Mostrando postagens com marcador Peleja do Moacir com o Diabo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Peleja do Moacir com o Diabo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

GABINETE – (PELEJA DO MOACIR COM O DIABO) – PARTE 4


DIABO:
Meu chicote bem trançado
Vou tacá-lo no seu lombo
Eu só quero ver o tombo
No terreiro acentuado
Você tá amaldiçoado
Tanto aqui como no além
Eu comprei um cartão
Pra viajar no trem
Sem cartão ninguém vai
Sem cartão ninguém vem
Sem cartão ninguém dá
Sem cartão ninguém tem
Tanto vem como vai
Tanto vai como vem
Tanto tem tanto dá
Tanto dá como tem
Nem vem nem vai
Nem vai nem vem
Nem tem nem dá
Nem dá nem tem
Se você for poeta
Faça assim também
Minha casa é palacete
Quem não canta Gabinete
Não é cantor pra ninguém.


MOACIR:
Vamos ver quem nessa briga
Tem as mãos e o braço forte
Não suplique pela sorte
Nem tampouco faça figa
O meu soco na barriga
É pior do que de cem
Eu comprei um cartão
Pra viajar no trem
Sem cartão ninguém vai
Sem cartão ninguém vem
Sem cartão ninguém dá
Sem cartão ninguém tem
Tanto vem como vai
Tanto vai como vem
Tanto tem tanto dá
Tanto dá como tem
Nem vem nem vai
Nem vai nem vem
Nem tem nem dá
Nem dá nem tem
Se você for poeta
Faça assim também
Pare de fazer piquete
Quem não canta Gabinete
Não é cantor pra ninguém.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

GABINETE – (PELEJA DO MOACIR COM O DIABO) – PARTE 3

DIABO:
Me respeite seu moleque
Sou poeta com laurel
Mas você não tem plantel
Pois a sua honra tá em xeque
Renda-me salamaleque!
Se não quer ficar aquém
Eu comprei um cartão
Pra viajar no trem
Sem cartão ninguém vai
Sem cartão ninguém vem
Sem cartão ninguém dá
Sem cartão ninguém tem
Tanto vem como vai
Tanto vai como vem
Tanto tem tanto dá
Tanto dá como tem
Nem vem nem vai
Nem vai nem vem
Nem tem nem dá
Nem dá nem tem
Se você for poeta
Faça assim também
Vou chutar seu tamborete!
Quem não canta Gabinete
Não é cantor pra ninguém.

MOACIR:
Sem sai da linha reta
Eu conheço o seu passado
Eu já li o livro sagrado
E bem sei qual é sua meta
Isaías o profeta
Descreveu-lhe muito bem
Eu comprei um cartão
Pra viajar no trem
Sem cartão ninguém vai
Sem cartão ninguém vem
Sem cartão ninguém dá
Sem cartão ninguém tem
Tanto vem como vai
Tanto vai como vem
Tanto tem tanto dá
Tanto dá como tem
Nem vem nem vai
Nem vai nem vem
Nem tem nem dá
Nem dá nem tem
Se você for poeta
Faça assim também
Nem apanhe o sabonete!
Quem não canta Gabinete
Não é cantor pra ninguém.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

GABINETE – (PELEJA DO MOACIR COM O DIABO) – PARTE 2
DIABO:
Moacir nunca foi macho
Vive só na incubação
Não pode ver um negão
Que se enfeita com penacho
Vai chamando pro riacho
Pra mostrar o “xenhenhem”
Eu comprei um cartão
Pra viajar no trem
Sem cartão ninguém vai
Sem cartão ninguém vem
Sem cartão ninguém dá
Sem cartão ninguém tem
Tanto vem como vai
Tanto vai como vem
Tanto tem tanto dá
Tanto dá como tem
Nem vem nem vai
Nem vai nem vem
Nem tem nem dá
Nem dá nem tem
Se você for poeta
Faça assim também
O seu apelido é alfinete
Quem não canta Gabinete
Não é cantor pra ninguém.
MOACIR:
Esse bicho do meu lado
É um sujeito bem sisudo
Apesar de ser chifrudo
De feder o condenado
E já foi até escorraçado
Pelo homem de Belém
 Eu comprei um cartão
Pra viajar no trem
Sem cartão ninguém vai
Sem cartão ninguém vem
Sem cartão ninguém dá
Sem cartão ninguém tem
Tanto vem como vai
Tanto vai como vem
Tanto tem tanto dá
Tanto dá como tem
Nem vem nem vai
Nem vai nem vem
Nem tem nem dá
Nem dá nem tem
Se você for poeta
Faça assim também
Você tá “chei” de cacoete
Quem não canta Gabinete
Não é cantor pra ninguém.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

GABINETE – (PELEJA DO MOACIR COM O DIABO) – PARTE 1

DIABO:
Vou cantar em outro estilo
Porque sou bom na poesia
Quero ver a sua fobia
Feito medo de pupilo
Estou igual a um crocodilo
Pra lhe levar lá pro além
Eu comprei um cartão
Pra viajar no trem
Sem cartão ninguém vai
Sem cartão ninguém vem
Sem cartão ninguém dá
Sem cartão ninguém tem
Tanto vem como vai
Tanto vai como vem
Tanto tem tanto dá
Tanto dá como tem
Nem vem nem vai
Nem vai nem vem
Nem tem nem dá
Nem dá nem tem
Se você for poeta
Faça assim também
Sinta o peso do porrete
Quem não canta Gabinete
Não é cantor pra ninguém.

MOACIR:
Vai levar samba de pau
O cantador de sua marca
Quero ouvir toda comarca
Lhe chamando: canelau!
Vou chamar a bacurau
Pra prender um Zé Ninguém
Eu comprei um cartão
Pra viajar no trem
Sem cartão ninguém vai
Sem cartão ninguém vem
Sem cartão ninguém dá
Sem cartão ninguém tem
Tanto vem como vai
Tanto vai como vem
Tanto tem tanto dá
Tanto dá como tem
Nem vem nem vai
Nem vai nem vem
Nem tem nem dá
Nem dá nem tem
Se você for poeta
Faça assim também
Vê se aprende algum macete
Quem não canta Gabinete
Não é cantor pra ninguém.

sábado, 11 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

É Treze por doze (Peleja de Moacir com o Diabo)
Parte 8

DIABO:
Não adianta denegrir
Minha imagem é intocável
Mas já você é deplorável
Pois só quer me infringir
Olhe aqui seu Moacir
Vá viver nos cabarés!
É treze por doze, é onze por dez
É nove por oito, é sete por seis
É cinco por quatro, mais um
Mais dois e mais três...
A sua lira não é de nada
Só sabe fazer zoada
O cantador de vocês.

MOACIR:
Sua imagem é mais fuleira
Que a ficha de um criminoso
Você foi um anjo maldoso
Que no céu por sua sujeira
Fora expulso na carreira
Com um monte de infiéis
É treze por doze, é onze por dez
É nove por oito, é sete por seis
É cinco por quatro, mais um
Mais dois e mais três...
Louvado seja o Senhor!
Não passa de um perdedor
O cantador de vocês.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

É Treze por doze (Peleja de Moacir com o Diabo)
Parte 7
DIABO:
Não me morda o calcanhar
Que eu não vou morder o seu
Eu não gosto de plebeu
De uma origem tão vulgar
É melhor você calar
E vá fazer os seus galés
É treze por doze, é onze por dez
É nove por oito, é sete por seis
É cinco por quatro, mais um
Mais dois e mais três...
Pense num cabra mofino
Se requebra e fala fino
O Cantador de vocês.
MOACIR:
Eu sou pedra no sapato
Uma mosca na sua sopa
E você é pano de estopa
Cozido de pé de pato
Aquilo que enterra o gato
Faxineiro de convés
É treze por doze, é onze por dez
É nove por oito, é sete por seis
É cinco por quatro, mais um
Mais dois e mais três...
Tou do lado de um nojento
Tolo, pobre e lazarento
O cantador de vocês.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

É Treze por doze (Peleja de Moacir com o Diabo)

Parte 6



DIABO:

Um cabra com sua feiúra

Nunca foi feliz na vida

Tem a saga corroída

Pela força da amargura

Um sujeito sem postura

Parecido aos batorés

É treze por doze, é onze por dez

É nove por oito, é sete por seis

É cinco por quatro, mais um

Mais dois e mais três...

Meu canto ninguém contesta

Eu vou dar murro na testa

Do Cantador de vocês.



MOACIR:

As moças quando me ver

Ficam logo em alvoroço

Me chamando de bom moço

“Eu quero te dar prazer

E contigo eu vou viver

Dando amor e cafunés”

É treze por doze, é onze por dez

É nove por oito, é sete por seis

É cinco por quatro, mais um

Mais dois e mais três...

Não vá mexer no meu angu

Pois é grande o sabacu

No Cantador de vocês.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

É Treze por doze (Peleja de Moacir com o Diabo)

Parte 5



DIABO:

Minha lira tem valor

Vale mais do que ouro e prata

Enquanto a sua fere e mata

É coisa de perdedor

Você é mesmo um fingidor

Não merece rapapés

É treze por doze, é onze por dez

É nove por oito, é sete por seis

É cinco por quatro, mais um

Mais dois e mais três...

Mandem trazer um penico

Que hoje quem paga mico

É o cantador de vocês.



MOACIR:

Mas se valesse dinheiro

Sua lira de Cantador

Não nutria um beija-flor

Fastioso em cativeiro

Coitado do bodegueiro

Que esperasse por seus réis

É treze por doze, é onze por dez

É nove por oito, é sete por seis

É cinco por quatro, mais um

Mais dois e mais três...

Na viola não bombeio

Pense num bicho que é feio
O cantador de vocês.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

É Treze por doze (Peleja de Moacir com o Diabo)
Parte 4
DIABO:
Quando canto o meu repente
Pega fogo na floresta
O planeta se abre em festa
O sertão nadar na enchente
Mas já sua arte é deprimente
Não valendo nenhum réis
É treze por doze, é onze por dez
É nove por oito, é sete por seis
É cinco por quatro, mais um
Mais dois e mais três...
Tenho a força de Sansão
Sendo um grande charlatão
O cantando de vocês.
MOACIR:
Quando começo a cantar
Espoca o sol e cai a lua
A lira sai pela rua
A prosa bebe no bar
E quando é seu versejar
O mundo sofre um revés
É treze por doze, é onze por dez
É nove por oito, é sete por seis
É cinco por quatro, mais um
Mais dois e mais três...
Sou Sargento e você cabo
Vou cortar o longo rabo
Do cantador de vocês.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

É Treze por doze (Peleja de Moacir com o Diabo)

Parte 3



DIABO:

Olhe o respeito mortal

Que você tem que saber

Se quer mesmo merecer

A fama de genial

Saiba que sou maioral

O melhor dos bacharéis

É treze por doze, é onze por dez

É nove por oito, é sete por seis

É cinco por quatro, mais um

Mais dois e mais três...

Vou selá-lo num estalo

Pois não passa dum cavalo

O cantador de vocês.



MOACIR:

Mas ser cavalo é melhor

Do que ser bicho chifrudo

Sou sujeito bem massudo

Meu talento é bem maior

Sendo que você é o pior

De todos os menestréis

É treze por doze, é onze por dez

É nove por oito, é sete por seis

É cinco por quatro, mais um

Mais dois e mais três...

Eu não sou de engoli sapo

E será hoje que eu capo

O cantador de vocês.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

É Treze por doze (Peleja de Moacir com o Diabo)
Parte 2

DIABO:
Eu não fujo dessa rinha
Vou mostrar pra essa comarca
Que poeta da sua marca
Há tempos saiu de linha
É pior que uma galinha
Cantando que nem guinés
É treze por doze, é onze por dez
É nove por oito, é sete por seis
É cinco por quatro, mais um
Mais dois e mais três...
Eu cansei do seu “tô fraco”
Vai pular que nem macaco
O cantador de vocês.

MOACIR:
Eu suporto sua catinga
Mas eu não agüento o seu canto
O seu repente é um espanto
Que derruba inté mandinga
E você já perdeu a ginga
Um sujeito sem plantéis
É treze por doze, é onze por dez
É nove por oito, é sete por seis
É cinco por quatro, mais um
Mais dois e mais três...
Ô fedor exagerado
E só pode está cagado
O cantador de vocês.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

É Treze por doze (Peleja de Moacir com o Diabo)
Parte 1
DIABO:
Eu sou anjo da perdição
Vim aqui pra destruir
O pobre do Moacir
Lhe tirar a salvação
Quero ver sua prostração
Pra beijar aqui meus pés
É treze por doze, é onze por dez
É nove por oito, é sete por seis
É cinco por quatro, mais um
Mais dois e mais três...
O meu cantar é afinado
E levarei o condenado
Do cantador de vocês.
MOACIR:
Deus me livre do Tinhoso
Com as armas de Miguel
No cantar, sou bacharel
O meu repente é engenhoso
Vou expulsar o fedegoso
Na base de pontapés
É treze por doze, é onze por dez
É nove por oito, é sete por seis
É cinco por quatro, mais um
Mais dois e mais três...
Não caia do tamborete
Que hoje eu meto o cacete
No cantador de vocês.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

DIÁLOGOS CORDELESCOS

PELEJA DE MOACIR COM O DIABO


Diabo –
O meu cantar é estrondoso
Virulento e letal
Vou pra frente, vou pra trás
No mundo não tem igual
Eu sou homem aclamado
Sou um cantador magistral.

Moacir –
Também tenho cabedal
Pra compor e pra cantar
Faço versos de improviso
Bem à moda popular
Não há ninguém no planeta
Que possa me acompanhar.

Diabo –
Não souberam procurar
Esqueceram do meu nome
Sou melhor de todo mundo
Sou cantador de renome
E você não canta nada
Você sabe passar fome.

Moacir –
Você não tem sobrenome
Só sabe falar besteira
Mas isso é tão natural
Para um filho de rameira
Que na vida tem tentando
Tampar o sol co’a peneira.

Diabo –
Vou curar a sua cegueira
Com o meu pau de jucá
Vou carimbar teu espinhaço
Seu besouro mangangá
Quero ver você quebrado
Cabeça de carcará.