quinta-feira, 18 de agosto de 2011

ADIVINHAÇÕES POPULARES


ADIVINHAÇÕES POPULARES
 

Um vem da casa do trigo
O outro nasce do animal
Que apesar de diferentes
Eles fazem um casal
Pode ser a qualquer hora
Mas é bom no matinal.












Resposta: Pão e manteiga.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ADIVINHAÇÕES POPULARES


ADIVINHAÇÕES POPULARES

Dente que não morde
Cabeça que não pensa
O que resta dessa réstia
Quem soube ganha uma prenda!
 













Resposta: Alho

domingo, 14 de agosto de 2011

DIÁLOGOS CORDELESCOS

TROVAS SERTANEJAS - II

Doce bom é quebra-queixo
Feito pelo Seu “Manel”(*)
Faz mulé pegar marido
E dá juízo pro argel.

A abelha que faz o mel
No pote que morre a sede
E é da mão de um tecelão
Que nasce a querida rede.

A minha trova é parede
Duro que nem uma ripa
Vou comer no Serafim
Um prato cheio de tripa.

Quero dar uma chulipa
Neste tempo-crocodilo
Dando um salve bem sonoro
Ao saudoso Mestre Nilo.

____________________________________________
(*) Nome abreviado do grande Doceiro Popular Manoel Martins de Almeida

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um dedo de prosa dentro da poesia


ODE DECANTADA À MIRELLA

A saudade é lâmina deveras afiada
Que me rasga as entranhas por dentro
Um sentir que lateja bem no centro
Desta minha alma tão fragilizada
E como dizer o que sinto a ti?
Se o meu sentir é incomunicável
É uma sensação quase imensurável
Que rompe a barreira do discenir
Por isso te enamoro na ausência
Beijo-te no vazio, afago a memória
Lembrar de ti é a minha única glória
É quando garimpo minha consciência.

Mirella, meus olhos são sentinelas
Que te guardam dos perigos ocultos
Meus braços são âncoras robustas
Que te guardam das garras dos obtusos.

Não temas a minha insanidade poética
Meu jeito exótico e bucólico de ser
Meus reles discursos de subverter
Que entoo e grito de forma profética
O amor oculta-se em faces diferentes
Desprezando o previsível e a retidão
O amor é uma flor no jardim das mentes
Que exala o perfume do poema e da emoção
Poderia mostrar-te mil formas de amar
E te ofertar uma galáxias de soneto
Mas como o amor não é branco e preto
Deixo-te livre para poder o pintar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

BAÚ DO ABOIADOR

Eu sou um grão desta terra açoitada
Sem água, sem rio, sem nada
Aonde os confins se abraçam
Num baile da fome e da desgraça
E eu quem sou em meio esta farra?
Um sertanejo vestido de sol e poeira
Ou um repentista de alma arranhada
Entoando poesias rasgadas na feira
Sou cada torrão desta terra queimada
Aonde Deus e o Diabo dançam capoeira
Ambos juntos aos negros da senzala
Pulam e dançam no terreiro de Pai Pereira
Sou a voz chorosa de uma beata donzela
A ladainha entoando como prece
Sou, antes de tudo, cabra da peste
Que não se vende e nem se entrega
Sou o Nordeste na sua forma mais tosca
Estou no rosto da lavadeira moça
Enamorando o rio de um forma louca.
Não sou mais que um homem sertanejo
Assim mesmo feio e cheio de desejo
De vê minha terra sempre verde
E não mais sofrer com a sede.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

DIÁLOGOS CORDELESCOS

TROVAS SERTANEJAS

Eu vinha com a castanha
E você com o caju
Eu pegue três avoantes
E você pegou um nambu.

No fogão só tem angu
No quintal só tem capote
Minha cerca é de mourão
No meu poço tem caçote.

Se a noitinha vou pro xote
Vou calçado de galocha
Pra passar o “Serafim”(*)
Rumo a Rua Padre Rocha.

Eu vi uma cabrita mocha
Na estrada do São José
A menina quando apronta
Tá querendo ser “mulé”.

Foi na fazenda Mundé
Que tomei banho de lata
Comida quando malfeita
Não se encosta nem barata.

Mas coisa boa é mulata
Que requebra no forró
Faz chover no meu sertão
Passa a perna no coió.
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(*) O nome dado ao trecho do Rio Jaguaribe na cidade de Jaguaruana-Ceará, mas precisamente próximo ao Taboleiro e Carnaubal.

domingo, 7 de agosto de 2011

DIÁLOGOS CORDELESCOS


TODOS CONTRA A BOCA-DE-LEÃO

Sua licença meu senhor
Sua atenção minha senhora
Que residem no sertão
Ao que vou falar agora
De um enorme malefício
Que assassina a nossa flora.

Pois já passa bem da hora!
De falar dessa ameaça
Que por dentro do sertão
Já se tornou uma desgraça
Atacando a carnaúba
Como a praga de uma traça.

Esse fato não tem graça
Tá na hora de acabar
Com a farra dessa planta
Vinda de Madagascar
Que no clima do sertão
Conseguiu proliferar.

E no sertão a se espalhar
Igualmente uma infecção
Ferindo nosso bioma
Que grande devastação!
Por isso que todo povo
Chamam: boca-de-leão.

Só pra dá uma explicação
Sobre essa planta invasora
Que é rasteira e trepadeira
Uma praga domadora
Cryptostegia grandiflora
É o nome da matadora!

Como uma metralhadora
E a explosão de uma granada
Cryptostegia grandiflora
Iniciou sua caçada
Na flora da caantiga
Na área que é devastada.

A caatinga infestada
Por essa planta estrangeira
Que domina todo solo
Onde está a carnaubeira
Maltratando o nosso símbolo
Igualmente uma matadeira.

Os nomes dessa fuleira
Nas quebradas do sertão
É “leite-de-bom-jesus”
Vulga “boca-de-leão”
"Unha-de-moça” e “viúva”
Até mesmo “Unha-do-cão”.

Chega de lamentação!
Não dá mais pra suportar
Essa boca-de-leão
É preciso exterminar
Cortando pela raiz
E buscando destocar.

Pra depois incendiar
Os seus ramos num local
Muito bem apropriado
Sem perigo ambiental
Impedido que essa planta
Continue com seu mal.

Sendo também ideal
Replantar carnaubeira
Nos locais de onde tirou
Essa planta sorrateira
Pra acabar com essa praga
De uma forma derradeira.  

Não caia nessa bobeira
De pensar que é natural
Que nada pode ser feito
Que a sua ajuda é trivial
Toda ajuda nessa hora
É, por demais, primordial.

O nosso carnaubal
Precisa dessa medida
Pra não entrar em extinção
A nossa “árvore da vida”
Insígnia do nosso Estado
Que tem que ser defendida.


MOACIR MORRAN