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sexta-feira, 15 de abril de 2011

DIVINA COMÉDIA URBANA


ACRÓSTICO ERÓTICO PARA FORTALEZA!



Fascínios desabrocham dentro de mim acerca de ti

Obductas nos meus olhares de contemplação

Refestelando-me nos teus profanos mistérios gozosos

Traga-me ó cidade! Vertendo-me nessa fumaça hedonista

Ao copular diuturnamente com os meus desejos e angústias

Leve-me bordel de minhas alucinações sem alucinógenos

E amamente-me nos teus seios fartos de possibilidades       

Zurzindo os fantasmas que residem dentro de mim

Amável récita em que enceno quase toda a minha vida!





Parabéns, Fortaleza!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

DIVINA COMÉDIA URBANA

Beijei todas as orquídeas de conhaque

Naquela noite que saímos pela cidade
A minha e a sua vida como caiaque
Navegaram nesse asfalto da casualidade.


Entre saque e assalto, pureza e promiscuidade
A Deusa de concreto me alerta para o seu ataque
O ataque onírico cheio de paixão e banalidade
De uma cidade muda que grasna mil sotaques.


Eu só mais um, mas também sou um milhão
Não me aceito como um número natural
E nem um índice qualquer da população


Sou carne, osso, espírito e vendaval
Completo que insiste em ser fração
Citadino que nunca deixou de ser rural.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

DIVINA COMÉDIA URBANA

Quero os micróbios citadinos atacando minhas células bucólicas

Devorem o meu DNA caboclo e o sangue mameluco
Mas nada, ó micróbios inúteis!
Vocês atacam os outros e eu não
Será que eu sou imune?
Devo ser!
Então se afastem micróbios!!!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

DIVINA COMEDIA URBANA

A cidade, ontem, beijou-me a boca

Queria ter bebido uma garrafa de vinho
Mas ela se foi sem me dizer nada
Onde está a cidade?
Será que está lá na esquina?
Onde está a cidade?
Será que no porto... do Mucuripe?

Anteontem a vi de passagem
Apertada num coletivo
Indo... sei lá para onde?


Às vezes me pergunto
Onde adormece a cidade?
Onde ela janta ou almoça?
Onde cidade?
Onde


Eu procuro inutilmente
E não acho a cidade.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

DIVINA COMÉDIA URBANA

As luzes artificiais escondem-me as luzes das estrelas
Trago o óleo diesel nas ruas da cidade
Não há como suportar toda essa urbanidade
Se dentro de mim o bucólico é mais atraente
Tenho sofrido com essa convicção paradoxal
Isso mesmo!
A cidade é um paraíso para muitos
Mas para mim é um purgatório
Que me direciona para o inferno

Desculpe-me os adoradores da urbanidade
Mas eu prefiro ver a vida passar mais lentamente
Sem coletivo lotado e nem engarrafamento

Quero-a assim lentamente, sem aperreios
E tranqüila
Como um dia de domingo na província. 

domingo, 29 de agosto de 2010

DIVINA COMÉDIA URBANA

Os carros passam
E vidas vão neles
Há vidas ao redor
Vidas enclausuradas
Regozijando a falsa liberdade
De um ser cimento e concreto
Que corre nas veias: a cidade

terça-feira, 24 de agosto de 2010

DIVINA COMÉDIA HUMANA

TROVA URBANA

Cidade apocalíptica
Deixe-me beijar o armagedon
O mundo que eu conheço
São as dobras do edredom.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

DIVINA COMÉDIA URBANA

Ó cidade-vênus
O que se esconde no teu púbis?
Ó cidade-apolo
Aposto que anda tomando anabolizantes.
Ó cidade-zeus
Reduza o barulho desses trovões
Ó cidade-deus
Quais são os teus Santuários?
Ó cidade-orixá
Aonde é que está baixando?
Ó cidade-atéia
Não esqueça de rezar por seus deuses.

terça-feira, 25 de maio de 2010

DIVINA COMEDIA URBANA


Meu olhar contorna a órbita da tua visão
Numa sensação obscura de um déjà vu
Ou será um déjà vécu? Um êxtase do espírito
Desintegro-me no raio da visão que vem de ti
Para renascer solilóquio no meio da multidão
Quem ostenta essa visão lancintante?
Essas púpilas cintilantes que me reveste de dúvida?
Essa dúbia sensação de estar só e acompanhado?
de estar vivo e finado?
Quem? Quem?!
Pandora!
A que tudo dá!
A que possui tudo!
Encarnada nessa cidade!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

DIVINA COMEDIA URBANA

Erga-se leviatã de concreto, arame e solidão
De sua lagoa de asfalto em que nado
Aturdido pelos embustes à moda do fado
Devora-me os resquícios da paixão!
Erga-se Leviatã de pedras, caibros e aglomerado
Que eu pulso dentro do seu coração
O seu canto sacrossanto é também minha canção
Que eu canto todo amarrado!
Meu sangue é a sua urina no muro
O seu passado copula o futuro
Na busca de um orgasmo temporal
E o que sou? Um poeta sem cabedal!
Um anjo pobre meramente impuro
Recheado por uma alma rural.