um imenso rebanho de ovinos e caprinos, sendo um dos grandes criadores dessa espécie. Os ovinos e caprinos são espécie que se adaptaram bem ao clima do semi-árido, tornando-se um foco de pesquisa e desenvolvimento educacional para Universidade. Principalmente, no assessoramento as comunidades carentes;



·         Quarto: Jaguaruana se situa no início da Chapada do Apodi com uma biodiversidade de grande importância. Além disso, a Chapada tem outras vantagens como paleontologia, geologia e agronegócio;



·         Quinto: nossa proximidade com a capital de Fortaleza através da BR 116 e CE 040, propiciando além do intercâmbio o escoamento de mão-de-obra;



·         Sexto: Jaguaruana também tem vocação para a extração mineral nas regiões serranas, inclusive com diversas mineradoras;



·         Sétimo: somos um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do Ceará e do Nordeste, através do trabalho realizado pela Ypióca;



·         Oitavo: temos uma das maiores reservas de carnaúbas do Ceará, sendo comprovada que a cera extraída aqui é de altíssima qualidade. Por essa questão já dispomos de um Memorial da Carnaúba, o primeiro do mundo;



·         Nono: Jaguaruana possui um respeitadíssimo setor têxtil com uma produção de redes de dormir e artefatos de algodão reconhecido pela sociedade cearense, nordestina, brasileira e mundial.

Acredito que os pontos levantados aqui são pertinentes e que demonstra que a implantação da UFERSA vai potencializar essas vocações que serão relevantes para o desenvolvimento de todo o Ceará. Não quero por essa questão no patamar de analogia (Jaguaruana/Morada Nova), mas sim ver as especificidades.

Quero finalizar esse instrumento desejando a Vossa Excelência votos de estima e apreço.

Cordialmente,

Moacir Ribeiro da Silva

quinta-feira, 5 de maio de 2011

UM ABOIO


ARGEMIRA DEU A LUZ A JAGUARUANA! UMA HOMENAGEM POST-MORTEM



Houve um tempo em que nas plagas do sertão a obstetrícia soava mais que um palavrão do que uma questão de saúde pública. Não havia hospitais e nem posto de saúde, as pessoas recorriam simplesmente as rezadeiras e as plantas medicinais quando queriam curar qualquer patologia. Contudo nas horas do parto só uma pessoa era capaz fazê-lo com parcimônia e sem o risco de uma mortalidade prematura: a parteira. A parteira até um tempo atrás era a obstetriz do sertão, acompanhando suas pacientes antes, durante e depois do parto. Tais mulheres detinham um conhecimento invejável sobre “arte de dar a luz”, apesar de haver altas taxas de mortalidade infantil decorrente muitas vezes da desnutrição e da penúria, era raro ouvi-se falar de infecções pós-parto ou erros durante a operação que pudessem prejudicar a mãe ou o filho. As famílias sertanejas, na sua maioria, eram bastante numerosas quando se tratava de filhos o que aumentava o trabalho árduo das parteiras e as suas responsabilidades na hora de proteger a vida da mãe e dos herdeiros.   E por muito tempo foi assim, aos primeiros gemidos de dor da esposa grávida a parteira era chamada. Aliás, algumas parteiras já passavam a residir com a sua paciente quando estava próximo de parir. O parto naquela época era humanizado diferente de hoje que se tornou um ato rotineiro e sem importância. As parteiras geralmente tornavam-se segunda mãe porque elas ficavam cuidando da criança por um tempo até as mães recuperar-se do resguardo (período pós-parto em a paciente repousa e toma certas precauções). E o melhor de tudo isso, as parteiras na maioria das vezes faziam tudo isso de graça, por conta do grande número de famílias carentes que povoavam o sertão. As grandes paladinas da vida mereciam o título de Doutor Honoris Causa de todas as Universidades Brasileiras pelos serviços prestados a nossa sociedade, bem como as maiores condecorações do governo brasileiro.

Uma delas foi-se para recinto celestial sem tido o júbilo de se reconhecida pelo seu trabalho em prol da sociedade jaguaruanense. Dona Argemira ainda chegou a ser homenageada no II Encontro dos Filhos e amigos de Jaguaruana realizado no Cresse no dia 30 de Outubro de 2010 na cidade de Fortaleza, uma justa e merecida homenagem a quem merece nossas infindáveis gratidões. O autor que subscreve também já lhe prestou homenagem através de poemas, canções e textos, exaltando a grande parteira como um patrimônio imaterial de incalculável valor, porém foram muito poucas as homenagens. Hoje dominado pela tristeza presto a família meus pêsames e a consolação divina de sabemos que D. Argemira está ao lado de Deus, ajudando-O a dar a luz aos anjos!

UM ABOIO


ODE A MINHA TERRA



                Lá o tempo é letárgico morosamente prazenteiro, empurrado pelos cantos dos galos e os sons dos batelões1. Não há pressa. O relógio, por vezes, sente-se inútil e tenta suicídio pulando da ponte do João Gomes. A vida anda de pés descalços sem se importar com os dribles da morte, toma uma cachacinha e come um sarrabulho no mercado velho. A morte senta-se na calçada e conversa com o “Sardanha” que balbucia: “Morrer é bom, né?”. As ruas de pedras toscas testemunham os estalos dos cacos dos jegues tocando o chão, os gemidos das carroças d’água, os tangidos de seus carroceiros, o leiteiro, o homem com o balaio de pão sobre a cabeça e as mulheres carregando inúmeras redes nos ombros. Os lunáticos tomam a cidade como se fossem conquistadores ibéricos, fincando suas bandeiras em nosso imaginário.

                Quem não conhece a cidade pode achar que se trata de mais uma cidadezinha esquecida no tempo, mas o que poucos imaginam e presumem é que essa cidade guarda no seu interior a força de uma locomotiva. Minha cidade assemelha-se a caatinga que se apresenta seca e aparentemente sem vida, omitindo dos olhos leigos as suas riquezas imensuráveis.

(1)Nome dado ao local do fabrico de redes de dormir, onde acontece quase todo o processo produtivo.  

sábado, 5 de fevereiro de 2011

UM ABOIO



Estou abismado com os níveis de insegurança que Jaguaruana está alcançando, são níveis dignos de um grande centro urbano como Fortaleza. Mas pergunta-se de quem é a culpa? Enganam-se quem diz que o problema é de segurança pública, por conseguinte competência do Governo Estadual. Antes de tudo é um problema social: a falta de educação, oportunidades de emprego, profissionalização, a politicagem, a perseguição política, a ausência de um serviço de saúde minimamente humano. A verdade é que governos municipais, estaduais e federais têm culpa igual nessa problemática. Não adianta um coloca a culpa no outro! Todos são culpados. E se não cuidarmos nossa Jaguaruana que era pacífica nos moldes provinciano, tornar-se-á tão perigoso quanto às favelas do Rio de Janeiro; eles lá têm o BOPE e nós temos o que? quem?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

UM ABOIO

NÓS NA CONTRA-MÃO!
Pítagora (571 A.C. - 496 A, C.) disse certa vez: "Eduquem as crianças e não será preciso castigar o homem". Eu diria além: "Eduquem o homem e o progresso nascerá automático". Conheço de perto o sofrimento dos universitários jaguaruanenses e não entendia porque os prefeitos sempre tiveram tanta raiva desse segmento social. Hoje um pouco mais informado, descobri que o homem com conhecimento é um perigo aos políticos inescrupulosos. E digo mais Prefeito "burro" é aquele que esquarteja a educação em favorecimento do assistencialismo e da politicagem. Já dizia o velho ditado: melhor que dar peixe ao homem é ensiná-lo a pescar... em linhas gerais é simplesmente EDUCAÇÃO! Os governantes têm que lembrar que sem educação nada mais funciona! A educação é o grande vetor do desenvolvimento sustentável e com qualidade de vida! Quem estuda deveria ser respeitado pelo Poder Público e gozar de prerrogativas atinentes ao seu estado e aprendizagem, servindo de chamariz para aqueles de alguma forma não querem ou não podem se educar. Pena é que Educação não dá votos, contudo forma homens e mulheres de bem. Com Educação não se faz obras faraônicas, mas edifica pessoas que formam o patrimônio do conhecimento de um país. A educação não dá retorno imediato, mas enriquece em longo prazo toda uma economia.

Mas porque será que tão difícil se investir com eficácia e eficiência na educação do Brasil, do Nordeste, do Ceará e de Jaguaruana?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

UM ABOIO



BARBARIDADES JAGUARUANENSES





Antes de se ater ao cerne da questão, faz-se necessário uma análise hermenêutica das palavras descritas no Capitulo IV – da família, da educação, da cultura e do desporto da Lei Orgânica do Município de Jaguaruana, Estado do Ceará, em seu artigo 133 que traz a seguinte redação: “As Escolas Públicas Municipais, deverão ser equipadas com bibliotecas”. Ao analisar o primeiro termo: “As Escolas Públicas Municipais” o legislador ao mesmo tempo em que restringiu à rede pública de ensino na esfera municipal, ele também generalizou ao condicionar que fossem todas as escolas municipais; abrangendo zona rural e urbana do município. A palavra “deverão” denota obrigação ou responsabilidade que nesse caso o legislador atribuí subliminarmente ao Poder Público; o chamado “dever de fazer”. Diante do exposto, pode-se concluir que o artigo 133 – em linhas gerais – obriga ao Poder Público Municipal colocar uma biblioteca em cada escola da rede de ensino municipal.
Agora se pergunta: todas as escolas municipais de Jaguaruana têm uma biblioteca? Porque o Governo Municipal não está cumprindo com a sua obrigação? A verdade é que as autoridades competentes talvez nem leiam a Lei Orgânica do Município de Jaguaruana e buscam gerir a coisa pública sem o amparo da lei. Quebram periodicamente o princípio da legalidade dentro da Administração Pública, criando-se um Estado Paralelo Público onde as vontades pessoais do Prefeito,
Vice, Secretários e Gestores estão acima de qualquer legislação. Uma barbaridade jurídica legitimada pelo silêncio do Parquet local. Até quando?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

UM ABOIO


VELHOS E ETERNOS ERROS JAGUARUANENSES



Jaguaruana historicamente sempre esteve propício as enchentes. A sua localização no Baixo Jaguaribe, sua proximidade com a foz do rio de mesmo nome e o seu contorno territorial que tem a forma de uma concavidade já demonstra o seu risco iminente de alagamentos. É lógico que o problema é antigo, quiçá, jurássico! Mas nem por isso a Administração Pública deve se acomodar e se conformar com as medidas paliativas, através das ações de sua defesa civil. Cadê o Plano Diretor? Cadê a Rede de Esgoto e o sistema hidráulico que vise o escoamento das águas? Cadê a fiscalizações das edificações e das ocupações desenfreadas das áreas de riscos? Só porque o problema é antigo o Poder Público Municipal vai lavar as mãos?
A verdade dos fatos é que pregar o assistencialismo nessas horas é mais proveitoso politicamente do que resolver os problemas na raiz. Assim como a indústria da seca; a da enchente é igualmente lucrativa para os donos do poder. Desde que o mundo é mundo essa prática asquerosa tem subsidiado as políticas sociais e conservado no poder inúmeras oligarquias no Brasil. Não há desculpa, porque certamente a Administração Pública não tem um plano estratégico para essa problemática. E há provas para fato. Quem duvida é só olhar ao seu redor e ver até obras públicas concluídas ou não em área de risco! Isso demonstra que nem Administração Pública respeita a lei e os fenômenos naturais.
Um plano estratégico para minimizar os danos das enchentes e fenômenos naturais é um conjunto de políticas estruturais que qualquer cidade do planeta deve adotar. Há recursos através da Caixa Econômica, BNDES, BIRD, BID, Ministérios sobretudo das Cidades e Integração Nacional, dentre outros que financiam tais ações. Por isso não desculpa! Há verbas e o que falta é simplesmente a Administração Pública se tocar e resolver o problema!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Letras que podem ser musicadas

SAUDADE JAGUARUANENSE





Dos olhos caem lágrimas de uma saudade

Que maltratam com maldade esse pobre coração

Eu sinto falta do rincão velho estimado

Que no poema é retratado como uma recordação



Eu vou voltar

Minha Jaguaruana

Esperei aí, que vou chegar!



Prepara a rede no alpendre lá de casa

Que hoje abro as minhas asas em direção do meu lugar

E vou cantar numa grande sinergia

Pra mostrar a alegria dos seus filhos a versejar



Eu vou voltar

Minha Jaguaruana

Esperei aí, que vou chegar!




Quero ver as suas praças, quero sua Matriz

E o povo tão feliz numa vida aperreada

Quero ver suas meadas colorindo o meu sertão

Quero a rede de algodão espalhada na calçada.



Eu vou voltar

Minha Jaguaruana

Esperei aí, que vou chegar!



Quero ver o “boi tisnado” dançando lá no Giquí

Da cultura que é dali quero ser abençoado

Quero um bom reisado do honroso Mestre Grilo

A rabeca de Quinco, pastoril e o que é sagrado!



Eu vou voltar

Minha Jaguaruana

Esperei aí, que vou chegar!

domingo, 5 de dezembro de 2010

UM ABOIO

POLÍTICA JAGUARUANENSE

O filósofo de Estagira, conhecido por Aristóteles afirmou, certa vez, que o ser humano é um animal político. Na visão aristotélica o cerne da política seria os esforços humanos para se conseguir a felicidade coletiva da Pólis (cidade). A política numa pequena conceituação a arte que busca o bem comum. Contudo em Jaguaruana essa palavra fora distorcida e considerada extremamente prejudicial ao desenvolvimento de uma cidade. Por muito tempo e ainda no presente, a política é utilizada para perseguir, destruir e perpetuar pessoas no poder. Meu torrão tornou-se refém daquilo que podia ser a sua redenção.  Muitos facínoras governaram minha cidade com propósitos pessoais e total detrimento da coletividade. O atraso é um cônjuge de minha cidade, vagueia por todos os lados. Ainda que indesejável por uma parte do povo, o atraso é uma figura pitoresca que não sai da boca dos antropófagos incultos.
E fica uma indagação no ar: quando o meu povo conheça a verdadeira face da política definida por Aristóteles?  

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um dedo de prosa dentro da poesia

CONFISSÕES A JAGUARUANA



Faço-lhe uma récita discordante
No palco de suas retinas miúdas
Teço meus sonetos sonolentos
No tear sublime de seus cabelos.

Nada me nutre a alma errante
Sem não há a sua essência rústica
O meu sangue minguado se confunde
Com o seu sangue mais puro.

Ó majestosa rainha
Que reina meus sentidos
Destroçar-me na saudade
De vê-la ainda que pouca.

Toda a minha lamúria
A voz e o grito artístico
Rendem-se a ti
Vertendo-se em gratidão.

Obrigado por tudo
Agradeço por nada
De ter nascido de seu ventre
E ser um pouco essa cidade.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

UM ABOIO DE MEMÓRIA

Na busca incessante de reconstruir a memória jaguaruanense:

"Na verdade, Manoel de Goes e seu filho Simão de Goes de Vasconcelos, obtiveram sesmarias em vários pontos do Ceará. “Na Memória de Feijó, a Chapada do Apodi é chamada Catinga do Goes. Em documentos de 1811, em que – para execução da Provisão Régia de 1793 – o ouvidor Rademaker dá posse à Câmara de Aracati so-bre certos terrenos, há também referência à Catinga do Goes. (...) Catinga do Goes era também o nome da povoação que deu origem à atual cidade de Jaguaruana”. (Cf. BRAGA, Renato. Dicionário geográfico e histórico do Ceará. Fortaleza: Im-prensa Universitária do Ceará, 1967. pp. 336-37.)"