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domingo, 4 de setembro de 2011

UM ABOIO


INTROSPECÇÃO CITADINA



Jaguaruana, meu berço fulgurante, nos dias que se aproximam de seu aniversário, fiquei imbuído por uma introspecção. Bem da verdade não seria um mergulho em mim, mas é como se eu me colocasse no lugar da cidade e esboçasse uma introspecção citadina. E como em toda avaliação, ainda esta seja um tanto esdrúxula, surge inúmeras indagações que por incrível que pareça continuam sem respostas, apesar de nossa história tão longeva. Estamos à véspera de uma nova eleição municipal e esta introspecção citadina é importante ser feita por todos os cidadãos jaguaruanenses. Alguns talvez vão dizer que seja cedo fazer qualquer avaliação eleitoral, ainda mais se não há a formação de um quadro político definitiva para o embate. A estes eu digo que a introspecção não está preocupada em nomear pessoas ou denominá-las como mocinhos ou vilões, é algo mais pessoal, ou melhor, mais cidade, se assim posso me expressar. Seria o conflito do “eu”, como se este “eu” – reitero – fosse Jaguaruana.

Cada munícipe deve montar mnemonicamente o seu retrato de cidade. Isso que descrevo aqui pode parecer algo onírico, idéias alicerçadas em bases incorpóreas, cuja sustentação dilui-se ao menor confronto com a realidade. Engana-se o leitor que entender por este prisma. Quando uso a palavra introspecção, apesar do viés psicológico, a sua aplicação tem um efeito direto na esfera realística de nosso cotidiano. Particularmente, tenho pensado demasiadamente em fomentar um grupo de discussão política (sob a luz da ciência política) e de formular um documento de intenções que poderia ser assinado e registrado em cartório por todos os candidatos ao Paço Municipal, também sei que não disponho desse tempo. Por isso no momento queria sugestionar aos amigos, colegas e todos os jaguaruanenses essa introspecção tecida no silêncio de cada íntimo.

Agora de nada vai adiantar essa introspecção citadina, se a mesma adormecer na omissão que reproduzimos no dia-a-dia. Ela deve demonstrada nas ações políticas que cabem ao cidadão, na formação da opinião pública local e, sobretudo, nas plataformas políticas dos possíveis candidatos. Nesse dias festivos de aplausos e alegria, não vai custar nada a qualquer cidadão tentar – cada um do seu modo – personificar “Jaguaruana” dentro de si.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

UM ABOIO

SALÁRIOS, MENTIRAS & VIDEOTAPE: O que será de nossa educação?



Alguns vão lembrar aquele filme: ”sexo, mentiras & videotape” e não estão errados. Pena que o remake que está sendo dirigido pelo nosso governador infelizmente é uma versão trash que Steve Soderbergh ficaria de cabelo em pé! E por ter uma sinopse completamente diferente da obra de Soderbergh, o título deste filme inglório teria que se compatível ao contexto que vivemos atualmente. Vamos aos meandros do filme:



SALÁRIOS



            O preâmbulo desta nefasta obra cinematográfica, genuinamente cearense, começa com a polêmica aprovação do Piso Salarial dos Professores (uma das poucas ações benéficas do governo brasileiro desde os primórdios da República) e sua ardilosa contestação de constitucionalidade perante o STF. Contudo, o que o “Diretor” da película Cid Gomes não esperava era que o seu filme fosse transcender script adquirido vida própria. O STF contrariando as vontades despóticas do “Diretor” votou pela constitucionalidade do Piso, favorecendo milhares de professores. O “Diretor” ao perceber que sua obra tinha criado autonomia, decidiu comandar ao modo rústico dos “Ferreira Gomes” passando por cima do arcabouço jurídico e das atribuições políticas de um mandatário.

            Frente à atitude despótica de um “Diretor” que perdeu as rédeas de seu filme, os professores cobertos de razão instauram uma greve. A adesão da classe fora bastante significativa o que fez o “Diretor” explodir num narcisismo político que beira o limite da desinformação. Se o script havia criado vida própria, agora era o elenco que se rebelava e isso era ponta de um iceberg que poderia acabar por destituir o “Diretor”.



MENTIRAS

            Quando eu ainda era menino, os velhos ateneus criavam o falso arquétipo que a arte de ensinar era um sacerdócio. Os professores eram monacais que de seus templos de doutrinação deveriam fazer votos de pobreza, de humildade e de mordaça. O sacerdócio da educação tornava-se uma forma de omitir o dever do Estado de ofertar educação de qualidade, transferindo a responsabilidade para o cidadão e este deveriam se preciso sacrificar a própria vida pelo ensino. Alguns dos meus ex-professores viveram a essa mentira sem perceber que a cada dia eram subtraídos naquilo que é mais caro para o ser humano: a sua dignidade. Nunca foram reconhecidos pelos seus esforços extra-humanos, adoeceram com o pó de giz e as precárias instalações escolares e deram as suas vidas para eu (e tantos outros) pudessem sonhar com um país melhor. É preciso desfazer essa mentira: PROFESSOR É PROFISSÃO!

            “Diretor”, por favor, diga-me: “Professor não pode sonhar?” “Não pode ter casa?” “Não pode ter comida?” “Não pode receber salário?”. Acredito que nem os padres ou pastores viveriam em prol de seu sacerdócio sem casa, sem ajuda de custo, sem comida e sem sonho. Os padres e/ou pastores ainda tem outra vantagem fronte aos professores: o reconhecimento! Mas agora eu entendi que o “Diretor” quer que o seu elenco (os professores) trabalharem de graça. Amigo “Diretor” há tempos que o professores trabalham de graça para o Estado, porque o que eles recebem não pode ser chamado nem em ajuda de custo. Há professores no interior do Ceará que ganha R$ 150,00 por mês, por vezes menos que o bolsa-família. Isso não é trabalhar de graça?

            Outra mentira é a glamorização dos prédios educacionais com intuito ardiloso de dizer que a educação está evoluindo. Puro narcisismo político! A transformação educação não pode ser capenga ou incompleta, sob pena de nadarmos e morrermos na praia. Tornam-se em vão os investimentos nos prédios, se o humano que vai usá-los não consegue suprir suas necessidades primárias. A educação só vai mudar realmente neste país, no Nordeste e no Ceará quando for democratizado e quando falo democratizado não me refiro tão somente a decisões pré-estabelecidas por uma estância maior. As decisões educacionais não pode se concentrar nas mãos de poucos; como se estes tivessem a plena noção das necessidades de todos.



VIDEOTAPE

            E o termo acima é bastante adequado para se falar de um arcaísmo que se esconde nos anos eleitorais. A figura do professor nos discursos políticos é quase santa (outra vez algo ligado ao sacerdócio), a sua função social dentro do contexto de nação é tão importante (e às vezes até mais) que um médico, engenheiro, executivo e até mesmo um mandatário político. Pena que as analogias só ficam na seara de cargos e funções, o bom mesmo é que o salário dos professores fosse equiparado aos dos médicos, dos engenheiros, dos executivos e dos mandatários políticos. Eu não se vocês perceberam, mas os discursos políticos acerca dos professores são videotapes; ou melhor, uma espécie de déjà vu que se apresenta como déjà entendu que é proferida só para arrancar aplausos dos distraídos e bajuladores de plantão. O problema destes discursos-videotape que eles são alicerçados na hipocrisia e na incongruência política; que juntas ocultam o arcaísmo de que educação não dá votos e que sua disseminação pode tornar a nossa nação perigosamente autônoma: pesadelo de qualquer sistema corrupto.                   



QUANDO SERÁ “THE END”?

            As próximas cenas deste filme infame já trazem contornos extraordinários. O poder judiciário entrou no filme como vilão coadjuvante tentando criminalizar um direito constitucional dos professores, através de uma decisão inverossímil que se assemelha aos efeitos especiais hollywoodianos: será um golpe do “Diretor” procurando tomar a direção do filme? Não sei!

            Só sei que sinto vergonha de se representado por um Governador (apesar de não ter votado nele) que humilha as pessoas que mais admiro e devo imensurável gratidão: os professores!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

UM ABOIO

ONDE ESTÁ O EXEMPLO?



A famosa Lei seca é o apelido dado a Lei nº 11.705 de 19 de junho de 2008 que proíbe o consumo de álcool por condutores de veículo, quando este estiver dirigindo. Nos últimos tempos legisladores tem sido pegos pelos tentáculos invisíveis da dita lei e os mesmos, ainda que não se tenha comprovado os seus estados, recusaram-se a soprar no bafômetro. Alegações defensivas a parte, os legisladores tem demonstrado no mínimo um mau exemplo perante a opinião pública. O primeiro a ser pego fora o senador Aécio Neves, depois veio o Índio e por último nesse dias o Romário. Todos se recusaram a soprar o bafômetro, utilizando-se do pretexto legal de não produzirem provas contra si; algo plausível. Mas como diz aquele velho adágio: é legal, mas não é moral. Os legisladores estavam dentro de seus direitos legais quando da recusa, contudo que eles como os construtores da lei (inclusive daquele em que foram acometidos) deveriam pautar-se pelo bom exemplo, afinal os cidadãos brasileiros precisam se espelhar nos homens públicos para obedecer à lei. Os homens públicos devem seguir a lei com retidão, demonstrando ao cidadão que as leis existem para serem cumpridas desde que atendam o bem comum.

Agora já pensaram se todos se recusarem a soprar no bafômetro e pior que isso: se todos começarem a achar que lei não é para ser cumprida! Hoje é uma recusa de soprar no bafômetro, amanhã é uma quebra dos direitos humanos. Se nossas leis são falhas é porque temos homens públicos falhos. E se os homens públicos dão um exemplo de desobediência legal, com certeza o país pode a qualquer momento entrar num colapso jurídico.

Aos legisladores é bom não esquecer que mesmo tirando o paletó, o status de homem público não cai e o principio da moralidade lhe segue como uma sombra sob a luz.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

UM ABOIO


Fala-se na necessidade de um deputado estadual filho da terra, contudo essa iniciativa não nasce de um dia para o outro. O problema de algumas lideranças políticas que se candidatam ao cargo é que querem ia ao céu sem a prece, ou seja, não constroem um trabalho político conciso e querem que os eleitores embarquem nas suas lutas quixotescas. Quem trabalha com política sabe que uma liderança política a nível estadual tem que aglutinar ao seu redor força política de peso. Além disso, é preciso fazer seu nome na comunidade, na cidade e na região. Quando me refiro a fazer o seu nome não é fazer assistencialismo pirotécnico e nem estar na mídia local. Inicialmente é costurar parceria com lideranças locais, ser ponte de projetos sociais entre comunidades e governo, construindo laços políticos com nomes fortes no cenário político estadual e federal. A exemplo, das escolas de samba que começam a trabalhar para o próximo desfile na quarta-feira de cinzas. Os candidatos jaguaruanenses são iguais a peru de natal morrem de véspera. Mas por quê? Ora porque acham que a política só se processa nas vésperas e nas eleições, esquecendo que a política sobrepõe o tempo e o espaço.

Um grande exemplo que simplifica isso vem de um grande político chamado Luiz Inácio Lula da Silva, quando perdeu sua primeira eleição; sabe o que ele fez? Primeiramente ele entendeu que pouca gente o conhecia, não sabiam de sua história e nem tampouco entendiam seus planos políticos. Ali nascia a Caravana da Cidadania onde ele rodou todo o país se apresentando para o povo, inclusive esteve em Jaguaruana. Nessa viagem, ele nem se apresentava como candidato, mas sim apenas como um ativista das causas sociais. Não deu outra! Isso é lógica política!

Entendo que neste momento, aliás, em todos os momentos é primordial um representante de nossa terra genuinamente filho daqui, contudo não podemos colocar qualquer um só porque se diz filho de Jaguaruana. O buraco é mais embaixo! Tem que ser uma pessoa preparada, politicamente conciliadora e, sobretudo, democrática. Uma pessoa que não precisa de pirotecnia e nem esbanjamento de dinheiro para se mostrar que é o nome certo, contudo tem que ser presente – se possível onipresente. Que apresente uma plataforma de governo coerente (o que é mais difícil) e transmita confiança! Não adianta nessas horas dizer que um deputado jaguaruanense iria resolver alguma coisa; eu duvido. Já tivemos e nem por isso nossa cidade foi lembrada e muito menos beneficiada com alguma coisa; a história está aí para provar!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

UM ABOIO

Jaguaruana, 25 de junho de 2011

 Ofício nº 01/2011


Venho por meio deste instrumento com intuito de prover alguns esclarecimentos a Vossa Excelência que poderão ser de grande utilidade na escolha da cidade para a implantação da Universidade Federal Rural do Semi-árido – UFERSA. Vale salientar que não tenho intenção de mudar posicionamento e/ou escolha, mas sim municiá-lo com subsídios para que possamos fazer a escolha adequada. Através da imprensa cearense soube que a implantação da UFERSA está entre duas cidades: Jaguaruana e Morada Nova. Bem, como não poderia ser diferente, sou favor da implantação da Universidade na cidade de Jaguaruana. Ainda que eu seja suspeito, pelos meus vínculos a cidade, contudo acredito que meus argumentos são cabíveis e pertinentes. Ei-los:

·         Primeiro: a proximidade de Jaguaruana com o Rio Grande Norte possibilitará uma intercâmbio cientifico, educacional e cultural com a UFERSA de Mossoró;



·         Segundo: nossa vocação para agronegócio, sobretudo, a fruticultura. Somos um grande exportador para os mercados da Europa, América do Norte e países da Ásia. Além da fruticultura, a produção de arroz e outras culturas agrícolas demonstram o potencial do município para o desenvolvimento de pesquisas e experimentos para geração de alimentos;



·         Terceiro: Jaguaruana tem um imenso rebanho de ovinos e caprinos, sendo um dos grandes criadores dessa espécie. Os ovinos e caprinos são espécie que se adaptaram bem ao clima do semi-árido, tornando-se um foco de pesquisa e desenvolvimento educacional para Universidade. Principalmente, no assessoramento as comunidades carentes;



·         Quarto: Jaguaruana se situa no início da Chapada do Apodi com uma biodiversidade de grande importância. Além disso, a Chapada tem outras vantagens como paleontologia, geologia e agronegócio;



·         Quinto: nossa proximidade com a capital de Fortaleza através da BR 116 e CE 040, propiciando além do intercâmbio o escoamento de mão-de-obra;



·         Sexto: Jaguaruana também tem vocação para a extração mineral nas regiões serranas, inclusive com diversas mineradoras;



·         Sétimo: somos um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do Ceará e do Nordeste, através do trabalho realizado pela Ypióca;



·         Oitavo: temos uma das maiores reservas de carnaúbas do Ceará, sendo comprovada que a cera extraída aqui é de altíssima qualidade. Por essa questão já dispomos de um Memorial da Carnaúba, o primeiro do mundo;



·         Nono: Jaguaruana possui um respeitadíssimo setor têxtil com uma produção de redes de dormir e artefatos de algodão reconhecido pela sociedade cearense, nordestina, brasileira e mundial.

Acredito que os pontos levantados aqui são pertinentes e que demonstra que a implantação da UFERSA vai potencializar essas vocações que serão relevantes para o desenvolvimento de todo o Ceará. Não quero por essa questão no patamar de analogia (Jaguaruana/Morada Nova), mas sim ver as especificidades.

Quero finalizar esse instrumento desejando a Vossa Excelência votos de estima e apreço.

Cordialmente,

Moacir Ribeiro da Silva

domingo, 1 de maio de 2011

UM ABOIO


OS NEOCAPITALISTAS QUE SE DIZEM SOCIALISTAS E COMUNISTAS!

  

O Brasil curiosamente deve ser o único país do mundo em que as convicções partidárias e ideológicas não têm valor algum no processo político e democrático. Por incrível que pareça esses absurdos vem se arrastando desde o império. Naquela época existiam apenas dois partidos: os Conservadores e os Liberais. Esse bipartidarismo dividido por duas ideologias tão dispares, mas que não evitava o absurdo de na maioria das vezes os conservadores serem mais liberais que os Liberais e, por este turno, os Liberais serem mais conservadores que os Conservadores. E seguiu-se pela nossa história. Houve até Presidente vira-casaca que foi fascista, comunista e capitalista. Aliás, aqui se muda mais de tendência política do que de roupa.

Ao ver pessoas como: Luizianne Lins, Inácio Arruda, Cid, Ciro Gomes e tantos outros que se proclamando direta e indiretamente como socialista e comunista, uma pergunta fica no ar: Será que essas figuras sabem o que dizem? Mesmo que fossem de tendência reformista, certamente, nenhum deles e os seus respectivos partidos não teriam nenhum plano de modificação do sistema capitalista. Na verdade eles estariam fundando o neocapitalismo, que na cabeça deles é um capitalismo socialista e/ou comunista! O caso do Inácio Arruda é o mais engraçado, para não diz trágico! Será que ele sabe o que é comunismo? O partido em que ele se filiou tem um histórico brioso nesse país e nasceu com o intuito de instaurar o sistema comunista em detrimento ao capitalismo. O que Senador tem feito por isso? Senador cadê a extinção das propriedades privadas em nome da coletividade? Karl Marx deve está batendo a cabeça no seu túmulo.

Luizianne Lins, prefeita de Fortaleza, disse certa vez que era socialista. Olho sua administração e não consigo ver um traço sequer de convicções socialistas. Pelo contrário, todas as ações de governo reafirmaram o poderio capitalista, ou melhor, o neocapitalismo.  Já o PSB (Partido Socialista do Brasil) de Cid e Ciro Gomes juntos com Luizianne e Inácio forma o chamado samba do crioulo doido das tendências políticas.
Na verdade, essas pessoas supracitadas são na verdade aquele tipo de gente que se diz no interior que acende uma vela para Deus e outra para o capeta, sendo a própria contradição em pessoa!       

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

UM ABOIO

A VELHA MENTIRA SOBRE O SALÁRIO MÍNIMO

 Todo início de ano no Brasil o Governo Federal trava uma luta hercúlea junto com o Poder Legislativo (Câmara de Deputados e Senado) no sentido de mensurar o reajuste do salário mínimo. Incrível que tal medida – nesse período - passa a ser o único ponto nevrálgico de todos os males, configurando-se como o equalizador de uma economia como um todo. Pode-se dizer que a política salarial está intrínseca a dimensão econômica, social e legal. Entende-se que a política salarial tem um impacto direto nas rendas das famílias, das empresas e do governo, resplandecendo nos fluxos de consumo, produção, financeiras e tributárias. Contudo, os discursos reducionistas de ver o salário mínimo como um estorvo econômico é esquecer que esse mecanismo de remuneração é, na verdade, uma via de mão dupla. Se nossa sociedade - como as demais – estivesse alicerçada na transparência de seus gastos e receitas, bem como expurgasse a especulação exacerbada, as maquiagens contábeis, a corrupção, a imprudência e a ingerência. Talvez o Governo enxergasse para além do rombo da previdência, déficit primário e retorno da inflação. O maior programa social de qualquer nação converge-se com a sua política salarial, através dela se reduz as disparidades da distribuição de renda e contribui para ascensão social de certos segmentos, por isso não se pode dar ouvido ao discurso capenga do governo que insiste em se conservar no prisma econômico. Além disso, o Governo esquece-se de uma garantia constitucional que deveria nortear a feitura de sua política salarial, transcrita na Constituição Federal de 1988, Capítulo II dos Direitos Sociais, art. 7º, inciso IV: “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”. Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) o salário mínimo para obedecer ao preceito constitucional que lhe deu origem seria necessário que o seu valor fosse de R$ 2.227,53 (valor incogitável pelo Governo).

  Se o Governo oferece a educação, a saúde, a moradia, o transporte, o lazer e uma previdência social digna, certamente, o valor de R$ 540,00 (proposta governamental) seria até demais. Acontece que o Governo não faz sua parte e busca sufocar a parte mais fraca nessa relação entre sociedade e Estado, sustentando o discurso de que não se pode ceder nenhum centímetro. A velha mentira sobre o salário mínino todos os anos veste-se com novas desculpas esfarrapadas, ocultando o verdadeiro vilão: o próprio Governo. Nesse caso, pergunta-se: o que o Governo tem feito para frear seus gastos que comprometem diretamente o superávit primário, esbofeteando nossa economia bem nas partes baixas; a reforma tributária quando sairá para dirimir as distorções que impedem o crescimento de nossas empresas; e a infra-estrutura? Percebe-se que a polêmica anual do reajuste salarial vai perdurar por algum tempo. Até que o Governo se toque e faça o seu dever de casa, parando de por a culpa no cachorro que comeu o seu caderno.

domingo, 20 de junho de 2010

UM ABOIO POLÍTICO

PC DO B: O “DEM” DA ESQUERDA!
O Partido Comunista do Brasil – PC do B – tem feito muito bem a sua melhor função nesses tempos lulistas: a sombra fiel do PT. Assim como PFL tornou-se ama-seca do PSDB quando estes eram governos, os comunistas do grande João Amazonas jogam os confetes da bajulação aos petistas poderosos.
Um partido do quilate do PC do B, uma das organizações políticas mais velhas do Brasil e da América Latina, não pode ser rebaixo ao papel de marinheiro de convés dentro do governo. A sua trajetória histórica nos tempos turvos da ditadura militar, quando vivia na ilegalidade, depois a democratização do país sobreviveu com louvor, sendo um dos precursores da campanha das “Diretas Já”. O PC do B sempre tem o protagonismo político, qualidade essa perdida quando Lula ascendeu ao poder.
Naquela instante, o PC do B incorporou o “DEM” no terreiro da governabilidade. Afrouxou-se, perdendo seu brio histórico que tanto marcou sua militância. A última de minhas argumentações veio com a decisão do PT Nacional de apoiar Roseana Sarney em detrimento do candidato Flavio Dino (PC do B) e sabe o que os comunistas fizeram? Ratificaram a decisão petista homologando o seu apoio a Dilma. Com tudo isso, para ser o “DEM” esquerdista o PC do B tem feito um papel muito melhor que do se imagina.