segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

UM ABOIO

UMA ANÁLISE DA POLÍTICA DE JAGUARUANA


Antes de se ater ao tema política é justa e necessária uma conceituação, ainda que superficial, percebe-se essa necessidade porque as pessoas na sua maioria confundem política com politicagem, amalgamando-as em só sentido semântico. A política refere-se à arte e/ou ciência ligadas à organização, estruturação e administração do Estado, a origem da palavra é grega e está arraigada aos procedimentos adotados dentro das Polis (cidades-estado), exemplo de cidadania e democracia para a época. A importância da política em nossa vida social transcende qualquer contorno que lhe for auferido, seus efeitos nas relações sociais são imensuráveis. Estreitando-se no âmbito dessa temática e restringindo-se aos efeitos da política na cidade de Jaguaruana, literalmente, adentramos num campo minado. A história política de Jaguaruana é quase inexistente, resumindo-se a uns poucos vultos suprimidos pela oligarquia coronelista que até hoje reina com feições mutáveis com o tempo. Tempos atrás, a cidade resumia-se a politicagem no seu sentido literal polarizado em dois grupos: bigode e chapéu. Sendo o bigode o grupo que ficou quase uma eternidade no poder, personalizado na figura de Chico Jaguaribe (muito bem retratado no trabalho cientifico do Mestre Francisco Antônio da Silva). Categoricamente, afirmo: foram épocas de treva extrema! Fraudes eleitorais, pistolagem, perseguição política, assistencialismo, clientelismo e um atraso teratológico. Depois vieram outros incapacitados e a palavra política tornou-se um palavrão que causava repulsa até o mais intelectual da cidade. Constata-se ainda hoje nos discursos esse apego ao arcaico e deplorável modo jaguaruanense de fazer “política”, coloca-se entre aspas porque política nunca fora isso que sempre pregaram aqui. Uma ruptura nessa situação execrável só acontecerá com sangue novo, sem vícios politiqueiros dos nossos abomináveis ancestrais, mas que não se engane que a velha oligarquia é camaleônica. Andam pairando novos coronéis intitulados salvadores da pátria em Jaguaruana, ofertando benesses supérfluas e distribuindo afagos. Aquele velho truque politiqueiro que é moda aqui e conhecido como: “pane et circus”. Ao fim disso tudo e se analisarmos o conceito de política e olharmos se em Jaguaruana há isso, categoricamente todos dirão que não. Diante disso, o jeito é torcer por um sangue novo, mas falo sangue novo mesmo! Que nos faça respirar a palavra política na sua essência mais pura.

UM ABOIO

PSICOGRAFIA DO MEU (ALTER) EGO

O meu gibão - minha primeira couraça - é tão fulgurante quanto o sol desse sertão. Eis que troto por entre galhos secos, cinzas e espinhos. Eu e meu cavalo somos únicos igualmente a um centauro descendente de Filira e Cronos – guardião das reses dispersas – rasgando uma “caatinga de Tessália” num trote empoeirado. O meu sangue moiro naquele instante excitou-me a cantar um canto arrastado que magnetizava as reses. O aboio que ora canto me escancara, exibindo as marcas indeléveis e invisíveis inerentes nos olhos. Comparo-me a essa caatinga de Tessália cheio de sequidão, sulcos e mormaço, contudo tudo isso é um embuste natural para se ocultar as riquezas que se acumulam por todos os lados naquela região. Assim sou: guenzo, trôpego e cabisbaixo, mas dentro de mim arde o fogo do inesperado que me faz hercúleo; que me faz centauro e que me faz um aboiador de versos.

Um dedo de prosa dentro da poesia!

MINHA QUADRILHA

Ó meu dá seu coração
Minha flor de cajueiro
Nessa noite de São João
Quero ser seu parceiro
Na quadrilha da vida
Com roupas de chita
Quero ser balão de cor
Quero ser o teu amor
Na pisada que se anuncia
Na explosão de alegria
Na voz desse cantador.

Ó saudade da quadrilha
Dos passos e da música
Que marca a minha trilha
Em cada centímetro da vida

Saudade do colorido

Do pano florido

Do rodopio

Das comidas

Do aluá

E da fogueira!

Dessa festa bem brasileira!

Letras que podem ser musicadas!

CANÇÃO DE CAPOEIRA N° 2

Eu sou negro
Que tenho espora

Sou negro
Besouro

Eu sou negro
Que tenho espora

Sou negro
Besouro

Luto capoeira
E defendo o nosso povo

Luto capoeira
E defendo o nosso povo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

UM ABOIO

FORA ANDROGINIA!


Vivemos tempos movediços, nada mais é facilmente decifrável. Talvez nunca tenham sido, mas o grande cerne da questão que quero levantar está ligado principalmente à androginia, cultuada como perfil ideal de estética. O mundo todo tem caminhado para uma indefinição de aparência entre masculino e feminino. O dualismo estético do binômio homem e mulher vem sendo extirpado para uma unicidade que realmente me assusta. Não que eu me enquadre na ala dos retrógados, para mim a discussão transcende isso, mas certamente vejo algo periclitante nisso tudo. Na minha óptica, a androginia é um artifício antinatural. É como se alguém ou alguma organização tivessem a intenção de estabelecer uma paridade sexual, com uma finalidade recôndita que minha medíocre inteligência ainda não conseguiu desvendar. Eles querem semear a interrogação aonde antes tudo era nítido. Vale salientar que também não é a minha intenção atacar o homossexualismo ou bissexualismo, que em alguns casos cultuam também a androginia. A minha preocupação é essa louvação exacerbada pela unicidade sexual misteriosa; uma espécie de pseudo-hermafrodita, que em nada nos acrescenta como essência humana. A diferenciação genética é fato, esses mecanismos naturais sobrepujam o nosso raciocínio e tem uma relação com equilíbrio da natureza. Não é questão de moralismo ou puritanismo nas suas formas mais toscas, mas sim uma negação obtusa da naturalidade e da biologia que nossa sociedade tem promovido através dessa nova tendência.
Talvez minha origem rude não me deixe ver a intenção benéfica da androginia a qual não consigo identificar com tanta clarividência. As organizações que incentivam esse novo modelo estético tem se balizado tão somente nos lucros vindouros. É o que eu vejo! Eu sou devoto da diferença e das singularidades que cada um de nós carrega dentro de nós. E que elas sejam exibidas e anunciadas aos quatro ventos, porque o que nos une é a diferença! Somos como imãs que se afastam quando suas polaridades são idênticas. Essa unicidade de aparências que as tornam confusas e propiciam uma ilusão de óptica não me interessam, são coisas supérfluas e que há opacidade nas suas intenções. Fora androginia!

Um dedo de prosa dentro da poesia

SONETO ESCATOLÓGICO À AUGUSTO DOS ANJOS

Na minha boca movem-se anelídeos
A devorar os fluídos da morte
Nênias cantadas por cicadídeos
Que repousando por sobre meu corte.

Meu corpo inerte, acinzentado e forte
Encoberto de seres formicídeos
E dentre outros bichos sarcofagídeos
Que vêem a vida ir pro lado norte!

A alma aprisionada canta um hino
Descarnando-se da minha couraça
Um hino que me revela a desgraça

A essência de um ser humano cretino
Que a sua liberdade é a lei da mordaça
E de pendor deverás messalino!

Letras que podem ser musicadas!

CANÇÃO DE CAPOEIRA Nº 1


Liberdade ecoou
Da boca de Olodum
Onde está meu amor?
Protegida por Ogum

Meu terreiro tem história
História do meu Brasil
Registrado na memória
De quem morreu pelo fuzil

Ê, ê, ê banto!
Ê, ê, ê banto!

Ê, ê, ê nagô!
Ê, ê, ê nagô!
Da nação do amor!

Liberdade ecoou
Da boca de Olodum
Onde está meu amor?
Protegida por Ogum

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

COCO TRAVA-LÍNGUA MORRANIANOS

EMBOLADOR 1:
Dado, dolo, dúbio, dela
Dela, dúbio, dolo, dado
Lado, lebre, libra, lobo
Lobo, libra, lebre, lado
Cabo, caco, cuba, cume
Gado, gabo, gago, gume
Gume, gago, gabo, gado.

OS DOIS:
Quero vê você travar
Quero vê você dizer
Mato, massa, maracá
Mutum, muçum, mussambê!(Bis)

EMBOLADOR 2:
Faca, face, falo, fado
Fado, falo, face, faca
Craca, crase, Crato, cravo
Cravo, Crato, crase, craca
Talo, tela, tico, tolo
Maca, mezinha, miolo
Miolo, mezinha, maca.

OS DOIS:
Quero vê você travar
Quero vê você dizer
Mato, massa, maracá
Mutum, muçum, mussambê!(Bis)

Letras que podem ser musicadas!

SOU VITALINO E SOU KXÃO

Eu sou vitalino,
Mas quero casar
Se eu não puder
Vou pro Kxão dançar!
Minha alegria é azul
Azul da cor do céu
Vamos ficar na pracinha
Fazendo escarcéu!

Venha seu Dedé!
Puxar o bloco da diversão
Vamos minha gente
Pois o meu bloco é Kxão!

Se você não casou
Não vá se preocupar
Aqui você tem espaço
Nessa festa popular
Minha alegria é azul
Azul da cor do mar
Vamos ficar na pracinha
Até o sol raiar!

Venha seu Dedé!
Puxar o bloco da diversão
Vamos minha gente
Pois o meu bloco é Kxão!

DIÁLOGOS CORDELESCOS

COCO TRAVA-LÍNGUA MORRANIANOS

EMBOLADOR 1:
Fila, fela, fora, fuça
Fuça, fora, fela, fila
Bila, berra, borra, burra
Burra, borra, berra, bila
Lata, lente, loto, luta
Pila, peca, polca, puta
Puta, polca, peca, pila.

OS DOIS:
Quero vê você travar
Quero vê você dizer
Mato, massa, maracá
Mutum, muçum, mussambê!(Bis)

EMBOLADOR 2:
Vela, voga, vulto, vila
Vila, vulto, voga, vela
Sela, saco, sola, suco
Suco, sola, saco, sela
Mato, meta, mito, muco
Cela, cica, cobra, cuco
Cuco, cobra, cica, cela.

OS DOIS:
Quero vê você travar
Quero vê você dizer
Mato, massa, maracá
Mutum, muçum, mussambê!(Bis)

Letras que podem ser musicadas!

É PRECISO, MESMO IMPRECISO!


É preciso lutar!
É preciso viver!
É preciso esperança!
Pro novo acontecer! (Bis)

Vive-se o tempo sombrio
O sangue na tela da tevê
Vive-se o egoísmo
Descarado e tão cínico
Vive-se o que não é vida
E a vida que dá para se ter
Vive-se o tão sofrível
O que é proibido dá prazer
Não, não, não, não, não, não
Não dá pra viver sem luta
Eu quero vencer!(Bis)

É preciso lutar!
É preciso viver!
É preciso esperança!
Pro novo acontecer! (Bis)


Vive-se o muito dinheiro
E o que é perfeito e da razão
Vive-se o manto científico
Que não é necessário o coração
Vive-se a dor e o pecado
No tempo sagrado a comunhão
Vive-se a fé tão pequena
Cortejamos somente a agressão
Não, não, não, não, não, não
Não dá pra viver sem luta
Eu quero vencer!(Bis)


É preciso lutar!
É preciso viver!
É preciso esperança!
Pro novo acontecer! (Bis)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

BAÚ DO ABOIADOR

ELEGIA CABOCLA A JAGUARUANA
(poesia revisada pelo poeta Guaipuan Vieira, grande poeta e cordelista)

Por aqui apontou Simão
De origem desconhecida
Pôs as botas nessa terra
Dessa forma fez a vida
Junto com Feliciana
Construíram uma cabana
Numa caatinga esquecida.

Na Caantiga do Góis
Sobrenome de Simão
Era nome do lugar
A sua denominação
Um rincão aconchegante
E que fica bem distante
De qualquer circunscrição.

Mas o tempo foi passando
Com muita velocidade
Jaguaruana ia criando
Um jeitinho de cidade
Mudou a denominação
Chamara-lhe de União
Um passo pra liberdade.

Antônio José de Freitas
Comandou tal movimento
Pois queria a emancipação
E o seu fortalecimento
Fez uma sociedade
Que deu nome a esta cidade
Com todo merecimento.

Partiu-se de Aracati
Com peleja e com ardor
Conquista de muitas mãos
Que lutaram com vigor
Pela paz e a harmonia
Sobre o brilho da alforria
E a força motriz do amor.

Co’a morte de seu Simão
Ficou só Feliciana
Que ofereceu seus terrenos
A Padroeira Sant’Ana
Com respeito e devoção
Acabando-se União
Pra se chamar Jaguaruana.

Jaguaruana esse nome
Vem do tupi-guarani
E o seu primeiro distrito
Eu sei bem que foi o Giqui
Que surgiu no Ceará
Isso ninguém pode negar
Entre o Iapoque e o Chuí.

No decorrer da história
Muita coisa aconteceu
Todos os fatos que marcaram
Que em cada tempo se deu
Com glórias e dissabores
Das vitórias e dos labores
Que o povo unido venceu.

Francisco Moreira Torres
Gerardinho, o professor
Antônio da Rocha Freitas
Padre Rocha, o benfeitor
E também o doutor Tião
Pedro Moreira escrivão
E o nosso Osmírio, o escritor.

O berço de Emília Freitas
Nossa maior escritora
Filha de uma geração
Colossal e inspiradora
Mulher de muita candura
E que na literatura
Foi grande libertadora.

Revolucionou as letras
Com seu jeito de escrever
A obra “Rainha do Ignoto”
É um romance bom de ler
Recomendo de Paixão
E com toda convicção
De quem já leu pra crer.

O grande Zé Rapadura
E o seu Pedro Evangelista
Cara Ivonete e Humberto
De vocação jornalista
Edson Sales, militar
E são muitos a contar
Pra completar nossa lista.

São muitas as gerações
Que lutaram com valor
Em nome deste rincão
Com tanta graça e ardor
Pois quero aqui registrar
Os que não pude lembrar
Com meus versos de penhor.

Segue o motor da história
Nas engrenagens da mente
No fulgor do antagonismo
E no dia-a-dia da gente
Que constrói nos seus anais
Outros dias mais divinais
Dum viver humanamente.

Protegendo a todo custo
Nosso presente e porvir
Sem perder nosso passado
Assim vamos progredir
Fazendo nossa história
Ladeado pela glória
A bonança há de vir.

A cidade mais bonita
Deste seco Ceará
É a minha Jaguaruana
Lugar bom pra se morar
Que guardo no coração
Nos versos duma canção
Do lirismo popular.

Todo o nosso Ceará
Ama-te de coração
Pois nossa Jaguaruana
Com suas redes de algodão
Já conquistou o seu mercado
“Neste mundo organizado
Da livre competição”.

Nas ondas destes meus versos
Minha lira ressoou
Exortando nessas rimas
Meu inesgotável amor
Só por ti Jaguaruana
Minha cidade bacana
Lugar de imenso valor.

Quem nasce por essas bandas
É um rebento triunfante
É benzido por Jesus
Nosso Senhor radiante
Tem muita maturidade
De morar nessa cidade
E daqui ser habitante.

Eis o lugar de repouso
Desta minh’alma serena
Onde canta o bentivi
Nos olhos duma morena
E meu poema rasteiro
Vai renascendo brejeiro
Nas pétalas da açucena.

Jaguaruana bendita
Jesus te der proteção
Que a virgem Maria interceda
Com louvor e oração
Aos teus filhos mais sofridos
Que vivem sempre esquecidos
Na hora da precisão.

O que escrevi não é exagero
Deste bardo singular
Que redigiu este livrinho
Mais um cordel popular
Sobre meu berço e cidade
Que venero de verdade
Ocê pode acreditar.

Vou ficando por aqui
Com minha lírica tão fria
Num versejar meio torpe
Com rimas sem harmonia
Advindas do coração
Cosidas com precisão
Submersas na poesia.

Quem se agradou co’os meus versos
Que aqui foi tipografado
Digo com convicção
“O meu muitíssimo obrigado”
E pra quem não se agradou
Minha rima não findou
Farei outro melhorado.

Um dedo de prosa dentro da poesia!

LOAS AO MARACATU!

Abram as vísceras das ruas!
A corte negra marca o compasso
De uma história que vem no passo
Na cadência do coração
Reis do Congo
Angola, Somália
Sudão!
A nobreza negra
Fala com a percussão
Braços gigando
Pés tocando
Um chão entupido de histórias!
Cheio de glórias e inglórias
De um Brasil do caruru
Que dança e profana
Ao som do maracatu!

DIÁLOGOS CORDELESCOS

FRASE DO MSN DE MIRELLA

Aqui só se começa o ano
Bem depois do carnaval
Sempre numa quarta-feira
Já conheço o ritual
Antes disso não tem nada
Já se tornou natural!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Letras que podem ser musicadas!

EU SOU DE JAGUARUANA


A minha cidade é tão pequenina
Mas tão imensa pro meu coração
Eu tenho orgulho de ser semente
Que nasceu desse chão
Eu sou desta terra; terra tão soberana
Eu sou do Brasil, do Ceará, de Jaguaruana (Bis)

O meu berço é minha rede
E eu tenho sede de versejar
Eu posso tá em Nova Iorque
Mas não esqueço o meu lugar
Eu sou desta terra; terra de Santana
Eu sou do Brasil, do Ceará, de Jaguaruana (Bis)

Tenho saudade do "Garranchim"
Da sua arte de bonecar
Eu sinto falta do Vem-vem
Com seu pandeiro embolar
Eu sou desta terra; terra tão soberana
Eu sou do Brasil, do Ceará, de Jaguaruana (Bis)


Terra do grande Mestre Nilo
E da parteira Agemira
Terra de inspiração
Que meu coração delira
Eu sou desta terra; terra de Santana
Eu sou do Brasil, do Ceará, de Jaguaruana (Bis)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

DIVINA COMÉDIA URBANA

UMA OUTRA CIDADE


O pó negro dessa cidade encastelada pelo medo
Banha-me a fronte com os sortilégios urbanos
Seus prazeres são enganos a alma
E sua falsa calma não me é acolhedora
Sua mudez ensurdecedora na solidão do condomínio
Torna-me refém de um sequestro invisível
Quanto será o meu regaste?
Quando será o meu degaste?
Faço minha arte na pseud'arte que a cidade me oferece
Eu não pereço, a cidade é quem perece!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

IMPROVISANDO PARA HELLEN!

Bem-vinda, minha princesa
Minha mais nova sobrinha
Vou talhando nessa linha
Um poema com nobreza
Pra celebrar a beleza
Do seu lindo nascimento
Receba meu cumprimento
Na forma de poesia
Escancarando a alegria
Dessa afeição que eu alimento.

UM ABOIO DE FELICIDADE!

NASCEU MINHA SOBRINHA QUERIDA: HELLEN LAVÍNIA!

Ontem no dia 05.02.2010 nasceu mais uma sobrinha e nova pessoa agregar nossa família. Hellen Lavínia (creio eu que se escreva assim!) nasceu naturalmente na cidade de Jaguaruana (também meu rincão estimado), sua vinda será reverenciada pelo carnaval e toda festa cortejará sua chegada em nosso meio. Por mais que seja um ato natural, o brotar de uma vida é um maior espetáculo que há nesse planeta! Um trecho do espetáculo “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto, ele poetiza esse ato tão marcante para qualquer ser humano:

Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

Seu Tio velho aqui te felicita e espera ver-te esbanjando alegria e saúde. Saiba que eu te amo muito!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

BAÚ DO ABOIADOR

(POESIA REVISADA POR GUAIPUAN, GRANDE POETA E CORDELISTA)

REDES DE JAGUARUANA - LITERATURA DE CORDEL


Nossa rede de dormir
A sua origem vou falar
É Pataxó, é Carajá
Guarani, Jê e Tupi
É potiguar e Cariri
Duma gleba descendente
Que nos doou esse presente
Patrimônio da nação
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.


Um produto brasileiro
Que se deveria admirar
“O leito suspenso no ar”
Que já cativou o estrangeiro
Desde o tempo primeiro
Da invasão delinqüente
A rede é sobrevivente
Da grande exterminação
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.


E começou co’a mulher
Pois só existia teceloa
Que fiava numa boa
Acredite se quiser
Contudo hoje essa arte é
Coisa de homem somente
O tecelão é aderente
Das pioneiras da fiação
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.


Mas essa arte bem tecida
Tem o cheiro do meu povo
Que canto em verso novo
O produto duma lida
Feitas por mão esquecida
Quase que constantemente
Uma injustiça inclemente
A uma gente sem proteção
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.

A aranha tece uma casa
O tecelão tece a vida
Na labuta reprimida
Como um pássaro sem asa
No ofício nunca atrasa
Por ser muito eficiente
Um artesão reticente
Que enamora o batelão
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.


Ao ver meadas ao ar
Desnudas e debruçadas
Colorindo nas calçadas
A vida desse lugar
Nesse ritmo a labutar
Vai fazendo o seu presente
E o seu futuro iminente
Com vigor e decisão
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.


Vai-se tecendo fio a fio
Na pancada do tear
O “artefato de deitar”
Insígnia de nosso brio
E por isto eu sentencio
Duma maneira decente
Com versos quase repente
Escritos de coração
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.


E vai tecendo o amanhã
Junto aos galos no quintal
Rompe o dia virginal
Com sua labuta artesã
Constrói arte mais que sã
Do que o horizonte rente
No alvorecer displicente
No dia do ganha-pão
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.

Entrançando cada cor
Como quem ouro lapida
E a cada rede que é obtida
Co’o esforço de seu labor
Introduz com mui primor
Seu talento reluzente
Que se mostra evidente
Em suas redes de algodão
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.

Eu conheço a tijupana
Olho de peixe, sol-a-sol
Só para falar do rol
De algumas redes bacanas
Que aqui em Jaguaruana
São feitas perfeitamente
Pelo reflexo da mente
Duma falange de artesão
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.

Também a rede-sofá
Mais um invento fecundo
Que encantou todo o mundo
É algo que vou registrar
O inventor foi Josemar
Que é daqui naturalmente
Merece solenemente
Toda nossa gratidão
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.

Não esquecendo o ermitão
Que este verso aqui destino
O amigo Juarez Delfino
Alvissareiro e artesão
Que viajou até o Sudão!
Divulgando diretamente
Nossa arte brilhantemente
Em tudo que era rincão
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.

A nossa Jaguaruana
È a terra da tecelagem
Ainda é posto à margem
Numa disputa sacana
Com tributos que se esgana
A condição deprimente
Dum enorme contingente
Que vive dessa ocupação
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.

E dessa forma opressora
A decadência é visível
Sendo certo e previsível
Que jaz a fonte produtora
Duma forma assustadora
Vergonhosa e demente
E que impiedosamente
Nos carrega pra extinção
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.

É preciso uma atenção
Se possível redobrada
Para coisa que é cantada
Nessa glosa de ocasião
Que se encontra na sua mão
E você ler lentamente
Esse poema indigente
Que tem o vulgo refrão:
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.

Pois saiba você leitor
Que devemos ajudar
Buscando então preservar
Nossa rede com vigor
Um produto de valor
Cada vez clarividente
Que numa reta ascendente
Só nos traz confortação
Tece, tece, tecelão
O amanhã da minha gente.

BAÚ DO ABOIADOR

(Poesia sem revisão)

"SAUDADE DE MINHA AMADA"


Todo tempo neste instante
É uma grande eternidade
Pra matar essa vontade
No meu coração pulsante
De um amor que tá distante
Bem longe dessa morada
E nesta noite enluarada
Do lado de minha égua
Eu quero gritar sem trégua:
Saudade de minha amada.

Essa falta é como um corte
Que dói até no meu lembrar
Não posso mais suportar
Uma dor que bate forte
Já não ligo nem pra morte
Nessa "vidinha" agoniada
Tão longe da desejada
A mulher que sempre amei
E o que sinto agora eu sei
Saudade de minha amada.

A saudade é ferro quente
É pancada de chinela
É bonança e é procela
Vira a cabeça da gente
Não tem essa de valente
Robustez incontestada
Quando por ela é atacada
O vivente se desmonta
A cabeça fica tonta
Saudade de minha amada.

E quando se pega o mal
Que já nasce dentro da alma
É preciso muita calma
Paciência descomunal
Pois fere como punhal
Toda essa falta danada
Sendo o fim da picada
Prum caboclo sonhador
E assim toco o meu clamor
Saudade de minha amada.

Amar é algo contrastado
Floresta vira deserto
O errado pode está certo
O certo pode está errado
Faminto fica saciado
A barriga cheia esfomeada
Liberdade aprisionada
Prisão sem nenhuma grade
Eu oro na mudez do frade
Saudade de minha amada.

Sei que o homem também chora
Quando perde um grande amor
E em mim já nasceu essa dor
Sinto de dentro pra fora
Rasgando-me como espora
Toda a carne castigada
E não tem dor comparada
Ao que sinto aqui no peito
E chorar é o meu direito
Saudade de minha amada.

Somos iguais nessa sina
Não temos como escapar
O efeito do verbo amar
Sempre é o que nos amotina
Nossa alma fica traquina
A vida melhor e ousada
Tem a sua carga pesada
Mas tudo isso vale a pena
Onde está minha pequena
Saudade de minha amada.

Vosmecê acha inté loucura
Esse meu desejo tolo
Mas a mulher é um consolo
Pra quem vive na amargura
Solidão é uma sepultura
Escura, funda e fechada
Que deixa alma atormentada
Suplicando uma atenção
Digo com toda paixão
Saudade de minha amada.

Lembro-me daquele dia
Em que a vi a primeira vez
Tava domando uma rês
De seu pai, Seu Zé Maria
E quando eu vi aquela "cria"
Naquela cerca escorada
Perdi o rumo da jornada
Não morri por uma sorte
E hoje canto até a morte:
Saudade de minha amada.

Moça branca como a lua
Cabelo cor de carvão
O corpo que nem violão
Um olhar que insinua
A qualquer homem da rua
Do sertão e de outra parada
A olhar mulher tão encantada
Mulher linda de se ver
Diga se não dar pra ter
Saudade de minha amada.

Sua voz serena a ressoar
É brisa de litoral
Assanhando o coqueiral
E crespando todo o mar
Na sua boca um paladar
Da fruta mais desejada
A minha alma enfeitiçada
Que parecia até com fome
Vivia dizendo o seu nome
Saudade de minha amada.

Mas antes dessa menina
Meu coração era calado
E batia meio retardado
Não tinha essa adrenalina
Agora tá como usina
Pulsa que nem batucada
O amor em mim fez morada
E daqui nunca mais saiu
Eita que paixão febril!
Saudade de minha amada.

Tudo foi como um trovão
Fazendo muito barulho
Minha vida era um bagulho
Tornou-se outra coisa então
Algo sem explicação
Toda uma vida mudada
Duma forma acelerada
Que ninguém podia explicar
Como é grande o meu penar
Saudade de minha amada.

Mas já era tarde demais
Pra mudar o sentimento
Tirar do meu pensamento
Aquela moça sagaz
E eu gostava ainda mais
Desta moça tão arretada
E que passava enfeitada
Nem olhava pro vaqueiro
Canta meu lembrar brejeiro:
Saudade de minha amada.

Recordo-me bem de um dia
Em que em nós nasceu a paixão
Olhares em colisão
Bem no meio da vacaria
Eu e ela em pura sintonia
Parecia um conto de fada
Que em poesia agora é cantada
Por este poeta vulgar
Que vive sempre a gritar:
Saudade de minha amada.

Vivemos o nosso amor
Por dentro de matagais
Sem saber os nossos pais
Não quisemos nada expor
Era eu ente de Lavrador
Ela de família abastada
Nossa paixão era vetada
E pras famílias proibido
Recito mesmo ferido
Saudade de minha amada.

Mas o capeta um dia apronta
Não tardava a nossa vez
E mal completara um mês
Não chegou a fechar a conta
Nosso destino então afronta
Nos leva pruma emboscada
Seu Zé Maria e a tropa armada
Nos preparou uma tocaia
Falo e ninguém empaia
Saudade de minha amada.

O amor não sabe contar
Tanto faz um mês ou cem
A razão não explica bem
Como é que isso então se dar
E quem sou eu pra discordar
Do que não se sabe nada
Mesmo achando adiantada
Nossa relação escondida
A paixão era garantida
Saudade de minha amada.

Nós escapemos daquilo
Tivemos foi muita sorte
E quase vimos a morte
Ressoando o seu sibilo
Ninguém mais tava tranquilo
A coisa ficou pesada
A nossa paixão ameaçada
Nos deixava em aflição
E versou o meu coração:
Saudade de minha amada.

Cada dia ficava pior
Até que um dia aconteceu
Meu coração ali morreu
Pois não havia dor maior
Do que o fardo de estar só
Na solidão dessa estrada
É melhor uma facada
No ventre e no coração
Que viver essa emoção
Saudade de minha amada.

E naquele dia mesquinho
O seu pai; velho selvagem
Mandou a moça fazer viagem
Desfazendo o nosso ninho
Hoje vivo aqui sozinho
Co'a minha viola surrada
Canto a tristeza velada
Numa tão linda canção
Que tem o triste refrão
Saudade de minha amada.

Hoje não tenho notícia
Desse amor de juventude
Nunca mais tive quietude
Nem amor, paixão e carícia
Fiquei como uma milícia
Sempre esperando a chegada
De uma mulher distanciada
Há tempos de minha vida
Ainda choro a partida
Saudade de minha amada.

Logo hoje no alegrete
Em que me pus a lembrar
Um amigo a me chamar
Trazia-me um certo bilhete
Quase cai do tamborete
Vendo a escrita desenhada
Era o nome da danada
De quem amei de verdade
Pense na felicidade!
Saudade de minha amada.

Eu desfiz minha tristeza
Enxugando aquele pranto
Coração pulsava tanto
Que até tive uma moleza
E agora tinha certeza
Minha dor ia ser curada
Pois tendo a vida agraciada
Co'o regresso do meu amor
Eu já não dizia com dor:
Saudade de minha amada.

Abri aquilo lentamente
Co'o meu coração aperriado
Fui lendo aquele recado
Muito vagarosamente
Mantinha-me reticente
Numa leitura calada
Da cartinha perfumada
Que estava na minha mão
Eu controlei a fixação
Saudade de minha amada.

Dizia assim o tal bilhete:
"Ó meu amor, quero você
É difícil te esquecer
Pois teu amor é o meu banquete
E tua ausência é um estilete
Que me deixa mui cortada
Quero por ti ser beijada"
E aquilo tudo num triz
Fez-me gritar tão feliz:
Saudade de minha amada.

Agora eu ia rever meu amor
E curar minha ferida
Aquela emoção perdida
Voltou até com mais sabor
Deus fez-me um grande favor
Minha dor fora extirpada
Uma dádiva alcançada
Apagando o meu passado
Já digo mais aliviado:
Saudade de minha amada.

Não há mal que não tem cura
E não há ida sem a volta
Todo homem não se solta
Das garras de sua cultura
Não há coração que atura
Uma lembrança gravada
Que até hoje é recordada
Ferindo-me com maldade
Vou matar essa ansiedade
Saudade de minha amada.

Agora eu sai do calvário
Revigorei minha vida
Posso sarar a ferida
Não me sinto tão ordinário
Vivo um novo itinerário
Que mudará essa jornada
A vontade tão sonhada
De rever o meu passado
Fez-me cantar invocado:
Saudade de minha amada.

O lírio abriu mais bonito
E o girassol muito mais
Vi todos esses florais
Naquele dia tão bendito
Tudo isso já tava escrito
Antes dela ser contada
Dessa maneira rimada
Por este poeta sem tino
E será obra do destino?
Saudade de minha amada.

É imensa a minha alegria
Que alívio pro meu penar
O Senhor veio me abençoar
Matando a melancolia
E o que minha alma sofria
Há muito tempo enjaulada
Mas hoje então libertada
Quer de novo reviver
Para nunca mais dizer:
Saudade de minha amada.

Chega ao fim o sofrimento
Desse pobre sertanejo
Realizando o meu desejo
Que cantarolei ao vento
A alegria nesse momento
Explodindo iluminada
Tornou toda a caminhada
Muito mais leve e feliz
Dentro de mim já não diz:
Saudade de minha amada.

Aracati, 13 de março de 2006, às 10:12 de uma manhã chuvosa.

UM ABOIO

Estou aproveitando um acervo que eu tenho de textos que não publiquei aqui no Blog e vou p0stá-los hoje aqui, todos como o baú do Aboiador. Apreciem!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

CONFISSÃO DE UM CANTADOR APAIXONADO - PRIMEIRA PARTE

Eu te espero no riacho
Debaixo de um cajueiro
Com a vontade de um macho
Com o meu olhar de brejeiro
Eu quero ser o primeiro
A deflorar a paixão
E grudar nesse corpão
Que enlouquece esse vaqueiro!

Queria ser um pistoleiro
Pra matar essa vontade
Onde mora o forasteiro?
Cujo nome é saudade
E quero com brevidade
Encomendar a sua morte
E quem sabe assim com sorte
Viver com minha beldade.

UM ABOIO

UM FILAMENTO DE MEMÓRIA CARNAVALESCA!
(MANIFESTO ONÍRICO DO CARNAVAL DE JAGUARUANA)


As reminiscências empoeiradas dos meus carnavais Jaguaruanenses se agitam ao primeiro sinal de Fevereiro. Os pés cinzentos e descalços a oscilar no chão de pedras toscas defronte ao Jatec (Jaguaruana Tênis Club), sentido a fragrância dos vesperais. Não tinha uma prata, mas alegria salta aos montes de dentro de mim. Lá dentro (do Jatec) os confetes desciam como uma chuva boa e as serpentinas laçavam as pessoas pela alegria; o cheiro alucinógeno do lança-perfume excitava os ânimos. Máscaras estranhas grudadas na parede e nos rostos dos desconhecidos provocavam-me a curiosidade dessa festa tão artística. Já na Praça Getúlio Vargas a população acotovelava-se para ver um sujeito um tão exótico: Chico Zé de Joana e sua turma desfilando a simplicidade de serem felizes pelo menos por quatro dias. Seu Chico com suas roupas carnavalescas ostentava a euforia plena de toda uma histórica que carregava por sobre seus ombros cansados.

Um dedo de prosa dentro da poesia!

VIDE A BULA!


Vide a bula
na burka de uma donzela
Vide a donzela
posta na janela de casa
Vide a casa
Que desata em dor
Vide a dor
Namorando com amor divino
Vide o divino
sendo cretino com o profano
Vide o profano
No ser humano com gula
Vide a gula
Eita! não leram a bula!

Letras que podem ser musicadas!

CORTEJO INFANTIL


Quem nunca foi criança?
Quem nunca já brincou?
Quero vê você na dança
Que o espetáculo começou!

Vem, ser artista
No palco da vida
Venha João
Vem Margarida
Vem ser feliz
Felicidade não se compra
Vem por um triz
Ser um pouco criança!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um dedo de prosa dentro da poesia!

Mãos decrépitas tateiam um terço
A boca murmura uma oração inaudita
E o cachimbo no canto da boca.
O olhar parece transcender o campo de visão
E vislumbra coisas que não cabem no poema
Galhos de pião roxo e de arruda molhados
Um quebranto, espinhela caída (...)
E a fé a granel a derramar-se sobre o doente.
Pronto! Não há melhor remédio.

...As curandeiras do meu sertão
São catedráticas da vida!

DIÁLOGOS CORDELESCOS

CARNAÚBA EM CORDEL - PARTE II

E pra buscar a equidade
O manejo e o extrativismo
Tem que ser incentivado
Com cooperativismo
Com partes concatenadas
Igualmente a um organismo.

Seguindo esse mecanismo
Na linha da economia
Manejar a carnaúba
Ajudaria a sertania
A combater a miséria
Com grande maestria.

Fazendo com primazia
Um manejo responsável
Pra tornar essa cultura
Realmente sustentável
Só com mobilização
Pra torná-la realizável.

É uma forma saudável
Consciente e lucrativa
De promover o Nordeste
Pela força coletiva
Com toda a sociedade
Uma saída criativa.

A cadeia produtiva
Ao redor deste ideal
Tem que juntar os segmentos
Câmara Setorial
Resolvendo essa temática
De uma forma pontual.

E no contexto atual
A carnaúba é a esperança
De oferece para o povo
Um período de bonança
Fazendo um melhor futuro
Pro homem, mulher e criança.

E demonstrando a pujança
Que sempre houve no agreste
A força de seu bioma
Que o nosso sertão reveste
É lá que há a solução
Para salvar o Nordeste!

Para acabar com a peste
A penúria e a inanição
Toda a nossa caantiga
Pode ser a solução
Acabando a letargia
E nos dando a evolução.

Vamos olhar nosso chão
E rever nosso conceito
Mudando-se uma visão
Tão cheia de preconceito
Aqui também tem riquezas
E me merece respeito!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Letras que podem ser musicadas!

QUE MERDA É ESSA?

Que merda é essa?
Que merda é essa?
No meio da folia
Essa merda é melhor
Do que aquela de Brasília

Essa merda é melhor
Do que aquela de Brasília!


Vamos cair na folia
Vamos fazer carnaval
Aqui não tem ato secreto
Do Senatorial!
Aqui não tem cueca
Aqui não tem propina
No nosso carnaval
Só tem confete e serpentina!

Que merda é essa?
Que merda é essa?
No meio da folia
Essa merda é melhor
Do que aquela de Brasília

Essa merda é melhor
Do que aquela de Brasília!

Vamos cair na folia
Vamos fazer carnaval
Aqui não tem ato secreto
Do Senatorial!
Aqui não tem cueca
Aqui não tem propina
No nosso carnaval
Só tem confete e serpentina!

Que merda é essa?
Que merda é essa?
No meio da folia
Essa merda é melhor
Do que aquela de Brasília

Essa merda é melhor
Do que aquela de Brasília!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

DIÁLOGOS CORDELESCOS

CARNAÚBA EM CORDEL (TÍTULO PROVISÓRIO)


Vou por dentro da poesia
Na cultura popular
Retratando uma riqueza
De valor tão milenar
Pro Nordeste brasileiro
Que agora vou versejar!

Mas é preciso alertar
De uma forma apropriada
Que há tempo essa riqueza
Está sendo ameaçada
Pela ação devastadora
De uma gente tão malvada.

Na poesia que é talhada
Moldada com retidão
Vou falar da Carnaúba:
Esperança do sertão
E de todo esse Nordeste
Que eu estimo de coração!

Versando para nação
O poder dessa palmeira
A Copernícia prunífera
É materia de primeira
Sendo o nome científíco
Da nossa carnaubeira.

Uma planta brasileira
Que por nós é conhecida
Que também tem o apelido
De nossa “Árvore da Vida”
Mas que toda a sua importância
É tão pouco difundida.

E pra não ser esquecida
No cordel vou registrar
Que tudo na carnaúba
Podemos aproveitar
Da sua raiz até o fruto
De cada um eu vou falar.

O fruto pra começar
É ideal para ração
A palha pro artesanato
E também abudação
Sendo até mesmo as raízes
feitas pra medicação.

Tronco pra sustentação
Da morada nordestina
E da sua famosa cera
Usada na medicina
No cosmético, alimento
No polimento e resina.

Essa planta tão divina
Que tem grande utilidade
Pode tornar-se um recurso
De sustentabilidade
Reduzindo no Nordeste
Tamanha desigualdade.